quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Verão - Postado por Jairo Len

Procuro lembrar neste post, há 2 dias do inicio do verão, as principais "FAQs" que todos os anos os pais me fazem. E também como resolver alguns pequenos problemas comuns nesta época do ano.

Protetor Solar - Os infantis são sempre FPS 50 ou mais. Usa-se de tudo, mas eu sempre recomendo as boas marcas - que tem menor risco de alergia e melhor ação. Como o Anthelios Dermo-Pediatrics, Vichy Enfants, Photoderm Kids, L'Oreal Kids, Mustela, Banana Boat Kids. Existem inúmeros outros bons e alguns bem ruinzinhos (não vou falar aqui os nomes, mas você sabe quais são). Para o rosto, os protetores em bastão são excelentes. Ainda não temos muitos aqui no Brasil, mas procurando se acha. Nos EUA são comuns e baratíssimos. Protetor solar se aplica ainda em casa, preferencialmente com a criança pelada. Corpo todo, uma boa camada. Em comida e protetor solar não se economiza.
As roupas com proteção UV são uma excelente forma de proteger as crianças.

Queimaduras solares - Apesar de toda a proteção, às vezes acontecem. De primeiro e de segundo grau (aquelas com bolhas). Ideal é manter a criança bem hidratada, roupas muito leves ou sem roupa, e usar algum hidratante "calmante" de pele, como o Solarcaine, o Osmogel ou a Ducilamina. Evite produtos viscosos, como creme Nivea, Hipoglós, e também os secantes, como Caladril.

Queimaduras - Nas férias as crianças se queimam mais, em panelas, forno, líquidos quentes. É a família reunida, programas culinários... Em caso de queimaduras, água fria/gelada por alguns minutos no local da queimadura. Em seguida, alguma pomada com poder hidratante e oclusivo (como o Nebacetin). Se formar bolhas, não estoure. Em queimaduras mais extensas e com perda de pele, um especialista deve ser consultado nas primeiras 24 horas.

Queimaduras por água viva - Em geral as queimaduras por água viva nas praias são "leves". Surfistas sofrem muito mais em alto-mar, mas nas crianças é mais tranquilo. A limpeza local imediata, ainda na praia, deve ser feita com a própria água do mar, em abundância. Se houver "tentáculos" ou restos da água viva na pele, remova com uma toalha. Uma compressa com gelo ensacado (disponível em qualquer barraquinha) deve ser feita em seguida. Alternando com lavagem com água do mar (uma vez que não costumamos ter soro fisiológico à disposição na praia). A lesão, apesar de pruriginosa, não deve ser coçada. Analgésicos comuns (Ibuprofeno ou Paracetamol) devem ser usados para aliviar a dor. E por fim, assim como na queimadura comum, uma pomada deve ser aplicada. Se tiver alguma com cortisona, melhor.

Vômitos - Tanto pelas viroses como pela alimentação desregulada, ingestão de água do mar e piscina, são muito comuns no verão. Costumo recomendar que, após a criança vomitar "tudo", esvaziar o estômago...seja medicada com algum anti-emético (o melhor, atualmente, é o Vonau Flash - uso sob orientação médica). Quando controlar os vômitos, iniciar a hidratação com algum produto como Pediatlyte, Floralite ou Hidrafix. Gatorade e água-de-coco são opções na falta dos produtos específicos. Soro caseiro é muito ruim, salvo que você tenha a colher medida para preparo. Refrigerantes são piores ainda.

Picadas de inseto - Impossível se livrar das picadas... Para os muito alérgicos, os medicamentos por via oral são necessários. Mas, em geral, uma pomada à base de cortisona é o suficiente (como Desonol, Topisin, Advantan, Berlison...), associando a alguma pomada com antibiótico (Nebacetin, por exemplo) se a picada estiver coçada, escarificada. Existem pomadas combinadas (cortisona + antibiótico) que são excelente e práticas - mas só vendidas com receita médica. Postei há duas semanas sobre a proteção contra mosquitos.

Insolação - é uma incapacidade do nosso corpo de regular a própria temperatura, não conseguindo mantê-la entre 36 e 37ºC. Ocorre quando existe uma exposição excessiva ao calor (sol, principalmente), com eritema solar intenso (queimaduras ou bronzeamento por falta de proteção solar - roupas e filtros), alta umidade do ar (praia), pouca ingestão de líquidos ou excesso de ingestão de bebidas alcoólicas e suor excessivo decorrente de atividades físicas de alta perda calórica (corrida, por exemplo). Não é comum juntar todos estes fatores em uma criança...
O quadro clínico da insolação é início rápido, logo após a exposição aos fatores causadores, caracterizado assim: temperatura corporal muito alta (acima de 39,5 graus), pele vermelha, quente e seca (sem suor), pulsação rápida e forte, dor de cabeça latejante, tonturas e náuseas. Pode evoluir para confusão mental e inconsciência.
Para evitar a insolação: proteção solar de barreira e filtros solares com proteção UVA e UVB, muito líquido (água, chás, sucos de frutas naturais, isotônicos), roupas UV quando a exposição solar for prolongada. Em caso de suspeita de insolação, entre em contato com o médico para orientação.

Desconecte-se - Nas férias, é o melhor que você pode fazer.  Acho que todos conhecem este vídeo, mas vale a pena assistir de novo, clicando aqui.

Boas Festas e Excelente 2013! 



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Atividades nas Férias - Postado por Jairo Len

O que fazer com os filhos em quase 60 dias de férias?
Curso de férias nas escola é uma boa idéia?
Estas são perguntas típicas de final de ano, quando as férias de verão assustam e preocupam muitos pais.
Em um texto polêmico, a psicóloga Rosely Sayão fez em sua coluna semanal algumas colocações muito interessantes.
Em primeiro lugar, ela fala sobre cursos de férias na própria escola:
"Você não gostaria de passar dias de suas férias em seu local de trabalho, não é verdade? À escola a criança vai para aprender. Mesmo no ciclo da educação infantil, o brincar da criança é diferente e promove o aprendizado. Nem sempre sabemos dizer o que ela está aprendendo, mas que aprende, aprende. E isso é exaustivo. Por isso, a criança precisa de férias escolares, mesmo quando pequena".
Na verdade, o que eu acho é que os pais andam extremamente preocupados em arrumar atividades para os filhos durantes as férias, e durante os finais-de-semana, feriados, etc...
Nos comentários dos leitores da psicóloga, muitas mães colocam que elas tem 30 dias de férias por ano, contra 60 ou 80 dias dos seus filhos - e que não tem com quem deixá-los durante as férias escolares. Não acho que seja esta a única questão*.

Afinal, mesmo com toda a logística de cursos de férias os pais vão ter que se desdobrar para dar atenção aos filhos. Não há atividades programadas que deem conta...
"Ter filhos significa ter de renunciar, mesmo que temporariamente, a diversas coisas. Reclamar não é produtivo, já que o desejo de ter filhos foi dos próprios pais".
Em nenhum momento Rosely Sayão sugere que as mães abandonem seus empregos, evidentemente.

Conheço muitas mães (e pais, principalmente) que, mesmo com o tempo disponível, não disponibilizam esse tempo para os filhos. E outros que trabalham muito mas conseguem participar de tudo, até durante as férias dos filhos.

Aí, a outra (*) questão: não julgo que as crianças precisam, full time, de atividades culturais, esportivas, artísticas ou musicais.
Apesar de parecer tediante, ficar em casa com os filhos, desenhar, assistir TV ou um filme juntos, ficar "brincando" com eles no iPad pode ser o melhor dos mundos, alguma coisa que eles não trocam por nada. Tornar a própria casa um lazer para os filhos. Ou a casa dos avós.
As viagens, antes de tudo, são uma forma de se fazer isso sem culpa. Ficar sem fazer nada, na praia ou na piscina, é o melhor dos mundos. Porque não exercer esse ócio aqui em São Paulo, quando não dá para viajar 60 dias?

Por fim, copio um dos comentários do texto, que para quem queira ler, está no site da folha.com.

"A autora tem a sabedoria e o discernimento incomodando pais e professores que gostariam, pela imaturidade e falta de vocação, de não encarar seus deveres, delegando a terceiros ou debitando aos outros suas mazelas e responsabilidades. Seus questionamentos expõem a nu o egoismo e infantilidade com que adultos reagem a convivência com crianças. E, via de regra, temas que perturbam "dolce far niente" de adultos convivendo com as suas neuroses infantis de busca incessante de satisfação epicurista."

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Proteção anti-inseto - Postado por Jairo Len

Nesta época do ano a quantidade de mosquitos e pernilongos aqui em São Paulo (e litoral) piora demais. O ano todo é infestado, mas agora está um horror.
Atualizo aqui o que podemos fazer para a proteção anti-inseto. Infelizmente não há nada de novo ou milagroso no mercado.

Inseticidas de ambiente
Sempre podem ser usados, independente da idade das crianças.
Aqueles elétricos, de tomada, são bastante seguros, não causando problemas de intoxicação. Por experiência própria, morador de uma região com muitos insetos, posso dizer estes inseticidas-elétricos que não "garantem" uma proteção total. Mas ajudam. De acordo com recomendação dos fabricantes, devem ficar a mais de 2 metros do berço ou cama da criança. Não acho fundamental essa distância, caso a arquitetura da sua casa não permita...
Em quartos e salas com mosquitos, um inseticida em spray pode ser usado - mas o ideal é que as crianças só entrem no ambiente meia hora após. O volume de veneno é muito grande.
Aqueles sprays com temporizador são iguais (em relação à toxicidade), mas a meu ver não funcionam direito.
Raquetes elétricas para matar mosquitos são uma diversão familiar, um exercício. Cuidado com as crianças (risco de choque) e bom proveito. É uma terapia...

Repelentes
Até os 6 meses de idade a proteção individual é de "barreira". Telas-mosquiteiras, basicamente.
Os repelentes não devem ser utilizados, exceto em casos extremos (aonde o uso eventual de DEET é tolerado a partir dos 2 meses). Postei sobre repelentes há dois anos ("Repelentes") e vejo que não houve mudanças.
A partir dos 6 meses os repelentes à base de DEET (Off Kids, Repelex Kids) podem ser utilizados sem problemas - isso é recomendação da Academia Americana de Pediatria. Para proteger bem, você deve aplicar muito bem - sempre nas áreas descobertas, uma vez que não se deve aplicar repelentes em baixo das áreas cobertas por roupa.
Repelentes funcionam por "x" horas - e isso depende da concentração de DEET em cada um deles. Siga as instruções.
DEET é usado há mais de 50 anos, é um produto seguro e eficaz.
A icaridina (Exposis) também é um repelente eficaz que pode ser usado em crianças.

Não se recomenda o uso de "protetores solares + repelente de insetos" (2 em 1) em crianças. Ainda que existam alguns produtos combinados no mercado.

Citronela
Não deve ser passada em crianças abaixo dos 3 anos. Alguns repelentes que contém citronela podem conter algum veneno junto. Os que não contém funcionam pouco, a meu ver - e tem um cheiro fortíssimo, muitas vezes irritante. Velas de citronela afastam pouco os mosquitos, infelizmente.

Pulseirinhas e Adesivos
Não funcionam, não jogue dinheiro fora. Se ganhar de brinde, pode usar - mas associe algum repelente de pele junto.

Demais inseticidas de ambiente
Luzes roxas, apiradores de pernilongo, ondas ultrassônicas. Já testei de tudo em casa, não garantem proteção contra mosquitos. Mais dinheiro jogado fora.

Diversão e terapia garantidos





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Escolas e Escolhas - Postado por Jairo Len

Com a chegada do fim do ano letivo, pais e mães me colocam diversas questões sobre escolha de escola, principalmente para as pré-escolas ou transições para o fundamental e ensino médio.
Como não tenho nenhuma formação acadêmica em pedagogia ou psicologia, sempre vou tecendo minhas opiniões pessoais, formadas a partir de conversas sobre este assunto lá na Clínica e em relação à "vida acadêmica" dos meus filhos.

Em primeiro lugar, salvo que se tenha um excelente e particular motivo, acho que a escola deve ser o mais perto de casa possível. Nada é muito perto em São Paulo, poucos tem o privilégio de ter uma boa escola "à pé" de casa. Mas uma ou duas horas de trânsito todo dia em um carro estressa qualquer criança.

Bilíngue ou não bilíngue, meio período ou semi-integral, tradicional ou ultra-construtivista, boa colocação no Enem... Os pais tem os seus motivos para escolher a escola dos filhos.
Nem todas as crianças estão preparadas para todas as escolas.
Eu, particularmente, sou um fã da edução bilíngue (português e inglês, juntos).
Mas não viajaria da Aldeia da Serra para Santo Amaro atrás de uma determinada escola, diariamente, ida e volta.

Acho que mais do que altas notas de uma escola no Enem, a educação de uma criança de 5 anos é importante em outros quesitos.
Aí tenta-se juntar isso a uma escola que tenha no centro o aluno, e não as disciplinas.
Uns querem uma escola com ensinamentos religiosos, outros uma escola laica.
Que vá até o fim do fundamental ou que tenha obrigatoriamente ensino médio.

Difícil escolher, não é?

"Toda Escola é Igual". Com este título, a psicóloga Rosely Sayão escreveu um texto que exprime um pouco o que eu sempre falei para os pais, que a escolha de uma escola é algo muito particular, e que devemos ter cuidado com o "poder da mídia", seja ela qual for - desde os resultados do Enem como a vizinha faladeira.
Uma alfinetada nas escolas conteudistas.
Mais um ponto para reflexão. Para os não-profissionais-em-pedagogia, sugiro a leitura:

Toda Escola é Igual, por Rosely Sayão





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tragédia na Piscina - Postado por Jairo Len

Acredito que todos já leram ou ficaram sabendo da criança de 3 anos que morreu afogada ontem, na aula de natação de uma escola particular em Moema, aqui em São Paulo.
Em julho passado, uma menina de 4 anos foi encontrada afogada na piscina de um hotel na Costa do Sauipe, Bahia.

Estatísticas norte-americanas: nos Estados Unidos, ocorrem cerca de 10 afogamentos de crianças (1 a 4 anos) ao dia, cerca de 4.000 por ano. A maior causa de mortalidade em crianças até 14 anos é acidental, sedo um quarto delas afogamentos.
- Dezenove porcento dos afogamentos ocorrem em piscinas públicas (hotéis, academias, escolas) supervisionadas por salva-vidas ou profissionais habilitados.
- Em 7 de cada 10 afogamentos as crianças estão sob os cuidados dos pais e foram deixadas sem supervisão por menos de 5 minutos.
- Piscinas são "14 vezes mais perigosas" do que veículos em relação à mortalidade infantil.

A maioria das crianças que morrem afogadas fazem aulas regulares de natação e tem acesso à piscinas "autorizadas" pelos pais ou cuidadores - casos como o da escola em São Paulo ou o hotel na Bahia. Não são crianças que escapam e pulam na piscina.

Porém, em todos os casos, há negligência doas adultos responsáveis.

As duas professoras foram presas imediatamente por homicidio doloso, pagaram fiança de R$ 10 mil reais (para quem vai esse dinheiro?) e estão em liberdade. É claro que a maior "prisão" das suas vidas estas professoras vão carregar para sempre, independente de qualquer ação penal...

Quem se reponsabiliza por crianças na água tem que ser muito sério e atento. Com grupos grandes (mais de 2 crianças  por adulto), muito mais. Escolas precisam rever estes procedimentos de segurança... Afogamentos em crianças são silenciosos.

Sempre insisto muito com os pais sobre os riscos de piscina, mar e crianças. Estatísticas mostram que o problema é sério, ocorre em todas as classes sociais.
Crianças não sabem se defender de um monte de coisas, e expô-las a esses riscos é uma falha dos adultos.
Instituições tem que cuidar e se responsabilizar por tudo que ocorre nos seus domínios. Quem se lembra do balanço que matou a menina do Grande Hotel São Pedro, meses atrás?

Enormes indenizações e prisão dos responsáveis jamais vão diminuir a tristeza dos pais, mas já seria um bom começo para aumentar o cuidado de cada um com o próximo.
Fiquemos sempre atentos.



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Febre Maculosa - Postado por Jairo Len

Da série "o pulso ainda pulsa" (Titãs), falo hoje sobre a Febre Maculosa.
A doença tem sido falada e temida porque está em fase de epidemia em alguns estados, como São Paulo. Epidemia significa mais casos que o normal observado (neste ano, mais de 40).

A Febre Maculosa é a igual à Febre das Montanhas Rochosas (Rocky Mountain Spotted Fever), doença conhecida nos Estados Unidos.

A bactéria causadora é a Ricketsia ricketsii, e a transmissão é feita por um carrapato, o Amblyoma cajanense, vulgo carrapato-estrela - comum em cavalos, boi, vaca, cachorros e... capivaras. Este carrapato pode ser grandinho (como uma joaninha) ou muito pequeno, quase um pontinho preto.
 
Carrapato-estrela

As culpadas pela transmissão, desta vez, são as capivaras. São roedores gigantes e pacatos (e protegidos pelo IBAMA) que habitam locais luxuosos, como hotéis e condomínios de luxo (em São Paulo, por exemplo, Itu é uma das regiões mais afetadas) e podem ser reservatórios infindáveis deste carrapato. Basta passear em áreas aonde vivem as capivaras.

Cachorros não sabem ler, não evitam a área...

O ciclo: o carrapato infectado precisa ficar pelo menos 4 horas na pele da pessoa, e pica. Dois a catorze dias após a picada começam os sintomas da doença: febre alta, dor no corpo, dor da cabeça, inapetência, queda do estado geral. Aparecem pequenas manchas avermelhadas, as máculas, que crescem e tornam-se salientes. As lesões podem evoluir para petéquias, hemorrágicas (tipo chupão) e acometer mãos e pés. Nos homens a dor nos testículos costuma aparecer.
  
O diagnóstico preciso é feito por exames laboratoriais modernos, que demoram para ter resultados.
Portanto, na suspeita de Febre Maculosa, o tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente. Sem tratar, até 20% de mortalidade.
Não há transmissão de pessoa para pessoa - só o carrapato-estrela transmite.

Não existe vacina contra Febre Maculosa. A prevenção é feita evitando as áreas infestadas, procurando carrapatos nos cachorros após passeios (e nos humanos também) e utilizando repelentes que impeçam a instalação doestes carrapatos na nossa pele.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Febre - Postado por Jairo Len

A febre é o sintoma mais comum em pediatria. Não existe criança que não vai ter febre algumas vezes na vida.
Ainda preocupa muito os pais - não só pela causa, mas também como medir, como medicar, quando medicar, como vestir a criança, e se convulsionar?...

Febre é o aumento da temperatura corpórea, acima dos 37,1ºC. Não existe, com limites definidos, o que chamam de "subfebril" ou "estado febril".

Portanto, 37,2ºC é febre. Assim como 39,5ºC. Exceto em recém-nascidos até 3 meses, o grau de febre, se está alta ou baixa, não define a causa e o que precisa ser feito.

Não acho que a febre seja uma boa reação do organismo.
Se fosse, a gente não ficaria tão derrubado quando tem febre. Febre acontece em infecções, estados inflamatórios, pós-operatório, reumatismo e doenças oncológicas. Faz as crianças ficarem menos ativas, mais caídas, com dor de cabeça, sem apetite e às vezes vomitando.
Em temperaturas elevadas, acima de 38-39ºC, as reações de defesa do nosso corpo não são catalizadas - não funcionam bem. Ficamos indefesos.

Portanto, a febre deve ser combatida.

Primeiro, deve ser aferida (medida). Em um post de 2010, falei sobre os tipos de termômetro que eu prefiro. Continua atual. Leia aqui este post.

Medicar a partir de qual temperatura?
Minha regra é simples: sempre que você notar, só de olhar, que seu filho está com febre. Pode ser 37,2º, pode ser 38ºC (acima dos 38º em geral as crianças dão sinais bem claros de febre). Esperar um pouco, se a febre está baixa, se a criança está "ótima", não tem qualquer problema. Mas acima dos 38º, não vale a pena esperar.

O banho morno (nunca frio) ajuda a abaixar a temperatura de forma rápida. Traz conforto à criança, mas tem efeito efêmero: logo a febre vai subir novamente.

Medicação - os medicamentos mais comuns para abaixar a febre são o ibuprofeno (Alivium®), a dipirona (Novalgina®) e o paracetamol (Tylenol®).
Usar um ou outro para abaixar a febre depende do gosto de cada um. Eu prefiro os dois primeiros (crianças acima dos 6 meses de idade). 
Todos os antitérmicos demoram 30 a 60 minutos para fazer efeito, podendo demorar até 90 minutos para funcionar. Não tem efeito imediato. É nesta hora que o banho morno ajuda, traz resultados imediatos.
Muitas crianças passam "a noite toda" com febre, os pais não conseguem abaixar a temperatura - mesmo intercalando os três anti-térmicos. Não é nossa intenção que a febre fique alta por várias horas, mas isso não é tão prejudicial, de forma isolada. Crianças aguentam 12 horas de febre incessante. Em geral isso ocorre nas primeiras 24 horas, no início da infecção.

Roupas - A criança deve estar vestida de forma "fresca", sem excesso de roupa - mas pode ser coberta, de leve, se estiver sentindo frio - o que e comum no momento da febre. O ambiente deve estar ventilado e arejado.

Outra reação bastante típica (mas incomum) das febres altas é o que se chama de viremia ou bacteremia: você vê a criança com as mãos muito frias, tremores finos e calafrios de corpo todo, extremidades pálidas e até arroxeadas. A febre vai subir, com certeza.
Esta reação muitas vezes é confundida com a convulsão febril.  

Quem já viu as duas coisas sabe que são diferentes.

Na convulsão febril  a criança tem realmente uma convulsão (90% das vezes). Corpo todo, braços, pernas, perda de consciência, como nas convulsões da epilepsia.
Ocorre em 1 a 2% da população, crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. A primeira vez, em geral, acontece antes dos 2 anos de idade.
Na temperatura de 38,5ºC. Nem é febre tão alta. E sempre no início da febre. Você nem percebeu que a criança estava doente. Inicia com febre e convulsão, juntas, de repente. Não dura mais de 15 minutos.
Apesar do susto (inesquecível), é uma convulsão benigna, auto-limitada, sem complicações secundárias, que não se repete nas primeiras 24 horas. Vai se repetir em 30-40% das vezes, numa próxima infecção.
Em caso de uma convulsão, a conduta é sempre se dirigir ao pronto atendimento mais próximo. A criança normalmente chega sem convulsão no PS, devido à rápida duração.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Check up em crianças - Postado por Jairo Len

É dúvida frequente dos pais a idade em que se deve fazer um check up laboratorial em seus filhos.
De um modo geral, existem algumas diretrizes para se pedir ou não exames laboratoriais de rotina para as crianças, e isso depende muito do histórico familiar.

Diferente dos adultos (que somem dos médicos nos períodos de calmaria), as crianças são levadas para consultas de rotina desde o nascimento. Checamos o crescimento, ganho de peso, exame físico geral (palpação abdominal, ausculta cardio-pulmonar, genitais, pressão arterial...). Isso já traz bastante informação e nos direciona na necessidade de exames eventuais de laboratório.

Se há casos de doenças hereditárias na família, os exames são necessários. Basicamente aquelas doenças que podem se manifestar ainda na infância, principalmente os problemas endocrinológicos.
Aos 2 anos deve ser feita a checagem do colesterol para aquelas crianças cujos pais que tenham níveis muito elevados (400, 500 mg/dl ou mais).
Se é aquela família aonde o colesterol (pai ou mãe) é acima de 220 mg/dl, o exame é feito com 5 anos de idade. Nesta idade também é importante checar a função tiroideana daquelas que tem casos de hipotiroidismo - isso é mais comum em meninas.
Para os demais, sempre se faz um super check up aos 10 anos. Incluo sempre o exame de idade óssea, para ter certeza que está tudo certo para o início da puberdade.

A consulta de rotina com oftalmologista deve ser feita aos 3 anos de idade.
Em relação ao odontopediatra, a idade máxima para a primeira visita é 2 anos.
As escolas pedem uma audiometria (exame para detectar problemas auditivos) aos 5 anos, em geral.

Muitos pais querem fazer exames (como ultrassom abdominal) de vez em quando. Isso "piora" quando houve algum caso mais importante de doença em conhecidos, amigos, parentes.
Lembro sempre que estas doenças (como tumores abdominais, por exemplo) infelizmente tem um crescimento rápido, coisa de 1-2 meses, e não adianta fazer exames anuais em crianças à procura disso.

Ficar atento a alterações físicas, emocionais e comportamentais é muito importante - as crianças são bastante sensíveis. Se há qualquer suspeita, investigamos.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Antibióticos - Postado por Jairo Len

Dentro da medicina terapêutica, sem dúvida nenhuma o maior injustiçado é o antibiótico.
Se houve algum medicamento que aumentou demais a expectativa de vida da população nos últimos 100 anos foi ele.
Menos de um século atrás, antes da descoberta da penicilina, a maior causa de morte em todas as idades era a infecciosa. Pneumonias, meningites, infecções de pele, doenças venéreas, tifo, tuberculose, e aí vai.
É claro que esta mudança de estatística não se deve exclusivamente aos antibióticos. Saneamento básico, higiene pessoal e alimentar são fundamentais também.

Quando prescrevemos antibióticos (fundamental para uma otite, por exemplo), muitas vezes dá a impressão de estar prescrevendo veneno.
"Antibióóóótico??? Mas não estraga os dentes??" 
Pergunta clássica, que seria válida nos anos 1950 e 60, quando as tetraciclinas foram largamente usadas, sem qualquer teste prévio em animais. Escureciam, sim, os dentes. Foram banidas em crianças há 50 anos...
Lembro sempre aos pais que na mesma época obscura da medicina se usou, em gestantes, o anti-ulceroso talidomida. As mães que usaram talidomida tiveram filhos com focomelia, uma anomalia congênita aonde pernas e braços não se desenvolvem.

A medicina evoluiu, e hoje os antibióticos usados no dia-a-dia são extremamente seguros no quesito efeitos colaterais importantes. É claro que, como qualquer medicamento, podem causar reações alérgicas ou gastro-intestinais, facilmente reversíveis.
Alguns antibióticos injetáveis, para doenças extremamente graves, apesar de serem a salvação, merecem monitorização de função renal e hepática. Seu uso em crianças é raríssimo, e sempre em casos hospitalizados.

A despeito de seu uso exagerado (concordo...), os antibióticos são extremamente seguros.
Outra coisa que lembro aos pais é a questão de "intoxicação". Inúmeros remédios, se ingeridos por acidente ou intencionalmente, podem intoxicar: antitérmicos, antitussígenos, anti-inflamatórios, anti-alérgicos...
Antibiótico não... Se uma criança tomar um vidro todo de antibiótico, vai ter desarranjo intestinal, mas não há qualquer problema maior.

Além de tratar as infecções primárias, os antibióticos são fundamentais como coadjuvantes de outros tratamentos, como as quimioterapias das leucemias e as profilaxias de cirurgias cardíacas.
Para os bebês prematuros, de 900 g, os antibióticos são absolutamente decisivos, sem os quais as chances de sobreviver seriam mínimas... Sem efeitos colaterais.

Existe, sim, um exagero nas prescrições dos antibióticos. Não há dúvida.
Seu uso deve ser criterioso, como qualquer outro medicamento. 
Vejo que em adultos, via de regra, são usados "de cara" antibióticos muito potentes, como as quinolonas (ciprofloxacina, levofloxacina). Isso vai levar cada vez mais à seleção natural e bactérias resistentes.
Em pediatria ainda usamos coisas mais simples, como a amoxacilina, azitromicina e celafosporina, como primeira opção.


O diálogo com o médico é importante, saber a real necessidade de tratar ou não a infecção do seu filho com antibiótico e outros medicamentos.

Mas mães e pais devem temer as bactérias, não o tratamento delas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Gangue Pink - Postado por Jairo Len

O assunto pode não ser propriamente pediátrico, mas acho que tem a ver com direito de crianças e de um exemplo muito interessante.

Mulheres que transformam
Sem ficar pelada na Av. Paulista, sem sair com barrigão pintado com "quero nascer em casa" na orla carioca, sem fazer "mamaços" no meio da rua, beijaços em shoppings, "marcha das vadias" ou ficar atazanando a vida de outras mulheres iguais a ela, Sampat Pal Devi, 54, fundadora da Gulabi Gang (gangue cor-de-rosa) é lider de um movimento feminista (?) fora dos padrões.

Folha de São Paulo - "Bem antes de as militantes do Femen causarem furor com seus métodos pouco convencionais de protesto, Devi surpreendeu a população do vilarejo onde mora, no Estado de Uttar Pradesh, norte da Índia, ao enfrentar com as próprias mãos e um bastão um homem que espancava sua mulher - prática habitual na região, uma das mais pobres do país. 
Devi pediu ao sujeito que parasse de maltratar a esposa, mas não foi atendida. Reuniu então um pequeno grupo de mulheres. Juntas, elas deram uma surra no agressor".

Ela estará no Brasil para o seminário "Mulheres Reais Que Transformam".

Devi casou-se (forçada) aos 12 anos, teve o primeiro filho aos 15 e aos 20 anos já tinha cinco filhos.
O casamento forçado de meninas também é uma das batalhas do grupo. Querem impedir esta prática.

É claro que desde a primeira "surra" as coisas mudaram. Hoje são mais de 20 mil ativistas, website moderno (gulabigang.in), coisa globalizada.

A roupa delas? Um sari rosa-choque, e o simbólico lathi nas mãos, o bastão de bambu. Que, se necessário, será usado.
"Há dois tipos de injustiça: a do governo e a da sociedade. Se for do governo, a gangue vai mostrar seus bastões para quem for a maior autoridade, até conseguir uma resposta", diz Devi.

Lutam por gente indefesa, por causas que não dão tanto ibope, em países aonde a repressão às mulheres é habitual. Aonde não se sai de topless nem se aguarda o santo das causas impossíveis resolver o problema.
"Quando você traz uma mulher que radicaliza a maneira de lutar por seus direitos como a Sampat Devi, você chacoalha o público. As pessoas precisam sair de sua zona de conforto e começar a agir", diz a jornalista Ana Paula Padrão, organizadora do evento que acontecerá no Rio de Janeiro.

Gulabis em ação. Não. Nada a ver com a "marcha das vadias", promovida pelo grupo Femen

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Lugar de criança doente é... - Postado por Jairo Len

Sempre comento aqui no blog que as crianças com doenças infecciosas não devem ir à escola, berçários e demais locais aonde vão conviver com outras crianças.
Na prática, por exemplo: quem está com febre de 38º C e tosse à noite, não deve ir à escola no outro dia. Febre e escola não rimam. Este relapso de muitos pais é o fator que faz com que os consultórios pediátricos estejam cada vez mais cheios.

Olhando meus arquivos, achei um texto excelente, escrito pela psicóloga Rosely Sayão. Copio ele aqui. É um ponto de vista excelente... Já que muitas pessoas não estão "nem aí" para as demais crianças que frequentam a escola de seus filhos, que pelo menos pensem quais são as necessidades do seu próprio filho.

"Criança doente quer"... - Rosely Sayão - Caderno Folha Equilíbrio, 01.03.2011

"Pais de crianças sempre estão às voltas com doenças de seus filhos. Ora é uma gripe, uma infecção de garganta, febre, tosse, dificuldades respiratórias, dor de barriga, diarréia, etc. Ah! E sempre é preciso contar também com pequenos ferimentos, fruto de quedas, tropeços e até de pequenas brigas.
Em toda casa em que há crianças, há sempre uma pequena farmácia: xaropes, antitérmicos, termômetro, inalador, umidificador de ar, gaze, esparadrapo, entre outros medicamentos e apetrechos, têm presença quase obrigatórias nessas casas.
É comum criança pequena perder a fome quando adoece. É que seu organismo precisa de energia para lutar contra a doença e não pode desperdiçá-la com o trabalho digestivo, não é verdade? Mas uma gostosura feita com pouco açúcar e muito afeto sempre dá uma força extra para a criança.
A criança, quando está doente, precisa de muita, muita atenção e de carinho de seus pais ou parentes queridos. É que, com a doença, por mais simples que ela seja, chegam sensações não muito agradáveis de se conviver. A insegurança, o medo, a sensação de desamparo e a inquietação são algumas. Se o adulto sente tudo isso nessa hora, por que haveria de ser diferente com os mais novos?
Então, além da visita ao médico de confiança e dos cuidados e remédios que ele prescreve, tudo o que o filho precisa nessa hora é da serenidade dos pais, de sua firmeza ao dar os remédios receitados e de muita, muita paciência deles. Colo: é disso que a criança precisa e quer.
Colo conforta, colo alegra, colo energiza a criança debilitada. E quando digo colo não me refiro apenas ao ato de pegar a criança.
Ler uma história para ela, relembrar um episódio engraçado, passar a mão em sua cabeça e até encorajá-la nas piores horas são excelentes remédios - ou melhor, colos - que os pais podem dar a seus filhos como uma ajuda importante em busca da recuperação da criança.
A base do excelente trabalho do grupo "Doutores da Alegria" é exatamente essa.
Mas, e quando os pais trabalham e não podem se ausentar de seus compromissos profissionais? Bem, se a realidade é essa, sempre é possível encontrar maneiras de se fazer presente na vida do filho mesmo na ausência.
Pequenos bilhetes carinhosos deixados com ele, telefonemas rápidos só para desejar melhoras, as refeições preferidas dele deixadas prontas são alguns exemplos. É bom lembrar que a casa, para a criança, representa seus pais, mesmo quando eles lá não estão. Por isso, só o fato de estar em casa já é um conforto.
Hoje, não é em casa que muitas crianças doentes ficam. Elas são levadas para a escola por seus pais. E pasme, caro leitor: algumas mães levam junto com o filho doente a receita médica e os remédios para que os professores deem para a criança. E mais: algumas mães até dizem que precisam que a escola faça isso porque elas próprias não conseguem. Lugar de criança doente não é na escola! Para a segurança física e emocional dela, convém lembrar.
Quem tem filhos deve saber que uma hora ou outra uma doença sem gravidade vai aparecer. E que isso significa noites mal dormidas, cansaço a mais, dedicação e cuidados especiais e mudança na rotina familiar. Não há como ser diferente.
Essas doenças leves logo passam. Mas a sensação de abandono que a criança doente deixada na escola por seus pais sente pode ficar."




segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Chocolate e Nobel - Postado por Jairo Len

Quanto mais um país come chocolate, mais prêmios Nobel ele tem.
Parece piada, mas saiu no "New England Journal of Medicine", uma das mais importantes revistas científicas do mundo.
No estudo - uma brincadeira com toques de verdade - até se atribui aos flavonóides do chocolate uma melhora de capacidade mental e diminuição dos níveis de demência.
Feito na Universidade de Columbia (EUA), este estudo já é candidato ao prêmio IgNobel.

Obviamente o estudo não tem qualquer embasamento científico e apresenta grandes falhas de metodologia - a idéia é que tenha sido publicado pelo "New England" para fazer uma sátira aos inúmeros estudos relacionando "algo com algo", principalmente o tipo de comida que se ingere e algum benefício a longo prazo que isso possa trazer. Estudos sem comprovação científica nenhuma, que hoje em dia são publicados até diretamente na internet, sem passar por nenhum board de experts.

De qualquer forma, é interessante...

Que a nutrição de uma população desde criança (e consumo de chocolate) tem a ver com o grau de desenvolvimento de um país, isso não pode ser questionado:


Chocolate e boa nutrição infantil, educação de boa qualidade, preocupação com as crianças.



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Bora aí - o que fazer em SP - Postado por Jairo Len

O que fazer com os filhos neste fim de semana?
Pergunta básica dos paulistanos que não vão viajar.
São Paulo tem centenas de opções para todos os gostos e tribos familiares.
A busca destas opções, mesmo pela internet, é complicada, cada "guia" falando de algumas atividades, esquecendo-se das outras.

Na busca de fazer algo mais prático, simples e completo, uma mãe de paciente(s) lá da Clínica criou o Bora.aí.
Um portal com excelente visual e fácil de navegar, reunindo todas as opções disponíveis.
Parques, eventos, teatros, shows e idéias de programas.

Vale a pena conferir. O feriadão está aí.

Bora.aí: http://bora.ai/.

Bom proveito!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Bicicleta e Crianças - Postado por Jairo Len

Cada vez é mais frequente o uso da bicicleta na cidade de São Paulo.
Mais ainda após a criação da ciclofaixa - que apesar de eu não ser um fã - realmente, até agora, se mostrou segura. Misturar carros e bicicletas ou pedestres, separando-os por cones de plástico, é confiar demais na civilidade dos motoristas.
Perto de onde moro, no Alto de Pinheiros, não se respeita o limite de 40 km/hora para carros, ao lado da ciclofaixa. Mais: ainda buzinam e você tem que ir para a faixa da direita...

De qualquer forma, é importante pensar em segurança das crianças quando estão na bicicleta dos pais e na própria bicicleta...
Juntando informações da Sociedade Brasileira de Pediatria e Academia Americana de Pediatria (que parece mais um disclaimer), listo aqui as principais preocupações por quem está por dentro da estatística:

- Crianças devem sempre ser transportadas em assentos especiais, de boas marcas e homologados. Tanto faz se for na frente ou atrás da bicicleta. Nunca se deve usar cangurus ou quaisquer forma de transporte que não seja a "cadeirinha".
- O cinto de segurança deve estar muito bem afixado.
- Quando usar assentos traseiros, estes devem ter proteção e apoio para os braços e pernas da criança, bem como um espaldar mais alto, com apoio de cabeça, caso a criança adormeça.
- Crianças com menos de 1 ano não devem ser transportadas de bicicleta. Só adultos devem carregar crianças em bicicleta.
- Entre 1 e 4 anos a crianças podem andar na bicicleta dos adultos, devendo sempre usar capacete.
- O capacete deve ser de boa marca e do tamanho certo para a cabeça. Deve ser bem fixado, sem frouxidão.

- Quando a criança está na própria bicicleta, cuidado extra: cotoveleiras ajudam a minimizar os efeitos das pequenas quedas, sempre frequentes. Procure também usar roupas de cores fosforecentes e chamativas para as crianças.
- Bicicletas muito grandes ou pequenas para a idade são perigosas para crianças. Os pés da criança devem poder tocar no chão quando a criança está sentada no banco da bicicleta.
- Procure sempre andar de bicicleta em parques e ciclovias exclusivas, com separação física entre bicicletas e veículos pesados. Evite andar na mesma via que os carros e motos, principalmente ao transportar crianças.
- Não use fones de ouvido e música alta.
- No caso de andar em ruas e avenidas (perigo...!) sempre ande no mesmo sentido do tráfego, nunca na contra-mão.
- Grande parte dos acidentes de bicicleta se dá pelo fato do ciclista não respeitar as leis de trânsito (farol vermelho, mudança brusca de faixa sem sinalização).

Você vê que são informações bastante óbvias, mas são veiculadas por organizações e sociedades pediátricas bastante sérias - que percebem, através das estatísticas, que estas informações tão banais são muito importantes para a segurança de todos.

O capacete é a peça mais importante da segurança na bicicleta.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Refrigerantes - Postado por Jairo Len

Há alguns anos os refrigerantes tem sido bombardeados como ícones da má alimentação e obesidade. Concordo plenamente.
Meus pacientes sabem que sou contra a ortorexia (nas crianças), mas se tem uma coisa que recomendo os pais nunca oferecerem são os refrigerantes.
Sucos prontos de caixinha idem, ainda que menos danosos, pelas quantidades habitualmente ingeridas.
Nos EUA a guerra é explícita, até com toques de ironia, como proibir a venda dos mega-copos, aqueles de 750 ml. Ainda que o copo de 400 ml pode ser vendido, com "free refill" - ou seja, você pode voltar à máquina e encher o copo quantas vezes quiser sem pagar...

Folha.com: A ligação entre o consumo da bebida e dos sucos adoçados e a obesidade é tema de três estudos e de um editorial publicados ontem no periódico "New England Journal of Medicine".

Os refrigerantes e sucos prontos (não diet/light) são gigantesca fonte de açúcar, que ao serem ingeridos aumentam muito a taxa de glicose e, por isso, a taxa de insulina no sangue. A insulina é um hormônio que causa fome, é anabolizante - e em excesso faz engordar.

O estudo não avaliou as formas diet/light de sucos e refrigerantes, mas em outros posts já falei sobre o malefício que é o excesso de uso destas bebidas.

É evidente que estes problemas trazidos por estas bebidas não são para todos, depende da genética, do restante da alimentação e das quantidades diárias.
Mas não custa nada tentar educar uma boa alimentação desde cedo.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dr. Google ajudando - Postado por Jairo Len

Quase todos nós utilizamos o Google como primeira ferramenta de informação sobre aqueles assuntos que não dominamos.
Em medicina, os chamados "leigos" (os que não são médicos e afins) buscam informações no Google antes mesmo de perguntar para o médico - ou imediatamente após.
No meu dia-a-dia é assim. Temos que nos acostumar.
Ainda que o Google traga informações de sites nem sempre confiáveis, acho uma ferramenta importantíssima - mas que deve ser usada com cautela. Pode causar mais confusão e pânico do que esclarecimento...

Li na Folha.com: "Pais salvam bebê com tratamento descoberto na internet".
No País de Gales, um casal foi buscar, via Google e outros sites de busca, alguma forma "nova" para o problema que seu filho recém-nascido apresentou: uma hérnia diafragmática, doença rara e muito importante.
Já existe cirurgia para tratar a hérnia diafragmática (que é um "buraco" no diafragma, que aparece ainda na formação fetal, impedindo os pulmões de se desenvolver) - mas o tratamento atual tem severas limitações, não ajudando em todos os casos.

Acharam, via Google, um procedimento chamado Oclusão Traqueal Fetoscópica, desenvolvido recentemente. Somente um cirurgião do King's College Hospital, em Londres, realiza o procedimento em toda a Grã-Bretanha - procedimento ainda em fases iniciais de uso.
"A cirurgia consiste em inserir um minúsculo balão na traqueia do bebê, impedindo a saída normal do líquido pulmonar. Dessa maneira o fluido se acumula nos pulmões, que são forçados a crescer."

A cirurgia foi realizada ainda no útero materno, por laparoscopia, e hoje a criança tem um ano de idade e passa bem.

A meu ver, um exemplo que o Google pode ajudar bastante.
É evidente que os médicos que cuidavam do bebê, ainda na seara da medicina fetal, deveriam ter noção que este procedimento existe - e não deixar que os pais descobrissem por sua conta. Poderiam, antes dos pais, "ter dado um Google".


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A confusão dos "leites" - Postado por Jairo Len

Post revisto/atualizado em 17/10/2016

Mais uma notícia para confundir as mães e pais. "O Procon investiga composto lácteo da Nestlé que tem 'cara' de leite".
Trata-se do Ninho Fases (1+, 3+), que é um produto classificado como composto lácteo, uma vez que não é um leite como os outros (Ninho Integral ou Instantâneo). Mas a embalagem deles é muito semelhante.
O que isso tem de importante na prática?
A meu ver, absolutamente nada.

Tanto os Ninho Fases como o Instantâneo ou Integral são excelentes "leites" para as crianças. Cada um com suas particularidades.

Os Ninho Fases são compostos lácteos ou leites de crescimento aonde a gordura láctea foi totalmente retirada e foi acrescida gordura vegetal (mais saudável), além de vitaminas, ferro, prebióticos... E, claro, para o gosto ficar bom, acrescido também de xarope de milho.
É a intenção da Nestlé de tornar os Ninhos leites mais parecidos com as fórmulas lácteas (como o NAN 1, 2 ou 3), que sem dúvida são os alimentos mais adequados para crianças até dois anos de idade (incluindo o Neslac Comfor, o composto lácteo mais completo da Nestlé).

O fato da gordura ser vegetal (nos compostos lácteos Ninho Fases) é, a meu ver, um ponto excelente na alimentação infantil.
Pouquíssimo colesterol, como em um leite desnatado.

As calorias destes compostos são as mesmas dos leites comuns.
Por causa do xarope de milho, a escovação dos dentes é necessária após o Ninho Fases (e, convenhamos, após quaisquer alimentos ou leites).

Além destes tipos todos de Ninho, a Nestlé ainda tem o Ninho Levinho (semi-desnatado) e o Ninho Zero Lactose (para casos específicos). Uma linha bastante completa.

Este imbróglio dos leites e compostos lácteos não vai levar a nada...exceto causar mais confusão na cabeça dos pais.


Este é leite...
Estão são compostos lácteos...



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Odor axilar e desodorantes para crianças - Postado por Jairo Len

Queixa relativamente frequente, o odor axilar em crianças de 6, 7 ou 8 anos de idade é, na maioria das vezes o início da produção de alguns hormônios de forma fisiológica (normal).
Mães e pais se preocupam por achar que se trata de puberdade precoce. Mas não é. A puberdade precoce tem outros sintomas iniciais, como aparecimento de mamas (em meninas) e aumento do pênis e testículos (nos meninos). Na puberdade precoce os pelos e odores vão acontecer, mas de forma posterior.
De qualquer forma, a avaliação clínica pediátrica e a eventual realização de exames diferenciam facilmente puberdade precoce do simples início do odor axilar.
Ester odor axilar é mais comum nas meninas.
A grande preocupação dos pais, além de afastar possibilidade de doença é, claro, lidar com os inconvenientes do odor. É simples: usar desodorante e higienizar bem as axilas na horas dos banhos.

Sempre recomendo isso, e relembro aos pais que não é qualquer desodorante que pode ser usado.
A ANVISA está fazendo consulta pública para liberar determinados desodorantes a partir dos 8 anos de idade. O problema pode começar antes dos 8 anos...
De qualquer forma, os desodorantes que recomendo devem ser em roll-on ou em pasta, sem cheiro e sem álcool. Podem ser usados diariamente, de forma tão natural como se usa um hidratante ou um filtro solar.

Por curiosidade, a última legislação cosmética infantil data de 2001. "Crianças", para a ANVISA, tem até 12 anos. Para elas não havia liberação de desodorantes.
Pasta de dente, perfume, sabonete, condicionador e shampoo, liberados em qualquer idade.
Esmalte, a partir dos 5 anos, removível com água e sabão.
Batom, brilho labial e blush/rouge, a partir dos 3 anos (aplicados por um adulto) e a partir dos 5 anos (com supervisão de um adulto). A nova lei inclui, neste grupo, a sombra.

Os critérios da ANVISA são farmacológicos.

Cabe a nós, pais, ter um mínimo de noção para não fazer de suas filhas uma "Barbie Face" ou bonecas para maquiar similares...


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Células de cordão e a ficção científica - Postado por Jairo Len

Já escrevi aqui no blog e no site da Clínica Len sobre o congelamento de sangue de cordão umbilical. Sou a favor, desde que seja feito em prol dos bancos públicos.
O que se congela é o sangue de cordão umbilical, fonte de células-tronco hematopoiéticas - que podem servir, no futuro, para dar origem a células de sangue. Idealmente e somente utilizado por terceiros, não pelo próprio doador.

O que os bancos-de-cordão privados estão prometendo, agora, é o congelamento de células-tronco mesenquimais - aquelas que podem se transformar em quaisquer tecidos (pele, ossos, músculo, gordura).
Realmente a pesquisa científica mostra que os estudos com células-tronco mesenquimais são extremamente promissores, mas ainda não há quaisquer indicações de se "auto-congelar" suas próprias células.
Mayana Zatz, a maior cientista em genética do Brasil, relembra, em reportagem da Folha, que nós todos temos células gordurosas, retiráveis a qualquer momento, que podem servir como células-tronco mesenquimais.

Este congelamento proposto pelos bancos-de-cordão privados ainda está na seara da ficção científica. Apesar de alegarem que estas células de cordão são "virgens", sem sofrer interferência do meio ambiente, e blá-blá-blá... as instâncias científicas são unânimes em dizer que não há qualquer confirmação da aplicabilidade da técnica, da preservação das células, do seu uso na prática, etc...

No futuro estas condições hão de existir? É bem capaz.
Mas, por enquanto, as poucas vezes que foram usadas células-tronco mesenquimais - com muito sucesso - estas foram retiradas da gordura dos pacientes, já crescidos.


Nem sempre o futuro é como se imagina...




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Funcho, chicória e capim-cidreira - Postado por Jairo Len

A Funchicórea foi proibida por algumas questões técnicas e burocráticas da ANVISA. Tinha 70 anos de existência, nunca fez mal para ninguém...
Coisas do Brasil...
Já está no mercado o Funchobaby, uma "nova versão", só que de outro laboratório... Não se perde tempo neste país...! Viva a ANVISA!! Ao mesmo tempo acaba com um produto quase secular e permite outro, novo, quase igual. Eles sempre tem uma explicação razoável. Cada um de nós pode imaginar a sua versão...

De qualquer forma, bullying à parte, vamos ao novo produto. De acordo com informações de bula, é composto de funcho (erva-doce), capim-cidreira e chicória, em excipiente de xilitol e sacarina. A Funchicórea tinha o ruibarbo no lugar do capim-cidreira.

Na bula sugere-se diluir uma medida em 150 ml de água e oferecer durante o dia. Funchicórea também sugeria algo parecido, mas as mães usavam mesmo é o pó na chupeta. Alivia cólicas pelo sabor adocicado, porque nestas doses de "chupeta" não há qualquer princípio ativo em quantidade mínima.

Não são produtos que constem da minha prescrição e orientação, mas não contra-indico... Não acho que façam mal algum, e até podem ajudar a melhorar crises de cólicas. Que são benignas, mas incomodam demais os bebês e os pais.

Portanto, aí está. O Funchobaby está nas farmácias.

Esta sofreu bullying...

...e este apareceu...!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sobre Amor e Comida- Postado por Jairo Len

Mais uma vez faço referência à coluna da psicóloga Rosely Sayão, na Folha on line do dia 21 de agosto.
A queixa "meu-filho-não-come" ainda é a #1 nas minhas consultas. Chega a ganhar das tosses e rinites infindáveis (#2) e das birras e comportamento (#3).

Salvo pouquíssimas exceções, esta inapetência é sempre seletiva, crianças que se alimentam, mas de pouca variedade. Só leite, ou muito carboidrato, ou até mesmo os que comem basicamente finger-foods, os chamados "picky eaters". Beliscam bolachas, polvilho e um pingo de comida o dia todo.

Caberá aos pais, desde muito cedo - com a orientação do pediatra - fazer com que esta situação de extrema seletividade nunca se concretize. Existem inúmeras formas de fazer, e sempre funciona.

Lembro das minha época de Escola Paulista de Medicina aonde, nos ambulatórios de pediatria geral, nunca se ouvia a queixa "meu filho não come". Aonde não há fartura e abundância de comida, as crianças sempre comem (o que tiver para comer). A desnutrição vinha da falta de comida balanceada e de proteína animal, ainda realidade brasileira.

Mas Rosely Sayão fala sobre a raiz do problema: a relação feita entre mães e pais sobre alimentar, achar que está alimentando, achar que isso é uma forma de amor e achar que isso trará aprovação...

Leitura rápida. Vale a pena. Clique aqui para ler o texto.

O máximo em seletividade alimentar...


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Botulismo - Postado por Jairo Len

Li hoje que houve 4 casos de botulismo, em uma mesma família, no interior de São Paulo. Provavelmente após ingestão de uma mortadela contaminada.

Afinal, o que é o botulismo?
Botulismo é uma doença grave causada pelas toxinas da bactéria Clostridium botulinum.

A bactéria, por si, só causa doença nos bebês com menos de 1 ano. Por isso não se pode dar mel para eles - o mel (mal manuseado e não pasteurizado) pode conter estas bactérias, que tem risco de se desenvolver no intestino de bebês. Nos adultos a bactéria é ingerida e "morta" pelas nossas defesas.

Já nas crianças maiores e adultos, aonde a bactéria não se desenvolve, o problema é a ingestão dos esporos e da toxina, que o Clostridium fabrica quando está presente nos alimentos contaminados, como conservas (palmito, pequi, picles), embutidos (mortadela), conservas de peixe. No mel a bactéria não esporula nem produz toxinas.

Exemplo: aquele palmito em conserva feito por um produtor que não tem mínimos cuidados e requisitos de higiene e manipulação de alimentos - o palmito contaminado vai para o pote - fica lá 4 meses, e o Clostridium esporulando e produzindo a toxina lá no pote - a comadre abre o vidro, faz a torta, assa bem a massa, o recheio assa pouco - três dias após, vende  a torta em pedaços, na barraquinha da rua, sem reaquecer bem - e temos uma torta que pode ter esporos e toxina botulínica.
Idem para a mortadela semi-caseira que a família de Santa Fé do Sul comeu. Se a mortadela tivesse os conservantes exigidos por lei, não teria sido contaminada por Clostridium Botulinum.

Enfim: segurança alimentar. Aquecimento adequado, geladeira, fervura. Itens básicos hoje em dia.
Palmitos e demais enlatados tem que ter ótima procedência. Embutidos idem. Muito cuidado com produtos alimentares artesanais. Vivemos numa época de busca do "politicamente correto" alimentar, mas temos que lembrar que existem técnicas industriais de segurança alimentar (incluindo conservantes).


Os sintomas do botulismo são neurológicos e musculares. Tontura, visão dupla, boca seca, fotofobia, queda da pálpebra (ptose) e dificuldade para urinar e evacuar são os principais. Dependendo da quantidade de esporos e toxina ingeridos, dificuldades de falar, engolir e se locomover podem se manifestar; assim como paralisia dos músculos respiratórios, o que em 15% das vezes é fatal. Necessita diagnóstico e tratamento imediatos.

Vai um botulismo aí, gente?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Megavacinação em São Paulo - Postado por Jairo Len

Neste sábado, dia 18, será realizada, aqui em São Paulo, uma "megacampanha" (SIC) de vacinação. A idéia é colocar a carteira de vacinação dos menores de 5 anos em dia.

A idéia é "louvável", uma vez que não existe uma continuidade na vacinação das crianças no decorrer dos primeiros anos de vida.
Motivo?
Postos de saúde que não funcionam em fins de semana, pouca importância dada pela carteira de vacinação, falta de auxílio para quem leva seu filho para vacinar (como por exemplo um vale-transporte ou uma licença no trabalho da mãe), mau atendimento em alguns postos (o descaso que sabemos que existe...), etc., fazem com que muitas crianças não estejam corretamente vacinadas nos primeiros anos de vida.
Como tudo no Brasil-público, é melhor "remediar".
O programa de vacinação poderia ser bem mais organizado. Para você ter uma idéia, a maioria dos postos não tem registros de vacinas aplicadas, de forma individual. Que deveria ser centralizada, registros on line. Não... Se a criança perde a carteira de vacina, não tem como recuperar os registros de vacinas aplicadas.
Da mesma forma que o governo controla seu CPF e cada centavo que você deixa de pagar, poderia ter um sistema de controle de vacinação.

Bom... De qualquer forma, o post é também para lembrar que as crianças que tem sua vacinação super-controlada e completa (principalmente as que fazem na rede privada, nas clínicas de vacinação) não precisam comparecer aos postos de saúde para a "megavacinação". 

Em relação às "duas novas vacinas" (Poliomielite inativada e Pentavalente), que o governo começou a fazer: elas já são "velhas conhecidas".
A rede particular de vacinação já realiza rotineiramente estas vacinas há mais de uma década, seguindo o padrão de orientação dos países civilizados no mundo que tem um mínimo de respeito pelas crianças.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mel e Tosse - Postado por Jairo Len

Sua bisavó ficaria felicíssima com este artigo publicado no Pediatrics On Line dois dias atrás... O Pediatrics é a revista mais respeitada em matéria de pediatria no mundo.

Pesquisadores da Pediatric Ambulatory Community Clinic, Petach Tikva, Israel, fizeram um estudo comparando o uso de mel e placebo para acalmar a tosse noturna, em 300 crianças de um a cinco anos de idade. Para um grupo de crianças, deram mel. Para o outro, placebo (no caso, um extrato viscoso de tâmaras). Foram excluídas do estudo crianças com diagnóstico de doenças mais importantes, como asma, pneumonia ou laringite.

Resultados: houve melhora da tosse noturna no grupo de usou o mel, de forma significativa em relação ao placebo.

Foram usados três tipos de mel, e não houve diferença entre os tipos de mel usado em relação à melhora da tosse. Tanto faz. A dose foi de 10 gramas (uma colher de sobremesa) antes da criança dormir.

Importante lembrar que o mel não deve ser usado em bebês com menos de um ano de idade e também que ele, por ser rico em açúcar, causa cáries se usado a longo prazo sem a devida escovação dos dentes.

Sua avó já sabia disso faz tempo...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Celulares e a Vitamina S - Postado por Jairo Len

Acho interessante que alguns pais não deixam seus filhos colocarem "nada" na boca, mas para acalma-los dão, no primeiro choro, o celular para eles morderem...

Diferente de outras formas de Vitamina-S (S de sujeira), os celulares podem conter bactérias e fungos nocivos à saúde, uma vez que são fonte de milhares de contatos salivares e de mãos e dedos nem sempre limpos durante o tempo todo. Fora as capinhas de proteção, aonde a sujeira e os microorganismos se instalam cavernosamente. E o celular é democrático, indo da mesa ao banheiro, da bolsa ao sofá, da boca de um para a boca do outro...

Uma pesquisa britânica mostrou que 92% dos celulares por lá estão contaminados com microorganismos possivelmente patogênicos.

A recomendação é simples, principalmente para quem deixa os celulares serem usados como brinquedo pelos filhos mais novos, que põem tudo na boca: de vez em quando (duas vezes por semana, por exemplo) vale a pena tirar a capinha e limpar o aparelho com um lenço levemente umedecido com álcool gel ou álcool 70%, quem sabe um cotonete nas áreas mais escondidas. Lavar o case com água e sabão.

Não há ainda relatos de bactérias "novas" ou de contaminações especificamente adquiridas por manuseio de celular...mas de nada adianta esterilizar mamadeiras e chupetas mas usar o iPhone como mordedor para os bebês...

Já existem campanhas sobre o assunto...


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Pai não é professor particular" - Postado por Jairo Len

Com título do post homônimo à coluna da psicóloga Rosely Sayão, convido você a ler, na Folha de São Paulo, o texto escrito por ela.
Gostei muito das colocações dela porque há muito tempo converso com os pais sobre a vida escolar dos seus filhos, e vejo o descontentamento de muitos com os esquemas pedagógicos de cada escola - e como isso tem levado os pais à loucura.
Muitos que dizem que "não estão dando conta" dos estudos com os filhos (de 7 ou 8 anos de idade), tanto pelo volume de lições de casa, como por sua complexidade e dificuldade.
Uma mãe de paciente, com vasta experiência em pedagogia, me falou que insiste com seu filho que não é "ela", a mãe, que tem que compreender a lição de casa - e sim seu filho. Se ele não entende, deve perguntar à professora. A lição-de-casa é direcionada à criança, um complemento do que foi feito em sala de aula, para melhorar a fixação.
Os pais devem, claro, balizar os estudos dos seus filhos. Mostrar a importância, mostrar que mesmo nesta idade já tem suas obrigações e responsabilidades. Mas a lição-de-casa é para ser feita pela criança.

Faço das palavras de Rosely Sayão as minhas. Leia a coluna clicando aqui.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Soja e hormônios - Postado por Jairo Len

Reedito um post do ano passado sobre o uso da soja (especificamente em suquinhos e refrescos) e a atividade hormonal.

É frequente o questionamento dos pais em relação ao consumo de derivados de soja e a ação das isoflavonas, hormônios naturais da soja (fitoesteróis). A soja (assim como a alfafa, arroz, trigo, maçã, cereja e a linhaça) são alimentos que possuem estes fitoesteróis, cientificamente chamados de desreguladores endócrinos. Substâncias que podem alterar nosso sistema endocrinológico.

VAMOS AOS FATOS

Centenas de estudos já foram realizados para tentar avaliar a relação entre consumo de soja e alterações hormonais (telarca, puberdade precoce) em crianças, e nada se comprovou. Quando pesquiso na literatura médica, existe um ou outro "relato de caso" aonde se aventou esta possibilidade, mas sem qualquer alteração em níveis hormonais que se comprove isso.
Afinal, derivados de soja (AdeS e demais refrescos, assim como os leites de soja) não contém quantidades significativas de fitoesteróis a ponto de desregular nosso sistema endócrino. Bebês que tomam fórmulas à base de soja (NAN Soy, Aptamil Soja, etc.) também não tem alterações hormonais.
É preocupação permanente esta relação (soja x hormônios) e estudos são feitos permanentemente - assim como cobranças por entidades de direito do consumidor e indústria alimentar (nos EUA, ok?).

EM ADULTOS
Para tratamento da menopausa, usa-se a isoflavona concentrada - não in natura - o que tem efeito hormonal comprovado. Inúmeros estudos tem mostrado que o consumo de isoflavonas e fitoesteróis em nível terapêutico podem trazer benefícios para o organismo.
A soja torrada (tipo amendoim) também tem altas concentrações de isoflavonas, mas não conheço crianças que fazem seu uso regular.

De qualquer forma, minha conduta atual é liberar estes alimentos (AdeS e demais refrescos e leites de soja)  para o público infantil, sem preocupações em relação à atividade hormonal.

Relembro sempre que a maioria destes produtos não traz nenhum benefício à saúde (como cálcio e proteínas), e em geral tem corantes, estabilizantes, conservantes e açúcar.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Últimas notícias - Postado por Jairo Len

Por causa das férias não postei com a frequência habitual. Não foi por falta de notícias importantes na saúde- faço então um pequeno resumo de algumas coisas importantes que aconteceram:

Bronzeamento artificial - um estudo publicado no British Medical Journal deste mês mostra que, na Europa, pode-se atribuir ao bronzeamento artificial para fins estéticos quase 800 mortes ao ano, relacionadas ao aparecimento de melanomas. A prática aumenta em 20% as chances de câncer de pele, dobrando quando a pessoa tem menos de 35 anos de idade.

Truvada - Foi aprovado pelo FDA o Truvada, primeiro medicamento indicado para a profilaxia da AIDS. Ou seja, a pessoa toma regularmente o medicamento e tem chance 44 a 73% menor de adquirir o vírus caso mantenha relacionamento sexual com portadores do HIV. Estudo feito em homens homossexuais, que diz que 700 mil pessoas não seriam contaminadas anualmente no mundo se usarem Truvada.
O que eu penso? Insanidade. Os casos de AIDS vão aumentar muito se os cuidados e a proteção de barreira não for usada, o que evidentemente vai acontecer com os usuários do medicamento. Tipo uma roleta russa com 4 balas e 6 culatras vazias no tambor...

Amamentação - Por falta do que fazer, nutrizes promoveram o "mamaço" na Espanha, aonde amamentam filhos coletivamente para incentivar a amamentação. Aconteceu na praia Santa Ponsa, na Espanha. Olhando a foto eu não sei se isso estimula a amamentação ou assusta algumas mães. Deixem as nutrizes em paz e...ajudem individualmente quem precisa, agindo nos nichos corretos (maternidades públicas, ambulatórios de gravidez de adolescentes, comunidades mais pobres e favelas).

Parto domiciliar - O CREMERJ vetou a presença de médicos nos partos domiciliares, assim como nas equipes de sobreaviso (plantão em casos de complicação). A medida visa diminuir o modismo que vem aumentando de forma institucionalizada. Vai haver briga... Concordo com a medida do CREMERJ, que não proibiu o parto domiciliar, mas sim colocou os "pingos nos is". Cada um no seu quadrado.

Gripe | Influenza - Temos visto um aumento de casos de Gripe A e Gripe A-H1N1. Isso sempre ocorreu nesta época do ano, e agora existem métodos diagnósticos que identificam a doença - o que não ocorria anos atrás. Não acho (por enquanto) que tenhamos qualquer epidemia e motivo para pânico, mas é sempre bom manter todos os cuidados de sempre e manter a vacina em dia, vacina aliás que está muito difícil de achar.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Adultos bebês - Postado por Jairo Len

O ócio é importantíssimo, é o que tentamos exercer nas férias.
Posso dizer que dá para ter ócio nas férias, mas com um tablet nas mãos, não 100%.
Nestes dias de "ócio", pude ler bastante coisa, com calma, e uma reportagem que achei excelente, e recomendo a todos que tem filhos (ou os que não tem...) é "Por que a educação moderna criou adultos que se comportam como bebês", da revista Época online e capa da revista impressa.

Na reportagem, uma panorama da educação e criação dos filhos antes e após 1970, com as teorias de elevação de auto-estima e suas consequências quando aplicadas de forma deliberada, errada.
Tenho certeza que você vai lembrar de muita gente que conhece lendo o texto, que cabe perfeitamente em cada um de nós.

Vale comprar a revista (nas bancas nesta semana) ou acessar parte dela no site da Época. Infelizmente online o texto está regulado...só o início pode ser lido pelos não-assinantes.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A importância do ócio - Postado por Jairo Len

Li, em uma reportagem da SUPERINTERESSANTE, um texto excelente sobre a importância do tempo "ocioso" para o nosso cérebro.

Todos sabemos a importância de desligar, desplugar e relaxar. Nem sempre colocamos em prática.
Através de um levantamento de literatura científica, a pesquisadora e professora de educação, psicologia e neurociência na Universidade do Sul da Califórnia, Mary Helen Immordino-Yang publicou, em uma revista médica, um artigo mostrando a importância de mantermos, de vez em quando, o cérebro em repouso.
Immordino-Yang mostrou preocupação com o fato de que os ambientes urbanos e virtuais (redes sociais, como o Facebook, também) têm exigido demais de nossa atenção e do nosso tempo, que deveria ser usado para relaxar. Para ela, este modo permanente online tem minando oportunidades de reflexão e pode ter efeitos negativos sobre o desenvolvimento psicológico.

Esse tempo livre é muito importante para nossa memória, para o aprendizado, para a consolidação do aprendizado.

Não é necessário fazer meditação transcendental...
O ócio positivo pode ser encontrado ao ler um livro, relaxar em uma rede de balanço o ficar sentado em uma espreguiçadeira no jardim. À noite, por exemplo, observando as estrelas, olhando a lenha da lareira queimar. As férias servem bem para isso.
É nestes momentos que o cérebro entra em modo padrão ou default.
"A atividade desse modo default está ligada aos componentes do nosso funcionamento socioemocional, como autoconhecimento, julgamentos morais, desenvolvimento do raciocínio e construção de sentido do mundo que nos rodeia", diz a reportagem.

Ficar de olho no Facebook é lazer...mas não põe o cérebro em modo padrão.
Relaxe. Aproveite as férias.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Coca-Cola brasileira X substâncias potencialmente cancerígenas - Postado por Jairo Len

A Coca-Cola vendida no Brasil tem, em sua composição, bem mais 4-metilimidazol (4-MI) do que as Coca-colas vendidas no mundo. Em relação à legislação da Califórnia, por exemplo, nove vezes mais do que o permitido.
O 4-MI é "potencialmente cancerígeno", ou seja, em teoria é uma substância que pode causar câncer. Não há casos comprovados. O 4-MI está presente no corante caramelo IV.
A análise foi realizada no Centro de Pesquisa CSPI (Center for Science in the Public Interest), de Washington D.C., e e divulgadas no Brasil pelo IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor). Ambos órgãos são respeitados na comunidade científica.
A Coca-Cola vendida no Quênia, a 2ª no ranking, tem 2/3 da quantidade de 4-MI em relação à brasileira. A dos Estados Unidos, metade. No Japão, menos de um terço.

Questionada, a Coca-Cola do Brasil diz que o refrigerante é extremamente seguro. A ANVISA (zzzzzz...) pediu 10 dias para avaliar o caso.

Nos Estados Unidos, após diversas solicitações de entidades de defesa do consumidor, o Estado da Califórnia reconheceu a periculosidade do aditivo. Diante disso, empresas como a Coca-Cola e a Pepsi dos Estados Unidos divulgaram que realizarão mudanças em suas fórmulas.

Numa época que tanta gente pensa em orgânicos, em "medo" de remédios e antibióticos, em qualidade de vida e longevidade, temos que pensar qual é o foco que devemos ter. A Coca-Cola do Brasil vendeu 10 bilhões de litros em 2010.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Férias - Prepare-se - Postado por Jairo Len

Nesta semana, felizmente, acabam as aulas do primeiro semestre. Digo "felizmente" por alguns motivos, mas o principal deles é que os vírus e bactérias também sairão de férias, diminuindo a onda de doenças infecciosas que sempre ocorre nesta época do ano.
Não acho que foi um primeiro semestre muito ruim de doenças como em anos passados, mas bilhetes e e-mails lembraram os pais dos casos de escarlatina, meningite viral, gripe H1N1 e estomatites.

Nas férias é bom que a gente lembre de alguns detalhes, pequenos e grandes:

Um deles é que alguns países requerem a vacina contra febre amarela para os brasileiros que pisem por lá - como Bahamas, Peru, Colômbia, Panamá (mesmo escala de voo para Miami), México, Quênia, entre outros... O rigor desta exigência é variável, mas não vale a pena correr o risco de ter a entrada proibida. Estes países em geral querem, no mínimo, 10 dias de antecedência entre a vacina e a entrada. A lista completa de países e algumas informações úteis você pode ler clicando aqui.

Adultos: lembrem-se da vacina anti-tetânica (a cada 10 anos). Não faz mal repetir a dose antes.
As crianças com vacinação em dia estão garantidas contra tétano até os 15 anos de idade.


Lembro também a necessidade de sempre levar uma farmácia básica, que tenha:
- antitérmicos,
- remédios para enjoos e também para os vômitos mais importantes,
- pomadas (para picadas de inseto e infecções leves de pele),
- antialérgicos (em casos de reações de pele ou respiratórias),
- antibióticos e colírio (estes necessitam de receita e indicação bem específica).
Esta sugestão de lista me vem à cabeça sempre que lembro dos telefonemas durante as férias... Sempre tem as febres, alguma erupção de pele devido a alimentos "novos", picadas de insetos, vômitos, dermatites... Mas, sem dúvida, as crianças adoecem muito menos nas férias, mesmo com todos os abusos.


Para os pais que tem filhos que enjoam no voo, item fundamental é o Dramin B6 gotas (que deve ser dado no momento que entrar no avião). Para o voo não deve ser esquecido também um analgésico/antitérmico em gotas.

Um detalhe básico: o novo passaporte brasileiro não tem o nome do pai e da mãe. Caso seus filhos tenham o sobrenome do pai, recomendo levar carteiras de identidade ou certidão de nascimento.

É isso... Boas férias!








quinta-feira, 21 de junho de 2012

Gripe por Influenza (e a vacina) - Postado por Jairo Len

Apesar de ser assunto que parece esgotado, não é...

Reitero a importância da vacina contra Influenza Trivalente 2012.

Temos visto casos de H1N1 e de H2N3 (causada pelo Influenza A) com frequência. Inúmeras escolas tem mandado os "bilhetinhos" de casos de H1N1 em várias crianças por sala.

A vacina é a mesma há três anos, protege contra a gripe A (H2N3), B e H1N1 (a suína...) e deve ser aplicada anualmente. A vacina é segura, não causa a doença, não tem reações importantes.

Crianças a partir dos seis meses podem receber a vacina. Na Clínica Len de Pediatria vacinamos rotineiramente todos os bebês - a vacina já faz parte do calendário habitual de vacinas - recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações.

Só para lembrar, porque vejo que as mães e pais me perguntam com frequência, a Gripe é uma doença diferente dos resfriados. Os principais sintomas da Gripe (que é sempre causada pelo Influenza) são:
- Febre alta
- Tosse seca, dor de garganta
- Dores no corpo
- Dificuldade respiratória
- Parece bastante, clinicamente, uma pneumonia.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Na contra-mão - Postado por Jairo Len

Confesso que nesta semana estou bastante impressionado com o que leio nos jornais e na internet.
Não sei o que se passa na cabeça das pessoas (e nem quero saber)... Mas algumas reportagens me fizeram quase perder as esperanças... A ciência caminha mas tem muita gente que não sai da contra-mão.

Contra-mão - a primeira notícia foi semana passada, a cobertura do protesto das mães que querem ter o direito de ter o parto em casa. Me poupem. Se não tem o que fazer, posso dar uma lista de sugestões de ações cívicas e humanitárias para estas pessoas. E parem de aporrinhar o CRM-RJ que, de forma corretíssima, advertiu um importante obstetra que disse se a favor desta técnica medieval, em entrevista.
Lembro que todas as declarações públicas de gente importante tem um enorme peso nas decisões individuais de cada pessoa - portanto devem ser providas de responsabilidade. E, aos pós-adolescentes que saíram nas ruas para protestar, relembro que no Brasil o parto domiciliar não é proibido. Protestar para que?

Ciência - Ao mesmo tempo, nesta semana, soubemos uma pesquisa da OMS mostrou que a mortalidade materna e infantil caiu de forma importante nos países em desenvolvimento, fruto de ações de cuidados pré-natais, de parto e pós-natais. Mostrando a importância do sistema de saúde nesta prevenção. A atenção na hora do parto é um dos pilares fundamentais.

Contra-mão - notícia da Folha on line mostra movimento dos pais que estão "perdendo o medo" e levando seus bebês, desde recém-nascidos, para dormir na cama junto com eles. Muitos compraram camas maiores e já estão cientes que não podem beber muito álcool nem usar drogas, porque isso aumenta o risco de mortalidade das crianças. Juro que li isso.

Ciência - nesta semana foi realizado o primeiro transplante de pele realizado com pele clonada, da própria pessoa. Uma criança sul-africana queimada por querosene (80% do corpo) recebeu a própria pele clonada, feita em um laboratório de Boston, Massachussets (ainda existe gente anti-americana?). Ela teria 10% de chances de sobreviver sem esta pele, e está se recuperando muito bem.
Ciência - e nesta semana também pudemos ler que médicos na Suécia substituíram um vaso sanguíneo bloqueado, em uma menina de dez anos, usando, pela primeira vez, uma veia criada em laboratório a partir de células-tronco da própria paciente. Sem quaisquer riscos de rejeição. Funcionou perfeitamente.


O futuro já chegou à medicina, mas tem muita gente que não percebeu ainda. 

Com uma homenagem à Escandinávia, termino o post com uma frase do filósofo dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard, que resume um pouco do pensamento existencialista:
"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente".


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Campanha de Vacinação contra Poliomielite: preciso levar meu filho que faz as vacinas na rede particular? - Postado por Jairo Len

Reedito aqui um post que anualmente coloco no blog. Como a resposta para a pergunta acima é simples: "não precisa levar", coloco abaixo um pouco da história e da explicação da resposta.

Albert Sabin e Jonas Salk - a história da poliomielite no mundo mudou após as descobertas deles... Sabin desenvolveu a vacina oral contra poliomielite em 1961.
Antes dele, em 1952, Salk já havia desenvolvido a primeira vacina contra poliomielite, inativada e intramuscular.
Posto novamente a informação que não há necessidade de reforço da vacinação oral contra poliomielite (Sabin ou gotinha) nas crianças que realizaram a vacinação na Clínica Len de Pediatria ou em outras clínicas particulares, através da IPV (Inactivated Polio Vaccine) - a vacina contra poliomielite intramuscular inativada.

Hoje em dia todas as clínicas particulares de vacinação no Brasil, assim como 35 países do mundo civilizado, só realizam a IPV na vacinação contra poliomielite aos dois, quatro e seis meses de vida, bem como no reforço do segundo ano de vida.
Algumas clínicas ainda chamam a IPV de "Salk" - o que é errado, porque a vacina atual não é igual à Salk. Mas vale pela homenagem a Dr. Jonas Salk, sem dúvidas.

Sabidamente a vacina oral (Sabin) por causar a poliomielite em 1 para cada 350 mil crianças vacinadas, nas primeiras doses. Isso porque é uma vacina com vírus vivos atenuados. Por este motivo e pelo alto custo das campanhas anuais é que os 35 países do mundo "desenvolvido" resolveram usar exclusivamente a IPV. O Brasil, a partir do 2º semestre de 2012 vai iniciar a vacinação intramuscular contra poliomielite nas primeiras duas doses da vacina (aos 2 e 4 meses).

As crianças que recebem a IPV desenvolvem uma ALTA imunidade com as 5 doses da vacina contra poliomielite, não havendo necessidade de reforços anuais.
Se toda a população infantil brasileira recebesse rigorosamente a IPV, não haveria necessidade destas campanhas anuais de vacinação. Que infelizmente ainda são fundamentais porque a cobertura vacinal no Brasil é baixa - 20% das crianças não são levadas aos postos para serem vacinadas.

Importante: As crianças que já receberam as 3 doses iniciais de IPV podem, caso seus pais queiram, receber as doses orais de vacina Sabin, sem riscos.