quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Horários no Reveillon - Postado por Jairo Len

A Clínica Len de Pediatria funciona normalmente a partir de segunda-feira, dia 4 de janeiro de 2010.

Durante o feriado, em caso de dúvida ou emergência entre em contato conosco pelos telefones celulares ou Central Telecom (telefones disponíveis no site da Clínica - www.clinicalen.com.br).

Desejamos a todos um Ano Novo com muita saúde, sucesso e felicidade.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Fim de Ano - Postado por Jairo Len

A década acaba em grande estilo - 2009 foi um ano "inesquecível"...
Espero que, em saúde - pelo menos - 2010 seja um ano um pouco melhor. A gripe suína e toda a confusão que girou em torno dela - a falta de informações, de diagnóstico e de medicação... Vamos torcer para que a "segunda-onda", esperada para o ano que vem, seja ao menos mais organizada. E, é claro, menos intensa.
A vacina vai chegar e, sendo de boa marca (GSK, Aventis-Pasteur, Chiron, MSD...) todos que puderem devem recebê-la. Ainda não se sabe quando chegará e como será sua distribuição.

Para as férias, não se esqueça (só vale para nossos pacientes, por força da legislação): nas viagens ao exterior, é fundamental levar aquela lista de remédios (com a receita original) que fornecemos na Clínica: antitérmicos, remédios para vômitos severos, antialérgicos, antibiótico, colírio, etc.
Vejo a diferença absurda quando me ligam do exterior para uma ajuda...e os pais tem os remédios em mãos. Facilita muito. Como curiosidade: o Tamiflu (Oseltamivir) - para gripe suína - não consta da lista. O uso do Tamiflu tem que ser feito de forma muito controlada, com exame físico e exames laboratoriais. Tratar uma infecção bacteriana como se fosse uma gripe (só com oseltamivir) pode ser um enorme erro.

Outro detalhe (não médico), mas que sempre ouço dos pais na volta das férias: só leve os documentos originais para os aeroportos. É um sufoco chegar no check in e não poder embarcar por falta de documentos originais das crianças. Já ouvi alguns casos.

E muito cuidado com o sol: só neste fim de semana de Natal duas mães me ligaram que houve exagero no sol e seus filhos estavam super-queimados. Não há muito para fazer, além de cremes hidratantes, anestésicos (como o Solarcaine) e analgésicos...

A Clínica Len funciona normalmente neste fim de ano e início de 2010. Exceto nos dias 31 e 1º de janeiro, nos demais dias úteis, "vida normal". No reveillon, como sempre, será muito fácil nos achar nos telefones celulares e e-mail.

E para finalizar o ano, deixo aqui um poema que, para mim, marca o que fará de 2009 um ano totalmente diferente dos outros...

Ausência [Carlos Drummond de Andrade]

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

..................................................................

Desejo a todos um Ano Novo com muita saúde e que todos os planos, vontades, desejos e caprichos se realizem plenamente!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A ditadura da rosificação - Postado por Jairo Len

O título do post de hoje tem nome de livro...
Sempre coloco para as mães e pais que em literatura e psicologia pediátrica, não há limites - sempre tem gente lançando livros e campanhas contra e a favor de tudo...

Na Inglaterra, duas irmãs de 38 anos de idade, Emma e Abi Moore, lançaram a campanha "PinkStinks" ("Rosa cheira mal"), para desafiar "a cultura do rosa baseada na beleza, e não na inteligência, que é imposta às meninas desde o berço". Elas querem que as meninas sejam e gostem "daquilo que quiserem, e não do que é imposto". À cultura do rosa, desta imposição, elas deram o nome de "rosificação". Não especificamente à roupa rosa, mas ao tratamento e orientação super-femininos que as meninas tem. Até que a campanha tem um lado interessante, que é o de mostrar a importância de valorizar tudo o que uma criança tem de bom, todo seu potencial.

O que você acha?

Particularmente acho que o ideal é ficar "cada um no seu quadrado".

O jeito de educar os filhos é individual. Depende de como o pai e a mãe foram educados. O jeito de vestí-los, idem. Se a mãe gosta de rosa-bebê ou vermelho-versalhes, ótimo. Se fica feliz de ver sua filha com vestido xadrex Burberry, lindo. Se quer vestir no estilo hippie-chique (ou não chique), problema é dela.

Com o tempo, os pais percebem que seu poder de escolha pelo que os filhos devem gostar é limitado. Cabe à nós ensinar, a duras penas, o que julgamos adequado. As crianças assimilam demais o nosso modo de viver - de falar, agradecer, ser amável e se fazer respeitado.
Nenhuma menina vai deixar de estudar e ser intelingente porque sua mãe a vestia de rosa, nem será uma Barbie quando crescer por esta causa.
A educação é muito maior do que isso.
Por curiosidade, o site das revolucionárias inglesas é http://www.pinkstinks.co.uk/.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Pés no chão - Postado por Jairo Len

Hoje eu estava lendo uma notícia sobre o aumento, nos últimos anos, do número de corredores que correm descalços. Coisa de dezenas de quilômetros, maratonas, etc...
A notícia é interessante, mas o que me fez mesmo foi lembrar o número de mães e avós que tem verdadeiro pânico que seus filhos e netos andem, pela casa, descalços.
Pedem até que eu fale diretamente às crianças o quanto isso é ruim para a saúde.
E se decepcionam quando eu digo que não faz mal nenhum. Nem no calor, nem no frio.
Andar descalço não faz a criança se resfriar, ficar doente, ter problemas pulmonares.
E, de acordo com os ortopedistas, é um dos melhores métodos de condicionar a boa pisada, da criança formar a musculatura das pernas, de deixar o pé com um arco bem formado.

Acho que este temor com os pés descalços no chão (nem sempre) frio vem de bastante tempo atrás, e nunca teve uma explicação científica que a justificasse. Mas ainda vive na cabeça das mães...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Problemas de leitura e treinamento intensivo - Postado por Jairo Len



Um estudo do Instituto Nacional de Ciências Mentais (NIMH), nos Estados Unidos, mostrou que crianças com dificuldades para leitura beneficiaram-se muito com treinamento intensivo, melhorando inclusive outras funções cognitivas. A pesquisa focou crianças de 8 anos de idade, submetidas a 4 métodos de treinamento intensivo, através de aulas diárias de 50 minutos, 2ª a 6ª feira, por 6 meses (100 horas de aula).

Parece óbvio que houve melhora. Mas dois pontos são importantes:

Primeiro que os pesquisadores concluiram que, além da melhora esperada da leitura, houve mudança da conectividade cerebral após o intensivão, mostrando que este tipo de estímulo pode beneficiar pacientes com outros transtornos mentais. Uma das doenças mais relevantes aonde há prejuízo da conectividade cerebral é o autismo. Na ressonância magnética das crianças antes e após o treinamento, notou-se mudança da configuração da massa branca cerebral, com evidente melhora do padrão microestrutural após.

E em segundo lugar, a parte que me toca de imediato: ouvimos tantos pais cujos filhos tem problemas de leitura, crônicos, que duram anos, mas que talvez não tem sido bem administrados pela escola, pelos psicopedagogos, pelos pais e pelos médicos responsáveis, prolongando-se por muito tempo, trazendo prejuízos indeléveis para a auto-estima da criança.
Quem sabe em 6 meses com ótima orientação podemos melhorar a leitura desta criança?

O estudo foi publicado na resvista Neuron, com o título "Altering cortical connectivity: remediation-induced changes in the white matter of poor readers".

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Piscina e "Congestão" - Postado por Jairo Len


Um dúvida bastante comum dos pais é sobre o perigo de, após as refeições, as crianças usarem a piscina ou tomar banho. Elas podem ter "congestão"?
Para as crianças em atividades recreativas ou banho (banheira, chuveiro) não há qualquer risco.
A congestão é a situação em que, devido a grande esforço físico, o sangue fica concentrado nos músculos - e não no estômago e intestino, prejudicando a digestão, causando mal estar e vômitos. São aquelas pessoas que, após comerem um refeição caprichada, vão nadar no mar, fazer esportes náuticos, correr muito, atravessar a represa a nado - certamente passar mal no meio do oceano é um problema sério... Quem quer fazer esportes, exercícios físicos extenuantes ou nadar bastante após comer deve aguardar cerca de 2 horas.
Mas aquela criança que acabou de comer e quer voltar para a piscina ou tomar banho não vai sofrer de congestão. Caso não se sinta bem, certamente vai interromper suas atividades e descansar um pouco.
O mesmo vale para os bebês e as mamadas. Não há qualquer risco de um bebê ser banhado após mamar. Geralmente não recomendo porque a manipulação no banho pode fazer o bebê regurgitar ou vomitar - mas não há risco de congestão.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Vigorexia (já ouviu dizer?) - Postado por Jairo Len

O post de hoje não é uma ode ao ócio, mas sim um alerta aos exageros que algumas pessoas cometem sem saber que estão doentes...
Desconhecida de muitos, a vigorexia (overtraining, em inglês) ocorre quando o volume e a intensidade de exercício físico praticado por um indivíduo excede a sua capacidade de recuperação, geralmente apresentando uma auto-imagem distorcida, em quadro psicologicamente patológico - tanto que a vigorexia é considerada um TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e, quando acompanhada de auto-imagem distorcida, um TDC (transtorno dismórfico corporal).
Quem não conhece alguém que está descontente com o próprio tríceps, e por isso fica reclamando do próprio corpo, da sua alimentação, da necessidade de aumentar mais ainda as 2 horas diárias de treino, de estar fortíssimo mas se achando fraco, visualmente falando? Indivíduos acometidos por esta síndrome (também chamada de Síndrome de Adônis), são pessoas que, mesmo fortes fisicamente, ao se visualizarem em espelhos, por exemplo, se sentem fracos, de maneira similar aos acometidos de anorexia, que ao se visualizarem, sempre consideram-se gordos.
Claro que existem dezenas de nuances nesta definição - o fisiculturista, por exemplo, que se acha forte, que está contente com o corpo, não pode ser tido como um TDC - mas eventualmente como um TOC...Depende se isso é sua profissão, seu hobby, sua idade, etc...

Vigorexia...mais uma doença psicológica para o seu conhecimento.

O mais importante sempre é estar contente consigo mesmo, sem ser radical em nada, e sempre respeitando aqueles que são diferentes...

"A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar." (Mahatma Gandhi)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Piscina e Mar - Postado por Jairo Len

Com a proximidade do verão e das férias, as dúvidas sobre uso de piscina e banhos de mar são muito frequentes.
Começo pelo uso "recreativo" de piscina e mar: não existe uma idade mínima ou qualquer recomendação específica. Se o mar e a piscina em questão são limpos, sem excesso de substâncias químicas e estão em temperatura agradável, as crianças, em qualquer idade, podem usar. Bom senso. Pessoalmente não vejo a necessidade de colocar um recém-nascido até 6 meses de idade dentro da piscina de casa ou no mar, mas diariamente pais e mães divergem sobre o assunto e querem minha opinião (obviamente o pai quer colocar o bebê na piscina e a mãe não quer...).
Entre 6 meses e 1 ano o bebê já começa a interagir, já sabe aonde está, brinca com a água...Tenho certeza que a partir desta faixa etária não será só o pai que vai se divertir...

AULAS DE NATAÇÃO
Assunto controverso... A frase que eu falo na Clínica: "se quiser, dou o atestado para o bebê fazer natação a partir dos 6 meses. Mas só recomendo natação para bebês a partir dos 2 ou 3 anos de idade". Tenho dezenas de pacientes que fazem natação a partir dos 6 meses.
Não vejo nenhuma necessidade, de uma forma geral. Não é uma atividade que traga um benefício comprovado - inclusive vários países no mundo não permitem estas aulas de natação antes de 3 ou 4 anos de idade. Exceções existem, certo?
As piscinas das academias são aquecidas a cerca de 30ºC (um meio de cultura perfeito), são utilizadas por centenas de crianças por dia, que fazem suas "necessidades" na fralda, na piscina mesmo... Nem todas as mães só levam seus filhos à natação se estiverem 100% sadios. Coriza, tosse... Particularmente sempre recomendo que uma criança só retorne à aulinha de natação, após um processo infeccioso, quando estiver totalmente curada, sem uso de quaisquer remédios - um processo que dura cerca de 2 semanas. Você acha que todas as mães seguem essa recomendação?
Serem tratadas com ozônio ou salinizadas é básico (porque o cloro é muito alergênico), mas lembro que as bactérias e vírus não são mortos por estes métodos - e vivem até 24 horas nas piscinas aquecidas.
Todas crianças pegam mais infecções? Não, de forma alguma. Mas sem dúvida há comprovação científica de aumento de otites, rinosinusites e outras infecções do trato respiratório nas crianças que fazem natação. Cada caso deve ser avaliado individualmente...
Outra questão abordada pelas mães é a climatização do ambiente. Piscina aquecida e vestiário não aquecido são um problema? Para muitas crianças, sim.
O choque térmico infantil nem sempre é inóquo, principalmente nas épocas mais frias (São Paulo em frio em qualquer época do ano).

E o mais importante de tudo: muitos pais querem natação precoce para seus filhos para que os mesmos aprendam a nadar, não se afoguem... Até os 4 a 5 anos de idade, uma criança, mesmo que saiba nadar muito bem nas aulinhas de natação, pode se afogar. Principalmente se "cair" na piscina sem querer, acidentalmente - não quando está nadando de forma espontânea, brincando na água com adultos em volta...
Todo cuidado é pouco. Já tive casos de quase-afogamento em crianças na Clínica - que sabiam nadar e faziam aula de natação - mas que só tinham 3 ou 4 anos de idade quando tentou pegar um brinquedo ou escorregou e caiu na água.
Na faixa de 1 a 4 anos o afogamento é a segunda causa externa de morte no Brasil.
ESTADOS UNIDOS: Os afogamentos em água doce são mais frequentes em crianças, principalmente em menores de 10 anos. Estima-se que existam mais de 4.500 casos de morte por ano só nos EUA (53% em piscinas), onde 50.000 novas piscinas são construídas por ano, somando-se a 2.2 milhões de piscinas residenciais e 2.3 milhões não residenciais. Nas áreas quentes do EUA, Austrália e África do Sul, 70 a 90% dos óbitos por afogamento ocorrem em piscinas de uso familiar. No Brasil, onde o número de piscinas domésticas é infinitamente menor, o afogamento em água doce ocorre mais em rios, lagos e represas perfazendo a metade dos casos fatais.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DST, HPV e tabu... - Postado por Jairo Len

A edição de dezembro do "Pediatrics", a publicação pediátrica mais importante do planeta, traz um artigo do grupo "Epidemic Intelligence Service, Office of Workforce and Career Development", norte americano, sobre doenças sexualmente transmissíveis em meninas americanas entre 14 e 19 anos.
O estudo avalia cerca de 1.000 meninas, representando bem a população dos EUA, e a prevalência de gonorréia, clamídia, herpes simples, tricomonas e HPV (papiloma vírus).
No grupo como um todo, 24% das meninas tinham alguma destas doenças. Naquelas que já tinham alguma vida sexual, 38%.
Mesmo as meninas que tiveram um só parceiro já foram infectadas em 20% dos casos.
A doença mais prevalente: HPV, o papiloma vírus humano, cujas formas invasivas (verrugas genitais e câncer de colo de útero) são evitáveis através de vacina.

Aonde entra o tabu nesta história?
Assim como já coloquei em posts anteriores, ainda vejo pais (e algumas mães) que não querem fazer a vacina em sua filha adolescente (12, 13, 14 anos) por achar que ela ainda é "muito nova"...
A vacina tem eficácia de pelo menos 10 anos e evidentemente não pode ser encarada como a "liberação" para a vida sexual. A primeira vacina que uma criança recebe, logo que nasce, é contra a hepatite B, cuja via de transmissão, atualmente, é iminentemente sexual, em mais de 50% dos casos.
Outro tabu, este talvez mais complicado, é a necessidade das adolescentes (e os meninos também) serem instruídos a sempre utilizar preservativos. O estudo norte-americano não investigou outras DSTs, como a própria hepatite B, a hepatite C e a AIDS.
Me parece que a maioria dos adolescentes aprende estas coisas (educação sexual) por conta própria, lendo revistas, conversando com os amigos. Não são instruidos pelos pais ou professores.

"A educação é o maior e mais difícil problema imposto ao homem."
(Immanuel Kant)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Confusão com filtros solares - Postado por Jairo Len

Quem acompanha este blog regularmente sabe que eu já coloquei aqui alguns posts com testes realizados pela Fundação Proteste (que é uma associação não-governamental de defesa ao consumidor). Anteontem a Proteste lançou resultados de uma controversa avaliação de 10 marcas de filtro solar fator 30... Não coloquei neste blog porque achei que o assunto ia dar "pano para manga"... E deu.

Na avaliação, a Proteste reprova quase todos - somente o L'Oréal Solar Expertise e o Cenoura & Bronze foram aprovados. Os demais, Avon, La Roche-Posay, Nivea, Banana Boat, Sundown, Nívea, Episol, Coppertone e Natura foram reprovados. Os critérios são variados, como informações no rótulo, estabilidade na pele e à água, proteção UVA, etc...
Todas as marcas (inclusive a L'Oreal, que é controladora da La Roche-Posay) contestaram o teste.
Alegam que os protetores são regulamentados e aprovados pela Anvisa e foram sumetidos a testes próprios e por sociedades de dermatologia. A própria Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) contesta a avaliação, uma vez que a Proteste, alegando "motivos de sigilo", não informa como foram realizados os testes, quem realizou, qual a metodologia e se houve auditoria externa (fundamental para garantir a isenção em testes como este).

O que posso relatar é que, em relação aos filtros infantis, recomendo aqueles que na minha experiência são eficazes e tem mínimos índices de reações alérgicas (vide post de 9 de novembro).
Nunca soube de casos em que um filtro infantil (destas marcas acima, inclusive), bem aplicado, fosse ineficaz. Muitos podem causar alergia e irritação na pele, edema nos olhos, acne em bebês... Os que recomendo, raramente.
Portanto, junto-me ao coro dos que reprovam a avaliação da Proteste sobre filtros solares. Até que a Proteste prove o contrário.
"Nós mostramos que o comportamento atual inexplicável é
diferente do comportamento anterior inexplicável "


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais sobre meningite C - Postado por Jairo Len

Tenho recebido e-mails de pais preocupados com o surto de meningite C na Bahia. Até o fim de outubro foram contabilizados, na Bahia, 157 casos, com 41 óbitos. Não acho que estejam "escondendo" casos por causa da má repercussão em relação ao turismo - o que pode haver é só uma minimização do problema, que é enorme.
Como falei no post de 26 de outubro, a doença é 100% evitável com uma única dose da vacina contra meningite C (vacina importada, eficaz e segura). Todos os meus pacientes, sem exceção, são vacinados.
Recomendo que os adultos que vão passear por lá também recebam a vacina (dose única).
Não me perguntem porque o governo da Bahia não providencia a vacina para a população.


Outra questão top of mind nos e-mails das últimas semanas são os protetores contra insetos. Repito então minhas recomendações:
- Nos quartos, usar os inseticidas elétricos, de tomada. Todas as marcas funcionam. Use uma tomada alta ou escondida. Porque as crianças adoram mexer no aparelhinho, com risco de choque e intoxicação.

- Tela mosquiteira: acaba sendo o melhor método para os bebês, que não podem usar repelentes.

- Repelentes: entre 6 meses e 1 ano de idade, recomenda-se a Loção anti-mosquitos Johnsons ou o Citronim (Weleda). Pode passar, sem problemas, mas evite passar nas mãos - que vão à boca. Para os maiores de 1 ano, os repelentes como o Off Kids ou Repelex Kids podem ser usados.

- Repelentes eletrônicos: definitivamente, esqueça.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A busca pelo alternativo - Postado por Jairo Len


Todos que me conhecem como pediatra sabem que sou alopata (convicto), mas que existem alguns setores da fitoterapia (e, bem mais raramente, da homeopatia "pronta") que podem aparecer no meu receituário. Camomila, Crataegus, Salix Alba, Pulsatilla...
Um estudo da Universidade de Newcastle, Inglaterra, comprovou em ratos que a erva Hyptis crenata, conhecida como hortelã-brava e salva-de-marajó, genuinamente brasileira, tem propriedades analgésicas semelhantes a alguns remédios vendidos nas farmácias. O chá, aonde se ferve por 30 minutos a erva seca, não tem gosto agradável (esta hortelã tem gosto de sálvia, e não da hortelã tradicional que usamos no dia-a-dia).
É claro que esta erva, se comprovadamente efetiva, vai para uma cápsula sem gosto. E, melhor ainda, se descobrirem que não apresenta efeitos colaterais - o que é difícil, porque as ervas, concentradas, geralmente tem bastante reações secundárias.

Mas o post de hoje não é para mostrar este estudo, interessante, porém sem relevância, ainda.
O que me intriga é a busca, por algumas pessoas, do alternativo (em medicina, ok?). Vejo isso no meu dia-a-dia na Clínica, em pessoas que me procuram e sabem qual é minha filosofia de trabalho.
Temos antialérgicos alopáticos extremamente seguros e testados, com efeitos colaterais raríssimos...mas tem mães que ficam "judiando" dos seus filhos portadores de otite secretora, com remédios homeopáticos ou antroposóficos (do tipo sabe-deus-o-que-tem-dentro) por meses a fio, insistindo, sem dó... Qual é o problema em acreditar no que é cientificamente comprovado?
Idem em relação aos antibióticos. Não fossem eles, tenho certeza que muitos de nós e nossos filhos não estaríamos por aqui. Era assim no inicio do século passado, era aonde já reinava, absoluta, a homeopatia. Mas no dia-a-dia me deparo com mães que, ao ser prescrito o antibiótico (seguro, testado,...) para uma infecção urinária febril comprovada por exames laboratoriais, parece que vão dar veneno para o filho. "Não tem outro jeito? Não gosto de antibiótico! Não podemos esperar um pouco? Estou tão dividida...! Meu marido não gosta de antibiótico...Não faz mal?"
Não...
O que faz mal é infecção urinária, otite, pneumonia...
Quando se trata de não querer aplicar vacinas nos filhos, aí então a coisa complica. Não atendo. Insisto, explico, mostro artigos científicos ou não...mas se os pais não querem vacinas, procurem um pediatra (insano) que corrobore com esta filosofia (insana).
Mas o que faz um pai ou um mãe ter algo contra vacinas? Intrigante. Aonde eles se informam? O que leem? Não acreditam nos avós, tios, amigos médicos?
Não é raro topar com situações assim na Clínica.

As "alternativas alimentares" (vegetarianismo, aversão à carne vermelha, só querer leite de soja...) eu deixo para novo post.

Como falei, sou alopata mas não desacredito em tudo. Tenho alguns relatos de pais que viram melhora de problemas crônicos dos filhos com o uso de remédios alternativos. E tenho centenas de casos de asmas graves, alergias importantes e demais doenças crônicas que controlamos com medicamentos alopáticos, seguros. Que devem ser prescritos sempre com critério.
Costumo repetir para as mães "alternativas": espere seu filho ter idade e discernimento para escolher o caminho que vai trilhar. Antes disso, vamos nos basear no que comprovadamente funciona e é seguro (através de ciência, estudo, seriedade).

"Toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos." (Albert Einstein)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Acidentes na banheira - Postado por Jairo Len

Uma agência dos Estados Unidos, chamada National Electronic Injury Surveillance System, relatou que nos últimos 18 anos 80 mil americanos se feriram na banheira, a ponto de procurar um pronto atendimento.
Os tipos de injúria são os mais variados: tombos e escorregões (com fraturas), superaquecimento e queimaduras, quase-afogamento. Sete por cento deles necessitou internação.
Os norte-americanos tem bem mais banheiras do que nós. Mas mesmo assim não é raro acontecer acidentes com as crianças na banheira e no box. O que eu mais vejo na Clínica são:

- Os escorregões com traumatismo craniano (na maioria das vezes leves, sem problemas intracerebrais),
- Os traumatismos com cortes, necessitando sutura,
Para estes dois eventos acima lembro que os adesivos antiderrapantes no piso da banheira são fundamentais em todas as idades, assim como uma barra de apoio para entrar e sair da banheira.
- Os cortes pelo vidro temperado do box que se quebra.
Este tipo de acidente - o box que quebra - é de uma frequência realmente assustadora. E em geral os estragos são trabalhosos, necessitando suturas e até anestesia geral para retirada completa dos cacos de vidro. Todo cuidado é pouco. Sugiro que as crianças sejam sempre instruidas (insistentemente) a não ficar abrindo e fechando a porta de correr e que, principalmente, se coloque um calço ou uma espuma para evitar que a porta bata ao ser fechada - esta é a hora que ela estoura.

- Vale lembrar também que crianças até 8 meses de idade podem se afogar em 10 cm de água.

O estudo norte-americano, que será publicado na edição de dezembro da revista American Journal of Preventive Medicine, não incluiu acidentes fatais, mas a Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor relatou mais de 800 mortes associadas a banheiras desde 1990, quase todas elas entre crianças menores de 3 anos.

Amenizando...para lembrar que a banheira pode não ter box de vidro e, caso você escorregue, pode cair em uma piscina...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vitamina S - Postado por Jairo Len


Em um estudo publicado na Revista Nature Medicine, pesquisadores da School of Medicine - University of California, em San Diego, comprovaram que o excesso de limpeza pode prejudicar crianças.
Na verdade, quem não sabe da importância da vitamina "S" (de sujeira) na vida das crianças? Engatinhar (mesmo em chão desconhecido), colocar qualquer coisa na boca, ficar mordendo todo e qualquer objeto (como o limpíssimo telefone celular da mãe)... Será que isso faz bem, e a lavagem obsessiva das mãos nos tempos de gripe suína faz mal?
O estudo mostrou que a bactérias que vivem na pele ajudam no processo de cicatrização de ferimentos. Estafilococo - um tipo de bactéria presente naturalmente na pele - inibe a inflamação excessivamente agressiva da pele após um ferimento. Ou seja, a flora bacteriana é importante para nós.
A importância do estudo não é fazer uma apologia à imundice, mas desvendar novas técnicas para melhorar a cicatrização.
Mas serve para lembrar que o exagero, para qualquer lado, nunca é benéfico para as crianças.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Esperança em Síndrome de Down - Postado por Jairo Len


A Síndrome de Down é a doença cromossômica mais frequente no mundo. Não existe, claro, a cura para a síndrome, mas os avanços em cognição são o ponto mais importante no seu tratamento, que até há pouco tempo baseava-se só em estímulos precoces.
Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicaram na revista Science Translational Medicine um estudo pioneiro: remédios já disponíveis no mercado para tratar depressão e déficit de atenção poderão servir para diminuir os problemas de memória e aprendizado que costumam acompanhar o desenvolvimento de pessoas com síndrome de Down. O estudo foi realizado através do uso de noradrenalina em camundongos geneticamente modificados (simulando o que em humanos seria a síndrome de Down).
Em geral, pessoas com síndrome de Down possuem ótimo desempenho em testes relacionados à memorização de sensações visuais, auditivas ou olfativas, operação coordenada uma determinada região do cérebro. Porém, para formar memórias no hipocampo, tanto seres humanos como roedores necessitam do neurotransmissor noradrenalina, produzido nos neurônios do locus coeruleus, outra região do sistema nervoso central - comumente afetada na doença.
Resumo: poucas horas depois de receber os medicamentos, os camundongos já apresentavam um comportamento semelhante ao de outras cobaias sem a modificação genética. Ao serem transferidos para novos hábitats, realizavam um rápido reconhecimento e começavam a construir um novo ninho. Coisa que não conseguiam realizar antes da medicação.

Estudos em seres humanos ainda são necessários para provar que a noradrenalina também servirá para nós.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vacinação e Autismo - Postado por Jairo Len


Um dia, em 1998, um pesquisador relacionou a aplicação da vacina MMR (contra sarampo, caxumba e rubéola), aplicada com 1 ano de idade, como causa do aparecimento e desenvolvimento do autismo.
O assunto passou a ser amplamente estudado e...divulgado. Obviamente a hipótese tornou-se, para muitos, "uma verdade" e aí os problemas começaram. Algumas classes ("ONGs", associações de pais e amigos de autistas, homeopatas radicais e moderados) recomendando que a vacina não seja feita.

Não fazer uma vacina importante como a MMR é um risco seríssimo, não só para a infeliz criança que não teve direito de voto, mas sim para toda a população, para os seus filhos, para as gestantes, para os idosos.

Obviamente inúmeros estudos sérios já comprovaram que não existe relação entre a aplicação da MMR e o aumento da incidência de autismo.
O autismo é uma doença neurológica cujo diagnóstico tem aumentado nos últimos anos, não por conta de maior incidência, mas sim porque os médicos e pais tem sido mais atentos, procurando sinais precoces. Muitas crianças que nunca seriam tidas como autistas passaram, nos últimos anos, a ganhar este diagnóstico.
Outro fato é que o aumento de número de casos diagnosticados não sofreu qualquer abalo após o início da aplicação mundial da vacina MMR. Este aumento progressivo de incidência de autismo nada tem a ver com qualquer vacina - mas como a MMR é aplicada com 1 ano de idade e o autismo geralmente é diagnosticado entre 1 e 2 anos de idade, alguém resolveu propor a associação.

Na internet existem milhares de links sobre o assunto. Mas todas as associações pediátricas, neuropediátricas e de imunizações sérias do mundo defendem e comprovam que não existe relação entre a aplicação da vacina MMR e o desenvolvimento do autismo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Muito músculo e pouco cérebro - Postado por Jairo Len


Não é de hoje que se relaciona o excesso de músculos ("bad boys", fisiculturistas, alguns lutadores e outros tipos semelhantes) à uma personalidade mais "esquisita" e à falta de inteligência.
Será puro preconceito?
Um recente estudo da Yale School of Medicine (EUA) mostrou que o uso excessivo de testosterona para aumento de massa muscular tem relação direta com a morte das células cerebrais (neurônios). Já se sabia que o excesso de esteróides masculinos (testosterona) tem relação com depressão, câncer de testículo, impotência (anos após), tendências suicidas e aumento da violência. Mas agora se sabe que ela mata as células do cérebro.
E não é necessário que a testosterona seja usada por muito tempo - curtos períodos em altas doses já tem efeitos "catastróficos" nas células neurológicas.

A autora da pesquisa, Barbara Ehrlich, professora de farmacologia e psicobiologia da Universidade de Yale, ironiza: "Da próxima vez que um cara musculoso em um carro esporte lhe fechar na rua, não fique louco, só respire fundo e pense que isso pode não ser culpa dele".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Coksackie, o vírus da estação - Postado por Jairo Len

Nas últimas semanas tem aparecido dezenas de casos de infecções pelo vírus Coksackie, entre outras (escarlatina, gripe suína...).
O Coksackie é um vírus da família dos "enterovírus". É incidente no ano inteiro, mas tem pico no verão. Sua contaminação se dá através de secreções contaminadas (saliva, coriza, tosse, fezes, etc.), espalhando-se rapidamente - mas geralmente só acomete as crianças com menos de 5 anos.
As infecções causadas por estes vírus (o grupo dos Coksackie é grande, cheio de subtipos) são bem variadas, todas com febre e duração de 3 a 5 dias. As duas mais comuns são:

HERPANGINA
Neste caso, além da febre, a criança apresenta aftas (só) na garganta, que causam dor e dificuldade para a alimentação.

DOENÇA MÃO-PÉ-BOCA
A outra doença causada pelo Coksackie, aonde a criança tem aftas (espalhadas pela cavidade oral) e vesículas nas mãos e pés - e às vezes nas nádegas e no corpo todo. Além da febre.

O diagnóstico se faz pelo exame pediátrico, sendo dispensáveis os exames laboratoriais.
As complicações pela infecção são raríssimas, e o tratamento consiste em "sintomáticos": remédios para a febre, dor de garganta e mal estar, além dos anestésicos tópicos para a mucosa oral.
A criança deve ficar afastada da escola até estar 100% recuperada (sem febre, sem mal estar, comendo bem) e quando as vesículas desaparecerem por completo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Recomendações para o verão - Postado por Jairo Len

Assim como no ano passado, começo a receber e-mails dos pais perguntando quais marcas de filtros solares, hidratantes e repelentes são recomendadas.
Existem várias marcas muito boas. Recomendo algumas delas:

Protetor solar
Detalhes: só devem ser usados por crianças acima dos 6 meses de idade; procure passar o protetor ainda "em casa", com a criança sem roupa, pelo menos 15 minutos antes da exposição solar; repasse a cada 2 horas.

- Anthelios Dermo-pediatrics 50 (da La Roche Posay)
- Vichy 60 Enfants
- Episol Infantil 50
- Banana Boat Kids 50




Hidratantes
- Cetaphil Advanced Moisturizer (compre o tubo grande, de 226 g)
- Fisiogel loção hidratante
- Cetrilan (loção infantil)




Repelente de mosquitos
- Loção anti-mosquito Johnsons (6 meses a 1 ano de idade)
- OFF Kids (acima de 1 ano de idade)
Estas são as marcas que tenho o hábito de recomendar. Lembro que existem dezenas de outras marcas excelentes, hipoalergênicas e recomendadas para as crianças.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bebês choram no idioma materno - Postado por Jairo Len

A informação pode ser esquisita, mas imagine as conclusões que se pode chegar: os bebês choram, desde o nascimento, no idioma materno - sugerindo que os bebês já aprendem o idioma da mãe dentro do útero.
A revista "Current Biology" publicou este estudo, da universidade de Wuerzburg (Alemanha), aonde os pesquisadores gravaram e analisaram o choro de 60 bebês saudáveis, 30 deles de famílias francesas e os outros 30 de famílias alemãs, entre três e cinco dias após o nascimento. A análise revelou claras diferenças com base no idioma materno.
Segundo o estudo, os recém-nascidos preferem a voz da mãe a todas as demais, percebem o conteúdo emocional das mensagens enviadas mediante a entonação, e sentem uma forte motivação de imitá-la para atraí-la e criar laços afetivos.
Segundo a pesquisadora que liderou o estudo, Kathleen Wermke, ao contrário do que indicam as interpretações mais conservadoras, os resultados do estudo mostram a importância do choro para o futuro desenvolvimento da linguagem.
O estudo, Newborns' Cry Melody Is Shaped by Their Native Language, está na página eletrônica da revista, http://www.cell.com/current-biology/newarticles.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Gripe Suína X Viagem de fim de ano - Postado por Jairo Len


Como o fim de ano está próximo - e as viagens precisam ser programadas com antecedência, aproveito aqui para postar a pergunta de um pai e a resposta, via e-mail, já preocupado com a viagem de fim de ano ao hemisfério norte e a chance da segunda onda de gripe suína:

Pergunta
Caro Jairo,
Tudo bem ?
Temos uma dúvida crucial e talvez você possa nos orientar.
Estamos com uma viagem toda comprada (e paga) para os EUA, do dia 28 de dezembro a 26 de janeiro, indo a Orlando (Disney), Vail (Ski) e Nova Iorque.
Ao mesmo tempo, estamos preocupados com as notícias da gripe suína... aqueles americanos fazendo fila para tomar a vacina que não existe aqui...
É claro que, qualquer resfriadinho nos EUA, qualquer nariz escorrendo, vamos ficar meio “tensos”...De qualquer forma, se cancelar é uma frustração e perco uma parte do que foi pago...Você acha que há razão concreta para cancelarmos a viagem ?

Resposta
Sua pergunta não é fácil de responder, porque não existe uma recomendação 100% segura - em qualquer lugar do mundo podemos ficar doentes...E saber exatamente como será a gripe suína no inverno do hemisfério norte é uma coisa impossível.
Mas vou ser o mais racional possível: os EUA enfrentaram a epidemia de H1N1 de forma MUITO mais adequada que o Brasil. O índice de mortalidade por lá foi muito menor que por aqui. A disponibilidade de exames e remédios foi rápida, as informações, o up-to-date, controle de fronteiras e entrada no país, rastreamento de casos, etc...tudo nos EUA, em relação ao H1N1, superou "anos luz" o que o governo brasileiro nos ofereceu. E, agora, eles já estão vacinando a população - o que significa mais proteção, menos casos circulantes.
Nos últimos meses eu tive dezenas de pacientes com quadro gripal (provável H1N1 e muitos confirmados), acredito que uma parcela enorme da nossa população, sobretudo em São Paulo, teve contato com o vírus, desenvolvendo a doença, de forma leve, de forma assintomática, alguns mais sintomáticos...enfim, poucos "escaparam". E a segunda onda que todas as epidemias tem serão monitorizadas de forma bem mais responsável nos EUA do que aqui no Brasil (aonde a primeira onda nem acabou).
Não sei se ir aos EUA, então, aumenta muito o risco - comparando-se em ficar em São Paulo.
Você vai levar a lista de remédios e, quem sabe, se a venda já estiver liberada, levará também o Tamiflu.
Portanto, por hora, minha recomendação é manter a programação. É claro que a situação pode mudar, podemos ter surpresas, mas não acho isso provável.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dinheiro não traz saúde? - Postado por Jairo Len

Acho que a máxima "dinheiro não traz saúde" já caiu por água abaixo há muito tempo. Existe, talvez, "dinheiro não garante saúde"... Falo sempre isso aqui no blog, quando comparo a saúde pública com a saúde privada, a disponibilidade de vacinas para quem se dispõe a pagar, o custo de alguns tratamentos, a mortalidade por gripe suína, etc.
Para não dizer que isso é só aqui no Brasil, seguem dados de uma pesquisa norte-americana:
A falta de cobertura médica adequada pode ter contribuído para a morte de 17 mil crianças nos Estados Unidos ao longo da últimas duas décadas, segundo um estudo do Centro Infantil Johns Hopkins. O documento, que será publicado na sexta-feira (30) no "Journal of Public Health", foi compilado de mais de 23 milhões de fichas médicas de 37 estados entre 1988 e 2005. Segundo as conclusões, as crianças sem plano de saúde têm muito mais probabilidades de sucumbir às doenças que aquelas que têm cobertura - o risco de morrer aumenta em 60% nos casos de doenças graves.
Os dados caíram como uma bomba no colo de Barack Obama.

Postei este texto para lembrar a todos como é importante (para quem pode e insiste em não fazer questão), entre outros gastos polpudos, ter sempre um ótimo plano de saúde, com cobertura por grandes hospitais e bons laboratórios, além de estar cercado dos médicos que confia.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Macarrão Instantâneo em teste - Postado por Jairo Len

Não vai ser a primeira vez que vou falar mal do macarrão instantâneo (tipo "Miojo") neste blog - e acredito que todos sabem o quanto estes produtos alimentares são nocivos.
Algumas mães confessam que "só dão no fim de semana" ou em fases de inapetência. Outras usam quase diariamente na alimentação dos filhos...
A Fundação Pro Teste fez um estudo detalhado sobre o que estes macarrões contém.
Aí vão os números:
As 10 marcas testadas foram consideradas ruins para o consumo.
A pesquisa constatou que o tempero desses macarrões oferece até 15 vezes o valor diário recomendado para o consumo de sódio e quantidades abusivas de glutamato monossódico, um realçador de sabor que pode causar dependência.
Também foram encontradas quantidades excessivas de gordura (no próprio macarrão, não no temperinho). O processo de desidratação da massa retém gordura.
"O sódio é usado como sal nos 'miojos' e o consumo excessivo pode causar problemas cardíacos e de pressão. O sódio é necessário para o equilíbrio hídrico do corpo. Mas em excesso é o grande vilão da pressão arterial", afirma o nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da USP, Daniel Bandoni.
O mistério que a Pro Teste não respondeu: porque as crianças gostam tanto de miojo??

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A importância da vitamina D - Postado por Jairo Len

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As mães e pais dos meus pacientes sabem que tenho o hábito de prescrever suplementos vitaminínicos durante toda a infância, enfatizando os primeiros anos de vida.

Algumas vitaminas, sobretudo a "D", não são encontradas na alimentação (por mais rica e variada que seja) e sua importância é de maior grandeza: além de fundamental para a boa absorção e o metabolismo do cálcio (ossos, osteoporose), a vitamina D em quantidades fisiológicas (sem exagero) protege contra o sobrepeso, e portanto contra a pressão alta e problemas cardio-vasculares.
Alguns alimentos industrializados tem vitamina D acrescentada ao seu preparo, mas sempre em quantidades baixas.
Um estudo, publicado pelo "Journal of Pediatrics" nesta segunda-feira (26), analisou dados de 2001 a 2006 de aproximadamente 3 mil crianças norte-americanas. De acordo com o estudo, cerca de 90% das crianças negras e 80% das com origem latina podem ter deficiências dessa vitamina.
Imagine estes números aqui no Brasil...

"Números impressionantes”, que poderiam servir para a adoção de alguma medida, disse Jonathan Mansbach, coordenador do estudo e pesquisador da Harvard Medical School e do Children's Hospital, em Boston.
"Os resultados se somam às evidências cada vez mais numerosas sobre a deficiência de vitamina D em crianças, adolescentes e adultos, um problema que preocupa ainda mais quando se constata que recentes pesquisas apontam que essa vitamina ajuda na prevenção de doenças como sérias infecções, diabetes e alguns tipos de cânceres."

As vitaminas que habitualmente prescrevo (Ad-til, Revitam Jr, Tri-vi-sol, Clusivol e as L'il Critters - em forma de gummy bears) contém doses fisiológicas de vitamina D (de 200 a 400 U por dia). OBS: As L'il Critters não são vendidas no Brasil, infelizmente. Nas farmácias norte-americanas são vendidas sem receita. Os adultos também precisam desta suplementação, além de inúmeras outras vitaminas deficientes na nossa alimentação.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Surto de meningite em Porto Seguro - Postado por Jairo Len

Aonde há fumaça haverá fogo...Além da dengue (epidêmica por lá) e da gripe H1N1, agora a meningite...
Quatro pessoas morreram em Porto Seguro por causa da Meningite Menigocócica, que está em surto epidêmico por lá. Certamente há dezenas de contaminados, doentes e contactantes da doença. Muitos já estão de volta para São Paulo, cidade de origem dos quatro mortos - que participavam de uma festa com show do conjunto "Mulheres Perdidas".
De acordo com fonte oficiais, o meningococo causador é o tipo "C". Que já havia, desde o início deste ano, matado 41 pessoas (dos 309 que apresentaram a doença) na Bahia.
DETALHE: A meningite meningocócica tipo C é 100% evitável com uma simples dose da vacina - que todas as crianças na Clínica Len de Pediatria recebem a partir dos 2 meses de idade (2 doses no primeiro ano de vida).
Crianças acima de 1 ano de idade e adultos devem receber somente uma dose, que tem validade por toda a vida.
Repito: todas as crianças que atendemos são vacinadas.
Recomendo, neste ano, que os adultos pensem em receber a vacina.

Evidentemente que o governo federal e o governo estadual da Bahia, preocupados com outras coisas, não se preocuparam em vacinar ninguém. Os postos de saúde não realizam a vacinação, disponível somente nas clínicas particulares.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Fique Zen...- Postado por Jairo Len

No dia-a-dia da Clínica, nos telefonemas e nos e-mails, muitas vezes eu peço para as mães, ao se depararem com algumas reações de seus filhos (inapetência seletiva, birras, provocações...), terem MUITA paciência, terem postura zen-budista.
Ontem uma mãe me perguntou exatamente o que era ser zen-budista.
Disse para ela que é mais uma "força de expressão" do que uma postura filosófica ou religiosa, até porque não sou budista e não pratico, pelo menos voluntariamente.
Mas fui dar uma pesquisada na filosofia zen-budista. Como a idéia não é fazer um tratado de religião, vou transcrever algumas paravras da famosa monja Coen, sobre o que é ser uma monja zen-budista:

"O que é ser uma monja? É ser. É servir. É meditar. É orar. É aprender. É ensinar"
Sempre com um texto "leve como a brisa e pesado como a tempestade", "Budas são leves como borboletas, pesados como chumbo. Cada um de nós é manifestação da Terra. A vida de todos os seres da Terra se manifesta em cada um de nós", ensina.
"Ser zen não é ficar numa boa o tempo todo, de papo para o ar, achando tudo lindo sem fazer nada. Ser zen é ser ativo. É estar forte e decidido. É caminhar com leveza, com certeza. É auxiliar a quem precisa, no que precisa e não no que se idealiza."

Não é exatamente o que eu quero pedir para as que mães façam nos momentos de ira, mas seguir estes mandamentos não faz mal a ninguém...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Como anda a Gripe Suína? - Postado por Jairo Len

Faz tempo que não escrevo sobre a Gripe Suína. Acho que é porque o assunto está praticamente esgotado, no sentido de prevenção, diagnóstico, tratamento, etc..
Mas aí segue um breve up-to-date de como as coisas estão:
- Ainda vemos casos de H1N1 semanalmente, mostrando que, se a epidemia já passou, ainda existe um número endêmico de casos. Não se deve baixar a guarda, por enquanto.
- Não houve e nem há falta de Tamiflu (Oseltamivir) para ninguém. Muito pelo contrário... Parece até que alguns hospitais estão "dando saída" ao remédio, prescrito de forma deliberada, a meu ver.
- O diagnóstico da Gripe Suína (PCR para H1N1) já pode ser feito "naturalmente", como sempre fizemos com todas as doenças: podemos pedir o exame que alguns laboratórios (como o Einstein, por exemplo) já realizam. Resultados em 24 horas.
- Ter o teste do H1N1 disponível não muda muito a conduta médica - mas ajuda muito nos casos subsequentes na família - uma vez que podemos ter certeza se realmente é o H1N1 (na maioria das minhas suspeitas, o exame veio negativo). Fazer o exame em todos os casos suspeitos também diminuiu bastante o absenteísmo escolar.
- Muitos pais tem me perguntado sobre as férias 2009/2010...A priori, não vejo motivos para se evitar qualquer lugar do planeta por conta da Gripe Suína. O pior foi aqui no Brasil.

ALGUNS DADOS SOBRE A EPIDEMIA:
- De cada 100 óbitos causados pela Gripe Suína, 45 pessoas eram saudáveis anteriormente e 55% tinhas outras doenças associadas.
- Até 9 de outubro os dados oficiais contabilizam 900 mortes em todo o Brasil, atribuídas à Gripe Suína. Para recordar, este é um número semelhante ao total de mortos pelo Influenza A sazonal em 2008.
- Dados internacionais atribuem ao H1N1 responsabilidade por 90% das Gripes em 2009.
- Acredita-se que 40 a 50% da nossa população teve contato com o novo vírus.
- Mais uma vez, vale a máxima que dinheiro traz saúde: a principal causa de morte no Brasil (campeão mundial de mortalidade por Gripe Suína) foi o diagnóstico tardio, falta de kits para exame (em nível de saúde pública), uso tardio de Tamiflu, falta absoluta de UTIs de bom nível para dar suporte aos casos mais graves.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Paracetamol não deve ser dado antes das vacinas - Postado por Jairo Len

Vejo na Clínica que, com certa frequência, as mães dão paracetamol (Tylenol) antes de fazer as vacinas em seus filhos, para evitar possíveis reações.
E digo a elas que não há necessidade - só 20% das crianças apresentam reações às vacinas e ter reação em uma dose não significa que na próxima dose a reação vai acontecer. Além disso, caso a reação (febre, choro, incômodo) aconteça, é só dar o remédio que o problema se resolve em pouco tempo.
CONTRA-INDICADO
Um estudo europeu publicado na revista Lancet (outubro 2009), que sairá na versão impressa da revista amanhã, mostra que o uso profilático de Tylenol pode reduzir a imunogenicidade de algumas vacinas. Traduzindo, pode fazer com que a vacina seja menos eficaz, produza menores níveis de anticorpos.

O uso de Tylenol após a vacina, caso haja reação, não traz qualquer problema.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sindrome da Morte Súbita do Lactente - o que é importante saber - Postado por Jairo Len


A Síndrome da Morte Súbita do Lactente (comumente chamada de SIDS, do inglês Sudden Infant Death Syndrome) ainda é um tabú - no sentido que pouco se fala e se orienta aos pais, temendo chocá-los com as palavras "morte" e "súbita" nas primeiras visitas ao pediatra.

Existem inúmeros pontos muito importantes que ajudam a reduzir ou aumentar bastante o risco da SIDS e é importante que os pais tenham em mente quais são estes fatores, muito importantes até 1 ano de vida.

- Como, por exemplo, deixar o bebê dormindo de barriga para cima e com a cabeça para os lados (reduz a chance de SIDS em 12 vezes) ou dormir de lado (reduz em 11 vezes).
- Um berço livre de bichos de pelúcia e fraldas (paninhos) também é importante.
- Quartos arejados, idem.- Estudos atuais mostram que o uso de chupeta diminui o risco de SIDS.

- Fumar na gravidez comprovadamente aumenta o risco de SIDS, assim como o uso de outras drogas (cocaína e heroína).
- O excesso de roupas e temperatura elevada do quarto também se relacionam com o aumento do risco de SIDS.
- A exposição ao cigarro, após o nascimanto, também aumenta o risco.
- Um dado sem explicações científicas, mas comprovado, é que a SIDS aumenta quando a idade materna é menor de 20 anos.
- E, apesar que já era um dado conhecido, um estudo da Universidade de Bristol, publicado no site do "British Medical Journal", mostrou que metade dos casos de síndrome de morte súbita de lactentes na Grã-Bretanha está relacionada ao hábito dos pais de dividir as camas com os filhos, mostando que este hábito é de extrema importancia na gênese da SIDS.

Para crianças com risco de SIDS aumentado (prematuros, comorbidades + fatores acima associados) existem sensores de apnéia que podem ser instalados e usados como forma de ajuda na diminuição da SIDS.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Alguns hábitos (nem) tão recomendáveis - Postado por Jairo Len


A cada dia surgem novas informações e dicas "definitivas" para melhorar a nossa saúde, a maioria delas sem qualquer embasamento científico, mas muitas, mesmo sem esta comprovação, "pegam" e se tornam lemas para muitos.

Alguns exemplos que você certamente já ouviu:
- Consumir muitas Fibras: para quem não tem problemas de intestino preso - e mesmo para quem tem - o uso inadequado das fibras pode ser prejudicial. As fibras insolúveis, aquelas presentes no farelo de trigo e na casca das frutas, necessitam que você tenha uma ingestão adequada de líquidos se usá-las em grandes quantidades - caso contrário estas fibras podem até causar fezes mais duras. A quantidade de líquidos deve ser proporcional à de fibras. Quem faz o cálculo?
Além disso, o consumo excessivo de fibras pode pode dificultar a absorção de micronutrientes essenciais, como ferro e cálcio. Já as fibras solúveis, encontradas nos iogurtes enriquecidos e no farelo de aveia, podem, quando em excesso, gerar cólicas, flatulência e sensação de irritação no estômago.

- Usar muito Creme Hidratante: estes devem ser escolhidos criteriosamente e sem dó do bolso...Os cremes mais comuns, de base oleosa, podem entupir os poros se usados em excesso e causar aparecimento de cravos e espinhas em todo o corpo, além de foliculite e encravamento dos pêlos.

- Beber muita Água: Beber somente água em grandes quantidades pode ocasionar perda significativa de sais minerais pela urina, entre eles os importantes sódio e potássio, uma vez que a água precisa ser excretada de alguma forma...A sede é o melhor parâmetro para a necessidade de água.

- Regimes ricos em Proteínas: consumir em demasia alimentos ricos em proteínas, como carnes e queijos, a curto prazo (uma ou duas semanas) não traz efeitos colaterais, mas pode futuramente agravar problemas renais, hepáticos e de colesterol em quem tem predisposição. Além, claro, da falta de outros nutrientes fundamentais, como os carboidratos.

- Exageros na limpeza: não estamos falando em viver em um chiqueiro, mas é sabido que a vitamina "S" é importante. O contato com vírus e bactérias menos perigosos, presentes nos objetos, no chão, dinheiro, etc., mas semelhantes aos causadores de doenças, pode diminuir os sintomas de patologias, assim como a convivência com agentes infecciosos estimula a produção de anticorpos. É claro que é preciso manter a casa limpa e dar à criança boas condições de higiene. Porém, não se deve criá-la em uma redoma nem proibi-la de brincar com animais ou no chão. O uso exagerado de bactericidas na limpeza doméstica é desaconselhado pelos especialistas.

- Leite de Soja - exceto para quem intolera as proteínas do leite de vaca ou a lactose, os leite à base de soja não oferecem nenhuma vantagem. Além disso, a maioria deles não contém boas quantidades de cálcio e proteínas.

- Passar Manteiga nas Queimaduras: as queimaduras leves devem ser tratadas apenas com água fria. Não se deve passar nenhuma outra substância devido ao risco de infecção da ferida e atraso na cicatrização. Isso vale para manteiga, gelo, ovo, óleo de cozinha etc... Uma boa pomada pode ser indicada pelo mádico. E nunca estoure as bolhas.

E assim por diante, existem milhares de outras dicas e hábitos comuns mas sem qualquer comprovação...
De uma forma geral, em medicina não existe o famoso "one size fits all". Bom senso e indicação profissional são a boa medida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mães (Para Sempre) - Postado por Jairo Len

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele,
velho embora,
será pequenino feito grão de milho...

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 6 de outubro de 2009

E-mail sobre ACTIVIA - Postado por Jairo Len


Mais um spam na praça...Se você ainda não recebeu, vai receber um e-mail falando um monte de coisas sobre o iogurte Activia, da Danone.
Começa assim:
"Bifidobacterium animalis é uma bactéria anaeróbica gram-positiva
encontrada nos intestinos de animais de grande porte, inclusive humanos.
Qual seria então a fonte para se obter o famoso DanRegularis?
NÃO, você não está enganado. São as FEZES HUMANAS..., SIM, SIM E SIM!...

...O motivo pelo qual a bebida láctea Activia ajuda na digestão é o
simples fato de que a bactéria adicionada pela Danone pertence
a uma cepa mais irritante para a mucosa intestinal, que ao entrar
em contato trata de expelir o mais rapidamente possível o material fecal..."


É verdade?
Não, é um spam...As explicações, fornecidas por assessoria de marketing da Danone:

• O Bifidobacterium animalis DN 173-010 não faz parte da flora intestinal nativa de humanos, não compõem suas fezes e, desta forma, não poderia ter sido isolada deste material.
• A Danone esclarece que a bactéria Bifidobacterium animalis DN 173-010, conhecida como probiótico DanRegularis, é obtida da replicação em meio de cultura estéril, da mesma forma que outros fermentos utilizados em iogurtes, queijos e pães. A bactéria está depositada na coleção de probióticos do Instituto Pasteur, em Paris, sob o número de registro I – 2494. Desta forma, o probiótico que Activia contém é uma replicação dessa bactéria.
Outra afirmação que esclarecemos é a de que o probiótico DanRegularis não tem efeito laxante, ao contrário do que afirma o texto. O produto não provoca irritação na mucosa do intestino e não tem efeito diarréico, como os laxantes. O efeito do probiótico DanRegularis consiste em aumentar a produção de ácidos graxos de cadeia curta, abaixando assim o PH intraluminal, estimulando o peristaltismo, que são os movimentos musculares que movem o bolo alimentar pelo trato digestivo.
• O iogurte Activia é registrado no Ministério da Agricultura e possui diversos estudos clínicos, realizados pelo departamento de pesquisas da Danone e por diversas universidades do mundo, publicados nas mais reconhecidas revistas científicas, ..."

Esclarecido? Quando receber o e-mail, copie este texto e reenvie a quem mandou.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Vacina contra HPV - Postado por Jairo Len

Há alguns anos está disponível para aplicação, exclusivamente nas meninas e mulheres, a vacina contra o HPV (Papilomavirus humano). O HPV é um vírus que causa lesões em pele e mucosas. Existem mais de 200 tipos de HPV, e sua importância está, principalmente, na gênese de verrugas genitais e na sua estreita ligação com o câncer de colo de útero (sorotipos 16 e 18).
O HPV se transmite por secreções genitais e contato direto com a pele infectada. Os homens são importante reservatório, transmitindo com facilidade para as mulheres.
Um dado alarmante: 65% das mulheres tem contato com algum tipo de HPV na primeira relaçao sexual.
A grande maioria das mulheres infectadas (94%) consegue erradicar o vírus em até dois anos. Quando isso não acontece, aumentam os riscos de complicações como o câncer de colo de útero. Tabagismo e alimentação ruim podem agravar o quadro.
A única forma de prevenção realmente efetiva é o uso de preservativos (bem no início de qualquer contato genital, o que é incomum) e a vacina contra o HPV (existem duas no mundo, a Gardasil e a Cervarix).

Feita esta breve introdução, faço um relato do que acontece na Clínica: uma pequena (bem pequena) parte dos pais e mães veem a vacina como um tabu, como se vacinar sua filha (a vacina é indicada para mulheres entre 9 e 26 anos) fosse um prenúncio do início da vida sexual, uma liberação. O que, felizmente, ainda não é uma realidade aos 9, 10 ou 12 anos, nas meninas que tratamos na Clínica. Exceções existem.
Vacinas contra doenças sexualmente transmissíveis são aplicadas desde a maternidade, como é o caso da vacina contra hepatite B.

Eu preconizo a vacina aos 12 anos. Nesta idade a maioria dos pais já percebe que a sua nenê já está se tornando uma mulher de verdade, e vê a vacina de forma mais natural.

O que você acha? Está pronta para vacinar sua filha?
Lembre às mães de adolescentes que esta vacina existe e é extremamente importante. Apesar de ser uma vacina cara, evidentemente sua compravada relação custo-benefício é valiosa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Casal é condenado por homicídio por tratar bebê com homeopatia - Postado por Jairo Len

Quem me conhece, sabe: o que funciona (cientificamente, estatisticamente e seriamente comprovado), tem minha aprovação. Se cromoterapia comprovadamente tratar pneumonia, sou o primeiro a receitar. Se moxabustão curar otite média, ótimo. Se pedras quentes tratarem refluxo, feito!

Por isso que sou um crítico das terapias alternativas. Com todo o progresso da medicina tradicional - aquela que trata de esclerose múltipla, a carcinoma de mama e meningite - ainda sofremos com adeptos a terapias alternativas - e neles incluo, sem dúvida, a homeopatia.

O casal Thomas e Manju Sam foi preso em Sydney, na Austrália, por ter deixado sua filha Gloria, de 9 meses e meio, morrer de septicemia e desnutrição, consequências de um severo caso de eczema. O casal foi condenado por homicídio culposo. A pena combinada dos dois chega a um mínimo de 10 anos de prisão, sendo que o pai deve cumprir pelo menos seis anos e a mãe deve cumprir pelo menos quatro... Thomas Sam, de 42 anos, e Manju Sam, de 37, se recusaram a buscar ajuda médica durante os quatro meses e meio em que a criança esteve doente, preferindo tratá-la com homeopatia.

Detalhe sórdido: Sam é médico homeopata e tratou a filha sozinho, até que ela desenvolveu uma úlcera no olho esquerdo e foi levada a um hospital, dois dias antes de morrer.

O juiz Peter Johnson, da Suprema Corte de Nova Gales do Sul, afirmou que a bebê sofreu desnecessariamente por causa de uma condição que é tratável.
Segundo o juiz, o sofrimento do bebê seria óbvio para os pais e Thomas Sam demonstrou "uma atitude arrogante em relação ao que ele via como benefícios superiores da homeopatia em comparação com a medicina tradicional".

O exemplo é real e radical. Não estamos falando de Brasil, aonde se morre de diarréia e febre amarela, em que o presidente do país recordista em mortes por gripe suína e dengue está na Dinamarca fazendo lobby para as Olimpíadas de 2016.
O caso se deu na Austrália, aonde a saúde é tratada, em geral, de maneira mais séria.

Nem sempre se pode contar com o efeito placebo, infelizmente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Player digital pode causar surdez - Postado por Jairo Len


MP3 players podem deixar 10 milhões de jovens europeus surdos - é o que mostrou uma pesquisa científica encomendada pela Comissão Européia de Segurança. Que determinou que os aparelhos tenham seu volume de som diminuído para níveis seguros, protegendo a audição do jovens europeus.

Basta ler estas duas frases que você rapidamente lembra de alguém (filhos, sobrinhos, netos...) que não tira os fones do ouvido, ligados a um Ipod ou gadgets do gênero.

A pesquisa mostrou que de 5% a 19% dos usuários de tocadores de MP3 sofrerão danos permanentes à audição se ouvirem musica em volume alto, por mais de 1 hora por dia, por 5 anos. Os aparelhos de MP3 disponíveis no mercado são capazes de gerar volumes de som de até 120 decibéis, o equivalente ao ruído de um motor de avião a jato.

Na Europa, o limite de 80 decibéis foi determinado como padrão de segurança para trabalhadores que fiquem expostos por até 8 horas por dia. Seguindo o mesmo raciocínio, esse foi o limite escolhido como limitação para os aparelhos de MP3.

O dano à audição depende do volume do som e do tempo de exposição. Para escutar música acima do limite de 80 decibéis os usuários deveriam diminuir seu tempo de utilização do aparelho de som.
Para tornar tudo mais complicado, os fones de ouvido, do tipo que fica colocado dentro da orelha, podem aumentar em 8 decibéis o volume da música que escuta.



Fonte: Ciência e Saúde - G1

domingo, 27 de setembro de 2009

Forno de micro-ondas e a saúde - Postado por Jairo Len


A dúvida é antiga, mas sempre tem gente perguntando se o uso do forno de micro-ondas é seguro para a saúde.
Do ponto de vista do "alimento aquecido" no micro-ondas, não há qualquer malefício à saúde, nem em bebês, nem em crianças, nem em adultos.

As micro-ondas só atuam nas moléculas de água, gordura e açucar, agitando-as a tal ponto que aquecem tudo que há em volta. Esta energia é a radiante, uma forma de energia eletromagnética cujo efeito é estritamente térmico, não alterando a estrutura molecular do alimento.

Os alimentos, quando cozidos no micro-ondas, necessitam de menos água - portanto preserva-se mais os nutrientes. Além da praticidade. Basta faltar a luz em casa logo antes da hora do almoço ou do jantar e você percebe a falta que o microondas faz...

PROBLEMAS

- Os problemas que um forno de micro-ondas pode trazer estão no vazamento das ondas - ainda que não se saiba qual é o nível de segurança de receber esta radiação - que pode causar problemas nos olhos (como a catarata). Como micro-ondas não é televisão, ligue e fique longe, principalmente daqueles mais velhos, com vedação duvidosa.

- Os alimentos são aquecidos de forma irregular - sempre misture muito bem o alimento ou líquido aquecido - são comuns queimaduras com alimentos aquecidos no micro-ondas.

- Procure usar recipientes de vidro ou de louça para aquecimentos mais prolongados. Ainda que se saiba que os níveis de substâncias liberadas por plásticos quentes é muito baixo - elas existem.

- O mesmo cuidado ao usar papel-filme (como o Majipack): evite deixá-lo encostado no alimento ao aquecer. Prefira aquelas tampas rígidas específicas para o uso em forno de micro-ondas.

- O leite materno ou não-materno PODE ser aquecido em micro-ondas, mas existem recipientes especiais para esta finalidade.

Uma curiosidade: de acordo com a reforma ortográfica (que tornou pior o que já era complicado - claro, para os que sabem ler e escrever) - micro-ondas se escreve com hífen, assim como outras palavras que o prefixo termina com a mesma letra da palavra seguinte (anti-inflacionário, sub-blibliotecário...).

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Durma bem - Postado por Jairo Len


Falta de sono pode ajudar no desenvolvimento de placas tóxicas no cérebro, acelerando a progressão do mal de Alzheimer. É o que mostrou um estudo da Washington University School of Medicine (EUA), liderado pelo Prof. David Holtzman. A equipe descobriu que a privação de sono afeta os níveis da proteína beta-amiloide em camundongos e humanos. Estas proteínas causam placas que se acumulam no cérebro - algo que alguns acreditam ser a causa do Mal de Alzheimer, por meio da morte de células.

O estudo demonstrou através da forte privação de sono, mantendo os camundongos e humanos acordados por 20 horas ao dia.
Não se provou ainda que as noites normalmente mal dormidas, filhos, baladas ou computador possam causar o Mal de Alzheimer.
De qualquer forma, sono é importante e devemos nos forçar a dormir mais. Aproveite o fim de semana para isto...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Obesidade na infância pode antecipar doenças cardíacas - Postado por Jairo Len


Pode ser óbvio (quem não sabia?), mas os médicos agora provaram por "a + b". Pesquisadores do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, baseados na revisão de pesquisas realizadas sobre o assunto, comprovaram que a obesidade nas crianças é causa de doenças cardíacas mais precoces. A mais comum? Aterosclerose, que causa hipertensão, infartos, AVCs...

A criança e o adulto jovem obesos podem adiantar em 20 anos o aparecimento destes problemas. Dietas ricas em gorduras, pobre em fibras, pouco exercício físico: a receita ideal para a cardiopatia precoce.

Na Clínica, vejo com certa frequência crianças e adolescentes que já tem, precocemente, a Síndrome Metabólica - aquela doença comum nos adultos obesos (de pernas finas e barriga protrusa) caracterizada por obesidade, hipertensão arterial, aumento de triglicérides, insulina e glicose.

Repito diariamente nas consultas como é importante a criança pré-escolar não ser obesa e "fofinha" como muitas mães queriam. É melhor ser magra. Ou, no mínimo, se alimentar de forma adequada.

A saúde e alimentação dos filhos é assunto muito sério. No dia-a-dia, devemos ser rigorosos com gorduras trans e saturadas, doces, refrigerantes e excesso de sal. Os lanches e merendas levados (ou oferecidos) na escola devem ser o mais naturais possíveis, evitando bolinhos (Ana Maria e afins...), bolachas recheadas, suquinhos prontos, salgadinhos fritos (muitas escolas ainda vendem...).

Sem radicalizar...De vez em quando, ninguém vai ter aterosclerose por comer salgadinho nas festas infantis, um pastel na feira, uma fatia de bolo bem recheado ou um churrasco caprichado. Bom senso é a medida.

domingo, 20 de setembro de 2009

Fitoterápicos - Postado por Jairo Len


Hoje recebi um e-mail de um pai que me perguntava se podia dar o xarope Melagrião para sua filha, de 8 meses. Motivado por isso, escrevo um pouco sobre estes remédios, os fitoterápicos.

Os fitoterápicos são medicamentos feitos de partes de plantas, como chás, extratos e tinturas. Não devem ser confundidos com homeopatia.

Muitos medicamentos fitoterápicos tem sua ação comprovada através de estudos científicos, inclusive os chamados "duplo-cego", randomizados, com grande número de pacientes, coisas que a homeopatia custa a fazer.

Mas nem tudo que vem da natureza é obrigatoriamentre benéfico. E nem todo fitoterápico foi extensamente pesquisado, nos quesitos segurança e efeitos colaterais. Muitos remédios fitoterápicos tem sua aprovação para uso e venda de forma mais "branda" que o rigoroso processo de aprovação dos medicamentos alopáticos. Nos Estados Unidos, o FDA não aprova os fitoterápicos.

Hoje em dia grandes laboratórios fabricam fitoterápicos - estes podemos dizer que passaram por rigorosa avaliação - ainda que, a meu ver, nem sempre funcionem... É o caso da Hedera Helix (para tosse, conhecidos por Respiratus ou Abrilar), ou o Pelargonium sidoides, cujo nome comercia é Kaloba ou Umkan.

Outros todos conhecem, como o caso dos remédios à base de Passiflora incarnata - o maracujá, e associações - conhecidos por Pasalix, Calman ou Passiflorine. Na bula, servem para um monte de coisas, mas na minha experiência é para os casos de insônia. Nas doses seguras, funciona às vezes...

E alguns, como o Melagrião, tem um nome sugestivo de coisa natural, à base de mel e agrião, mas contém Aconitum napellus (Acônito), L. Nasturtium officinale (agrião), Myroxylon balsamum (Bálsamo de Tolú), Mikania glomerata Spreng.(Guaco), Cephaelis ipecacuanha (Ipecacuanha), Polygala senega L. (Polígala). Natural...mas com muita coisa dentro para uma bebê de 8 meses...

Só para se ter uma idéia, a cartilha de fitoterápicos da Fiocruz e da Unesp lista inúmeros efeitos colaterais das ervas:
Alecrim (alterações no sono), boldo (irritação gástrica e problemas hepáticos), erva-cidreira (letargia), erva-doce (convulsões), guaco (vômitos e diarréia), sene (distúrbios musculares e hepáticos), poejo (abortivo). É claro que tudo depende das doses. Ninguém que tomar um chá destas ervas vai apresentar estes sintomas...

Resumo: não é porque é um remédio fitoterápico que pode ser usado à vontade...É um remédio, e seu uso deve ser criterioso, sob prescrição, principalmente nas crianças.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Faça das palavras dele as suas - Postado por Jairo Len

Mais uma sexta-feira e eu não vou falar de doenças...
Aproveito para copiar, sem tirar qualquer vírgula, um texto que recebi ontem, com as fotos anexadas, escrito por um pai de um casal de gêmeos, 4 meses de idade.
Faça das palavras dele as suas (ou, pelo menos, da sinceridade...).


"A LIBERDADE DE SER PAI"
Dizem que liberdade é poder tudo sobre si.
Um velho adágio sobre a grandeza do mundo moderno e egocentrista. É algo bem forte ao ser dito. Entretanto, nunca foi tão forte para mim quanto para o momento único pelo qual passo: ser pai.
Quando a Mimi e eu resolvemos ter o Miguel e a Rute jamais nos passou pelas nossas cabeças (isso se chama ingenuidade misturada com inexperiência) o quanto aprenderíamos. Sobretudo em relação ao que seríamos capazes de ser e oferecer a este casalzinho de picorruchos.
Nunca me imaginei trocando fraldas, nem tão pouco suportando um choro de criança. Ter filhos era uma imagem distante. Hoje me emociono com as roupinhas de boneca penduradas no varal, com aquele perfume gostoso. Hoje, a satisfação que me aquece ao saber que fui capaz de fazer um bebê sorrir me faz imaginar se seria capaz de fazer o mesmo pelos nossos filhos. Até vídeos no youtube, deliberadamente enviados pela minha Pipa me fazem lacrimejar.
Sempre tive um "quê" de emotivo, mas percebi que posso me emocionar com muito pouco, mas que é o suficiente para transbordar o coração.
Para quem sempre atuou na área de exatas e informática, me vi surpreso com escolhas de roupas, bodyes, mijões, cores e decoração para o quarto de nossos filhos. Me vi surpreso ao imaginar cenas na cadeira de amamentação a meia-luz, e aqueles dois seres iluminados olhando para mim. Mal sabem eles que a contemplação é mútua. Até então os únicos contatos possíveis eram através de imagens de ultra-som e movimentos da barriga da Mimi; aliás, mais pareciam aliens mexendo...mas cuja surpresa é inesquecível.
Gostoso é saber que meu coração tem mais espaço. Posso usar, agora, meu estoque de "eu te amo" sem medo de ser feliz, sem medo de ser pai. Aliás, um excelente hábito, já criado desde que eu conheci a minha Mimi. Dizem que bons hábitos ou se herdam, ou se aprendem. Que este último seja uma das heranças que serão passadas aos nossos filhos: amar e deixar claro ao se amar. Por que, e seja isto bem claro e transparente, o amor realmente move montanhas.
Montanhas de fraldas, xixi, cocô, noites mal dormidas, preocupações...muito do que passaram os pais de primeira viagem tem tanto valor quanto agora.
Quem nunca ficou sem dormir por uma prova, pelo trabalho, pela opinião dos outros...Nada como algo que valha a pena ficar acordado, o amor incondicional que só um filho oferece...em nosso caso, dois, um casal.
Hoje me vejo perdido, rindo nervoso e gargalhando no meio de mamadeiras, faldas, brinquedos e vídeos e músicas de desenhos animados. A religião, até então, foi a única capaz de me oferecer um sentido maior em minha vida. Mas, para a minha alegria, percebi que a vida vem em ondas como o mar, assim é cantada a música. E diria mais: a vida vem em círculos. Minha Mimi, que amo de montão, me mostrou Deus. Deus nos mostrou ser possível ter filhos e a confiar. Os filhotes confirmaram o milagre da vida. Este milagre, agora, oferece dois sentidos para a vida: Rute e Miguel. A estas vidas agradeço a Deus pois tenho a Ele, Mimi, Miguel e Rute. E o círculo se reinicia. Simples!
Sou abençoado por ter então quatro sentidos pelo qual suspirar a cada manhã. Assim como os quatro pontos cardeais. Não estou mais perdido. Me achei. Que privilégio em tempos tão caóticos, frenéticos e loucos como este que vivemos.
Sou livre. Sou pai pois posso ser e escolher ser o que meus quatro sentidos da vida me permitem ser.
Finalmente posso tudo sobre mim. Quero que minha Família também o possa.
- Filhos, subam em mim. O que estão vendo? Contem para o papai!"