quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Boas férias - Postado por Jairo Len

Como nos anos anteriores, além de desejar ótimas férias para todos, faço algumas lembranças e recomendações para as viagens com crianças - retiradas das perguntas que me fazem no dia-a-dia.

Em primeiro lugar, uma coisa que não consigo entender - deve ter algum motivo, não pode ser por pura mediocridade: nossos passaportes (novos, de capa azul) não tem os nomes da mãe e pai - só o nome do indivíduo. Não esqueça de levar junto a carteira de identidade ou certidão de nascimento  originais dos seus filhos para o aeroporto. Neste ano, nas duas vezes que saímos, tivemos problemas - não fosse as carteiras de identidade que carregamos sempre, teríamos que passar no juizado de menores. E o mais patético é que os agentes da polícia federal parece que estão vivenciando a situação pela primeira vez na vida...
Ou seja, o passaporte não mostra que seus filhos são seus filhos - você tem que provar. País da piada pronta, como diria José Simão.
Outro ponto prático - mas dúvida frequente: água mineral é vendida à vontade após a passagem pela polícia federal, nos saguões de embarque. Compre. Não dependa dos comissários de bordo, que parecem estar sempre em greve...(Obs: nas companhias norte-americanas, sejamos justos).

Fora isso, questão burocrática, vamos à prática.
Não esqueça de ter em mãos alguns remédios básicos, a farmacinha. Além dos analgésicos (Tylenol, Alivium, Novalgina), é sempre bom ter medicação para náuseas e vômitos, antialérgicos, pomada para picada de insetos e, determinadas crianças, leve um antibiótico.
Esta lista é muito individualizada, cada pediatra recomenda uma ou outra coisa. Consulte o seu.

Para os voos, sempre recomendo que os pais tenham em mãos o Dramin B6 gotas. Muitas crianças ficam enjoadas e mareadas em viagens aéreas, e o medicamento pode ser fundamental. Analgésico também é bom levar na bolsa.
Comidinha de bordo (salgadinhos, porcaritos, balinhas): tenha em mãos. Não se esqueça.

Para o litoral brasileiro, fundamental ter repelentes, à base de DEET (Off Kids) ou Icaridina (Exposis). Liberados em crianças acima dos 2 anos de idade e usados com moderação, quando necessário, a partir dos 6 meses de vida.
Bloqueadores solares, nem preciso falar, todos já carregam. Se estiver nos EUA, encha a mala... O preço é 4 vezes menos e as opções, infinitas. Como tudo, aliás.

Boas férias! Férias são a grande oportunidade da gente não poder reclamar da falta de tempo para os filhos...

E tire muitas fotos... Uma às vezes fica ótima...!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lei da Palmada é aprovada - Postado por Jairo Len

A votação ainda vai para o senado, mas a Lei da Palmada foi aprovada pela câmara dos deputados ontem.
Já me perguntaram algumas vezes o que eu acho desta lei - que proíbe e pune os pais que fizerem qualquer tipo de violência física em seus filhos. Mesmo uma "palmada".
Já existe a proibição de bater em crianças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas não há uma forma de punição bem direta aos pais, coisa prevista em lei, aonde a polícia pode resolver o problema (como agora com a Lei da Palmada).
Estas leis visam proteger as crianças de sevícias físicas, espancamento, maus tratos, e a "síndrome da criança espancada".
Não acredito que os deputados realmente estejam pensando naquela palmada "educativa" que quase todos nós (acima dos 30 ou 40  anos) recebemos dos nossos pais, e sim nos exageros que vemos o tempo todo por aí.
O problema: é tênue a linha que separa as duas situações e isso depende de inúmeros fatores culturais, sociais e econômicos. A meu ver ninguém vai chamar a polícia porque um pai deu um tapa na mão do seu filho que estava colocando um clips na tomada 110 volts (após o pais ter pedido dez vezes que a criança não faça aquilo).
Mas ficará mais fácil denunciar os pais de crianças que estão recebendo maus tratos físicos.

É claro que não faltam leis neste país - falta civilidade e falta que as leis sejam cumpridas.
De qualquer forma, acho a lei válida, desde que posta em prática com bom senso. Resta saber se as incríveis estatísticas sobre a síndrome da criança espancada vão diminuir.

Em tempo, a meu ver também deveriam ser severamente punidos aqueles que promovem a falta de remédios para doenças crônicas em crianças, falta de vagas e professores bem remunerados em escolas, de merenda escolar de qualidade e de leito em hospitais infantis. Cadeia para eles!

O problema é mundial e acredito que a lei seja para inibir abusos

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Transtorno Dismórfico Corporal - Postado por Jairo Len

Com nome de trava-língua, o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é uma doença descrita há muitas décadas e certamente você conhece algum portador da moléstia.
O Transtorno Dismórfico Corporal é um transtorno mental que se caracteriza por afetar a percepção que o paciente tem da própria imagem corporal, levando-o a ter preocupações irracionais sobre defeitos em alguma parte de seu corpo (por exemplo: nariz torto, olhos desalinhados, imperfeições na pele etc). Essa percepção distorcida pode ser totalmente imaginária ou estar baseada em alterações sutis da aparência, resultando numa reação exagerada, com importantes prejuízos na vida pessoal, familiar, social e profissional. Acomete mais frequentemente as mulheres e inicia-se em geral na adolescência.
Para você ter ideia da seriedade da doença, o TDC é um "primo" do TOC - o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, que todos tem em mente como um problema bem sério.

O TDC piora ainda mais a fragilizada auto-estima dos adolescentes, principalmente das meninas, que imaginam como ideal de beleza aquilo que se vê nas revistas femininas. Mulheres mais crescidas, idem.
Tentam se tratar com comprimidos milagrosos (muito cuidado com os medicamentos de origem duvidosa), dietas esquisitas, cirurgias plásticas sem nenhuma necessidade e assim por diante.
É claro que o TDC se mistura um pouco com os cuidados e obsessões físicas que todos temos hoje em dia, mas psiquiatricamente é tudo bem diferente.
O portador de TDC nunca está contente consigo mesmo, e merece ser tratado.

Essa é clássica...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Elogie do jeito certo - Postado por Jairo Len

Sempre escrevo aqui no blog que não existe um modo único e certeiro de se educar uma criança (em todos os sentidos).
Mas para a construção deste processo muitas vezes recebemos dicas preciosas.
De uma mãe (que me parece educar muito bem suas duas filhas) recebi um texto muito interessante nesta semana. No texto, o psicólogo Marcos Meier mostra uma sutil diferença em como se fazer elogios para a criança. Muitos de nós talvez já façam isso naturalmente, outros não... De qualquer forma, vale a leitura:

Clique aqui:  Elogie do jeito certo, texto de Marcos Meier

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Soja e hormônios - Postado por Jairo Len

É frequente o questionamento dos pais em relação ao consumo de derivados de soja e a ação das isoflavonas, hormônios naturais da soja (fitoesteróis). A soja (assim como a alfafa, arroz, trigo, maçã, cereja e a linhaça) são alimentos que possuem estes fitoesteróis, cientificamente chamados de desreguladores endócrinos. Substâncias que podem alterar nosso sistema endocrinológico.

VAMOS AOS FATOS
Centenas de estudos já foram realizados para tentar avaliar a relação entre consumo de soja e alterações hormonais (telarca, puberdade precoce) em crianças, e nada se comprovou. Quando pesquiso na literatura médica, existe um ou outro "relato de caso" aonde se aventou esta possibilidade, mas sem qualquer alteração em níveis hormonais que se comprove isso.
Afinal, derivados de soja (AdeS e demais refrescos, assim como os leites de soja) não contém quantidades significativas de fitoesteróis a ponto de desregular nosso sistema endócrino. Bebês que tomam fórmulas à base de soja (NAN Soy, Aptamil Soja, etc.) também não tem alterações hormonais.
É preocupação permanente esta relação (soja x hormônios) e estudos são feitos permanentemente - assim como cobranças por entidades de direito do consumidor e indústria alimentar (nos EUA, ok?).

EM ADULTOS
Para tratamento da menopausa, usa-se a isoflavona concentrada - não in natura - o que tem efeito hormonal comprovado. Inúmeros estudos tem mostrado que o consumo de isoflavonas e fitoesteróis em nível terapêutico podem trazer benefícios para o organismo.
A soja torrada (tipo amendoim) também tem altas concentrações de isoflavonas, mas não conheço crianças que fazem seu uso regular.

De qualquer forma, minha conduta atual é liberar estes alimentos (AdeS e demais refrescos e leites de soja)  para o público infantil, sem preocupações. Mas de olho vivo, sempre.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Celular e câncer de cérebro - Postado por JairoLen

São tantas as notícias e propagandas pró e contra tudo que a hipocondria já está virando doença séria... Outro dia um pai de paciente me ilustrou bem isso: nem sabíamos, mas descobrimos que temos 12 problemas na boca quando um creme dental apareceu para solucionar estas 12 patologias... Pobres de nós, quantas doenças!!!

Em relação às novas doenças, o uso do celular preocupa bastante os pais, não só socialmente e economicamente, mas como causa de câncer de cérebro - o que já foi especulado e afirmado em diversos canais de notícias.

Um estudo bastante amplo, publicado no British Medical Journal, avaliou 350 mil pessoas durante 18 anos, todos usuários prolongados de celular (pessoas que passam muitas hora por dia com celular grudado no ouvido).
No estudo, pesquisadores da Sociedade Dinamarquesa de Câncer mostraram que não houve aumento de casos de câncer de cérebro nesta população em relação aos não usuários prolongados de celular nem com os índices de câncer de cérebro na era pré-celular.
Portanto, sem riscos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o monitoramento deve ser contínuo e não se deve descartar a possibilidade das ondas eletromagnéticas fazerem algum mal. A OMS, no início deste ano, classificou a radiação dos celulares como "possivelmente cancerígena para humanos", ainda que nada tenha sido comprovado.

Fácil de se concluir alguma coisa, não?

Dizem que na boca o celular faz mal mesmo: milhares de bactérias e a toxicidade da bateria de lítio.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Engatinhar - Postado por Jairo Len

Perguntas frequentes como "quando nosso filho vai começar a engatinhar?" ou "quais são os problemas para o futuro se meu filho pular a fase de engatinhar?" eu ouço todos os dias.
Para conseguir entender melhor os pais, com frequência eu apelo ao Google e procuro algum termo top-ten. Fiz isso com engatinhar. Poucas vezes li tantas asneiras - desta vez com assinatura de pediatras e psicólogos - falando sobre o tema.
Em sites com alguma credibilidade, inclusive, profissionais falando que é "fundamental" engatinhar, que "não se pode pular esta fase", e assim por diante.
Engatinhar não é fundamental, apesar de ser considerado por muita gente leiga (ou não) um critério maior do desenvolvimento, não é.
Manter-se sentado (entre 6 e 7 meses) ou ficar em pé/andar com apoio (10 ou 11 meses) é muito importante e uma criança que não faça estas coisas deve ser avaliada com critério, mas aqueles que não engatinham (10 a 20% das crianças) não tem qualquer atraso nem terão problemas no futuro - desde que os outros pontos do desenvolvimento estejam em dia.
Li um interessante estudo do Prof. David Tracer, antropólogo da Universidade de Denver, Colorado, avaliando bebês da Papua Nova Guiné, aonde nenhuma criança engatinha. Ele notou que elas são carregadas e colocadas no chão sempre sentadas, e muito cedo se estimula a andar. Todas andam sem engatinhar antes. Tornam-se hábeis caçadores e se locomovem perfeitamente pela floresta sem nunca ter engatinhado.
Tracer notou, através de suas observações, que engatinhar é um fator cultural. Não é inato engatinhar.

Portanto, esqueça a vizinha comadre e o compadre Google.
Engatinhar não é obrigatório.

Evoluimos (?) - agora somos bípedes

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pizza é verdura (Nos EUA) - Postado por Jairo Len

O Congresso norte-americano aprovou, ao votar nova lei orçamentária, a manutenção dos parâmetros nutricionais das merendas escolares, mantendo o molho de tomate da pizza como a porção diária de verdura.
Ou seja, a healthy food diária continua sendo o molho industrializado na pizza. Obama até tentou mudar a situação, propondo o dobro da quantidade de tomate - mas isso inviabilizaria a pizza, que nadaria em pomodoro. O Instituto Americano de Comida Congelada, por exemplo, não hesitou em atacar a iniciativa do governo. "Você basicamente faz com que uma pizza seja impossível de comer se colocar esse monte de molho nela, e as pizzas são uma parte importante do almoço escolar", declarou Corey Henry, porta-voz do instituto".
Batata - Os lobistas dos plantadores de batata também conseguiram manter a guloseima de forma chips com sal nas merendas, não obstante a tentativa de mudança por parte do Departamento de Agricultura.

Bizarrices à parte, esta discussão é fruto da política de subsídios à agricultura, há décadas, priorizando setores como trigo e batata...
O preço disso são 12,5 milhões de crianças obesas nos EUA. Claro que não às custas de merenda escolar, mas de uma alimentação farta, prática, muitas vezes baseada em alimentos industrializados e de alto teor calórico.

Pergunto sempre a meus pacientes que moram nos Estados Unidos como isso funciona na prática. Os brasileiros, por lá, seguem uma alimentação muito mais saudável que seus pares norte-americanos. Afinal, quem conhece os hipermercados de lá sabe que comida saudável não falta.
Realmente muitas merendas são à base de pizza, hot dog e comida mexicana, mas se a educação alimentar for boa em casa os estragos serão bem menores.

"Super saudável" - Olha quanto tomate.... (mas uma delícia, né?)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Recém-nascidos e temperatura - Postado por Jairo Len

Nos últimos dias recebi alguns e-mails e ligações sobre "como vestir o bebê" - certamente pais e mães em discordância sobre o quanto agasalhar recém-nascidos. Soma-se a isso o clima de São Paulo, com variações imprevisíveis na temperatura diária - temos amplitude térmica de 15º C em dias comuns, com mínima de 16ºC e máxima de 31ºC...
O quanto colocar de roupas e climatizar é motivo de discórdia entre o casal, isso sem contar quando as avós (100% friorentas) também opinam.
Bebês sentem o mesmo frio e o calor que nós adultos - eles já tem sensibilidade térmica e capacidade de regular a temperatura como a gente.
Nos primeiros meses de vida podem ter menos capacidade de adaptação a extremos, mas não estamos falando de deixar recém-nascidos na neve ou na sauna.
Acho que os bebês passam calor, em geral. Pelo menos na minha amostragem, muitos estão com excesso de roupa. Além do bebê-conforto, acessório de segurança fundamental que é um habitáculo, quente e não ventilado.
Sempre dou o exemplo na sala de consulta, num dia de temperatura amena: eu estou de manga comprida e avental, o pai de camisa polo, a mãe com uma malha bem fina...mas ninguém está com casaco de lã ou cobertor. Portanto...o bebê pode estar como um de nós...
Lembro sempre que as mãos e pés dos bebês são sempre frias - não servem de termômetro ou termostato.
O mesmo vale para a climatização de ambientes: guardados os cuidados em extremos e umidificação do ar, todos que moram num país tropical merecem uma temperatura regulada, com ar condicionado ou aquecedores, quando for o caso.
No quesito temperatura, bebês, crianças e adultos tem o mesmo direito.

Modelito adequado para países com neve, por exemplo...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Só sei que nada sei - Postado por Jairo Len

Sempre falo aqui no blog que o importante é MODERAÇÃO. Céu ou terra, oito ou oitenta... Isso não serve como modelo de saúde e bem estar.
Uma meta-análise publicada no American Journal of Hypertension mostrou que dieta com grande restrição de sal, apesar de reduzir a pressão sanguínea, aumenta os níveis de colesterol, gorduras e hormônios no sangue, além do risco de doenças cardíacas.
Na verdade, vale para quem não tem hipertensão. Para estas pessoas (não-hipertensos), a dieta com pouco sal aumentou em até 2,5% os níveis de colesterol e em 7% os triglicérides. Além disso, também houve aumento nos hormônios que regulam o nível de sódio (sal) no sangue, que são responsáveis por fazer o corpo preservar a substância no corpo ao invés de eliminar pela urina. E não reduziu a pressão arterial. Portanto, foi inútil.
De modo que tudo aquilo que se fala tanto sobre o sal não vale para todos.

O post na verdade não é para falar sobre hipertensão e ingestão de sal (mas fica a dica...).
Postei para relembrar que o importante é viver de forma balanceada, sem tantas restrições sem comprovação, sem exageros para cá e para lá - e isso vale para as crianças também.

E lembrar que muito mais importante do que o que entra pela nossa boca pode ser o que sai dela.

Liberou? Não...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Tapa na Bunda", o livro - Postado por Jairo Len

 Polêmica no mundo da psicologia infantil. O livro está dando o que falar.
"Tapa na Bunda - Como Impor Limites e Estabelecer um Relacionamento Sadio com as Crianças em Tempos Politicamente Corretos". A autora é Denise Dias, musicoterapeuta, pedagoga, psicopedagoga, especialista em psicossomática e possui experiências no Creative Children Therapy, Children’s Health and Educational Management Inc., United Cerebral Palsy of Miami, Jackson Memorial Hospital, Perdue Medical Center, na Flórida, Estados Unidos, com destaque no trabalho com crianças, adolescentes e adultos psiquiátricos, portadores de necessidades especiais e crianças que sofreram abusos físicos e sexuais. Não é pouco...

No livro, a psicóloga defende uma educação de resultados, "mesmo que sejam necessárias palmadas" (e não surras, como ela mesmo coloca). Afirma que os pais atuais perderam a noção de como impor limites aos seus filhos. "A obra pretende ajudar os pais que têm dúvidas sobre como impor limites e alcançar resultados eficazes, mostrando que existe uma divisão clara entre violência e respeito, agressão e disciplina. De acordo com a terapeuta, o maior problema é que as pessoas confundem o tapa com uma surra. 'Os pais de hoje sofrem por não ter a certeza de como agir como pais e pecam na permissividade', alerta".

É claro que já se pode ler, na internet, todo o tipo de comentário sobre o livro, obviamente a maioria contra. Aliás, salvo exceções, quem se presta a escrever livremente na internet geralmente é do contra, meio radical. Ninguém escreve para elogiar (eu escrevo!!!).

Na verdade, acho que o termo "tapa" não requer nem propriamente contato físico ou agressão. Educar necessita, sem dúvida, algum grau de autoritarismo. Conosco (agora adultos) foi assim, nos julgamos bem educados, de um modo geral. Como nossos pais (agora avós) foi assim.
Num mundo muito pior e inseguro, porque vai ser diferente com os filhos?
É claro que educar não tem uma regra básica, não existe one size fits all. Não há um livro (nem dezenas deles) que ensinem alguém a educar seus filhos.

Mas é interessante como todos nós reconhecemos crianças "mal-educadas" em qualquer lugar, e conseguimos relacionar elas ao modo de educar dos seus pais. Eu resumiria que falta de educação é não respeitar os limites do próximo, invadir. Mexendo que não deve, subir calçado aonde não pode, fazer barulho em locais inapropriados, correr no restaurante, bater e cuspir nos próprios pais, não respeitar de diversas formas os mais velhos, e assim por diante. E como vivemos em sociedade gregária, estas regras são importantes. Por favor e obrigado.
Obviamente educar é muito mais do que isso, mas essa é a ponta do iceberg. Valores são ensinados nas mínimas coisas.

O problema não é a palmada ou não. É educar ou não, achar que seu filho está fazendo "errado" ou não.
Exemplo prático: Se eu acho lindo uma criança de dois anos bater insistentemente a colher no prato, num jantar, em um restaurante silencioso, ela não terá a oportunidade de ser educada. Se eu acho que ela está fazendo errado, basta tentar educar, desviar a atenção, propor um passatempo silencioso, se necessário, a frase mágica "não faça isso" pode ser proferida. Tirar a colher, se necessário levantar e fazer algo mais interessante para a criança (óbvio!!). Enfim, educar.
E educar demora muito, anos, décadas. Cada fase com sua forma de educação.


Não é um livro recomendando palmadas que vai mudar a forma de se educar, mas o tema principal, a meu ver, é: eduque seus filhos, por favor. Alguns psicólogos sabem o problema que é não fazer isso.

Não é assim?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Shampoo Johnson & Johnson é cancerígeno? Postado por Jairo Len

Publicações na mídia norte-americana e por aqui no Brasil acusam a farmacêutica Johnson & Johnson de utilizar em seus shampoos as substâncias 1,4 dioxano e formaldeído.

De acordo com inúmeras instituições de pesquisa e controle cosmético (por exemplo, a safecosmetics.org e www.ewg.org), estes dois produtos químicos tem poder carcinogênico, e estão presentes em muitos shampoos infantis da marca.

A J&J se defende, com o seguinte texto, que retirei do site da própria empresa:
"Declaração sobre a formulação dos produtos JOHNSON´S® baby.
Os ingredientes usados na linha JOHNSON´S® baby, incluindo os conservantes que liberam traços de resíduos de formaldeído, têm o objetivo de proteger o produto da proliferação de bactérias nocivas. Estes conservantes são seguros e aprovados pelos órgãos regulatórios em cada país ou região onde os produtos são comercializados, incluindo Brasil, Estados Unidos, União Europeia e China. Alguns produtos podem conter formulações diferentes ao redor do mundo, e todos estão em conformidade com as premissas legais de cada órgão regulatório, bem como dentro dos padrões de segurança da empresa. Importante ainda esclarecer que, mesmo não representando risco à saúde e mantendo seu compromisso de sempre responder a demanda de alguns consumidores que vêm demonstrando preocupação sobre o formaldeído e o 1,4-dioxano em produtos de higiene pessoal para crianças e bebês, a Johnson & Johnson vem trabalhando na reformulação da sua linha de produtos JOHNSON´S® baby desde 2009. Com isso, a empresa assumiu o compromisso de reformular gradualmente os produtos que contêm essas substâncias em sua formulação. Já reduzimos globalmente o número de formulações contendo formaldeído em 33% e 70% dos produtos da linha baby foi reformulado em relação ao 1,4-dioxano."

O que eu acho?
Em uma era de tanta preocupação em produtos seguros para a saúde, orgânicos, carbono-zero, as indústrias farmacêuticas poderiam se preocupar mais com os ingredientes de suas fórmulas, mais ainda aquelas voltadas para crianças e recém-nascidos. Olhando nos sites especializados que eu listei acima, você pode ver que a cobrança em cima dos produtores não é de hoje, e as providências já poderiam ser tomadas.
Faça suas boas opções de compra, leia a composição (evite os produtos que contenham componentes PEG 80 e sodium myreth sulfato, por exemplo).

A liberdade de escolha foi feita para isso.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sarampo... - Postado por Jairo Len

Soube ontem, a partir de uma mãe cujos filhos estudam no mesmo colégio aonde houve um caso de Sarampo, que a criança de 5 anos que teve a doença não havia sido vacinada contra a doença.
Os pais, médicos homeopatas, sabe-Deus-porque, não achavam que sua filha precisava receber as doses da vacina.
Ou seja, por causa de uma decisão esdrúxula dos pais/médicos (não vacinar), a criança correu risco de morte (1:1000) e muitos adultos também.

Acharam, talvez, que ainda estavam em 1810, duzentos anos atrás, quando o pai da homeopatia, Samuel Hahnemann, escreveu o Organon, a grande obra deste tipo de medicina alternativa.

Nesta semana tive uma primeira consulta cujo ex-pediatra, antroposófico (???), também contra-indicou as vacinas. Os pais, ouvindo noticiários sobre meningite C (matando na Bahia), foram contra a teoria de homicídio-doloso do pediatra e vacinaram sua filha, que, a partir dos 7 meses de idade, iniciou a vacinação.

Eu acho que gente assim (os médicos) deveriam ser investigados pelo CRM, deveriam fazer cursos de reciclagem (hoje começa, inclusive, o congresso nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações) e se ainda mantivessem essa postura tacanha de contra-indicar vacinas do calendário oficial de imunuzações, devem ser afastados da profissão.

"Em que faculdade eu aprendi que não se deve vacinar?"

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sono X Obesidade - Postado por Jairo Len

Um estudo do Baylor College of Medicine Sleep Center, em Houston, Texas, mostrou que quanto menos um adolescente dorme, maior a sua chance de ser obeso.
O índice de massa corpórea dos adolescentes que dormem menos de 7 horas por dia é 4 a 5% maior do que aqueles que dormem mais do que isso.
A causa da obesidade está relacionada a dois hormônios, a grelina e a leptina, reguladores da fome e saciedade.
Obvio - No mesmo estudo ficou comprovado que dormir menos aumenta o sono durante o dia, de forma crônica, diminuindo o ânimo, o rendimento escolar, a prática de exercícios e aumentando o estresse, já básico dos adolescentes...
No estudo, houve grande melhora nos parâmetros físico e emocionais dos adolescentes que dormem, diariamente (2ª a domingo), mais de 8 horas noturnas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Bilinguismo - Postado por Jairo Len

Sou questionado todos os dias por pais preocupados com o tipo de escola em que seus filhos vão estudar. Na verdade, a maioria das dúvidas simplesmente é se a escola "deve" ser de educação bilíngue ou não.
Não vou entrar nas minúcias sobre a cognição e aprendizado linguístico, porque não sou especialista nisso.
Sabe-se que é muito mais fácil para a maioria das pessoas aprender uma língua antes de ser alfabetizada em outra. Ou seja, é muito mais fácil aprender inglês (falar e futuramente ler e escrever) antes de ser alfabetizado em português.
E o principal argumento que eu coloco para os pais, no momento de escolher uma escola, é simplesmente este: se seu filho vai falar inglês ou não com fluência no futuro.
Sei que é possível ter fluência frequentando cursos de inglês ou fazendo um intercâmbio, mas definitivamente é mais simples (no quesito aprendizado) sair aos 8 anos de idade falando e escrevendo em inglês e português.
Corroborando com minha opinião, li hoje uma pesquisa feita pela consultoria de recursos humanos Michael Page que somente um terço (33%) dos executivos brasileiros tem fluência em inglês. Para de ter ideia, a vizinhança tem a seguinte estatística: México = 52%, Chile = 46% e Argentina = 49%. Note que estamos falando de executivos, portanto podemos equiparar nosso nível sócio-cultural com estes outros países. Na Europa, acredito que cerca de 100% dos executivos, bem como a população com nível de escolaridade superior, saiba falar inglês. Vale também para os presidentes dos países, que, diferente dos nossos, não precisam tradutores (isso é uma tristeza, deveria ser obrigatório para um candidato a presidência ter inglês fluente).
Em relação à qualidade do inglês falado por aqui, o Brasil ganha do Chile, mas perde para Argentina e México.

Não se informou nestas pesquisas qual é o caminho que se deve seguir para a fluência em inglês. Acho que deveria ser uma preocupação de todos os pais que querem seus filhos em boas posições no futuro.
Não é obrigatório, claro, mas acho que a escola bilíngue é um destas respostas. O problemas ainda é qualidade (não basta batizar a escola com "dois nomes em inglês" para ela ser bilíngue de verdade), número de vagas e custo mensal, que ainda consegue ser 50 a 100% mais cara que as demais escolas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Menos tela, mais brincadeira - Postado por Jairo Len

A Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou anteontem uma nova diretriz/recomendação sobre o uso de aparelhos eletrônicos em bebês abaixo dos 2 anos, incluindo televisão, tablets (iPad) e smartphones - usados em 90% dos domicílios, segundo os estudos norte-americanos.

A recomendação? Evitar eletrônicos para bebês. "Screen-free", no termo usado pela AAP.

Segundo os experts, o uso destas formas de mídia não traz nenhuma vantagem cognitiva, além de "roubar horas" de brincadeiras mais importantes.
A Academia chegou a algumas conclusões, muitas delas bem óbvias, mas que a gente finge nem perceber:
- A maioria dos DVDs e programas indicados como "educacionais" para esta faixa etária não tem nenhum embasamento científico para se auto-entitularem assim.
- Brincadeiras não-estruturadas são mais importantes para o desenvolvimento cerebral do que programas eletrônicos, de TV ou DVDs.
- Crianças pequenas precisam e interagem melhor com seres humanos do que telas.
- Assistir um programa de TV com os filhos não faz mal, mas uma brincadeira é sempre mais instrutiva.
- Quando os pais estão assistindo seus programas na TV eles "esquecem" de interagir com seus filhos.
- Crianças abaixo de 2 anos com alta exposição aos aparelhos eletrônicos tem maiores dificuldades ao iniciar a escola,
- Assistir TV antes de dormir afeta negativamente a qualidade do sono.


O que eu acho?
Como em todas as conclusões da AAP, existe um "oito ou oitenta". Nem céu nem terra. É claro que, como uma orientação voltada a todos os públicos, é uma orientação correta.
Mas ainda não é a hora de crucificar o Baby Einstein e congêneres. É importantíssimo que as crianças brinquem e interajam, sempre se soube disso. Mas assistir programas voltados para a faixa etária ou cutucar um iPad com aplicativo específico para a idade não faz mal para nenhuma criança.
Tudo com horários controlados, sem usar estes eletrônicos como babá das crianças pequenas.

Não faz tão mal assim, mas não se esqueça de brincar bastante!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sling II - Postado por Jairo Len

Um dos meus posts mais comentados (e o que me fez não aceitar comentários anônimos) é aquele sobre sling.
Mais eu rezo, mais eu vejo assombração.
Recebi um e-mail sobre a "Semana Nacional do Incentivo ao Sling", um evento do BWB (Babywearing Brasil, a Associação Brasileira dos Carregadores de Bebê). Nada contra o evento, inclusive ele já aconteceu, no início deste mês. O sling não é proibido, portanto sua promoção, por parte dos interessados, é justa.
Mas, ao receber o e-mail, fui dar uma atualizada na estatística sobre o uso de sling em recém-nascidos, mais especificamente as mortes provocadas pelo seu uso. Mais uma vez fiquei impressionado com casos relatados na literatura médica e das associações médicas. Nem entrei em sites de busca médica. Dei um google com as palavras: sling, death. Faça o teste. De qualquer forma, resumo um pouco duas notícias achadas na busca:
Caso recente, na Austrália, um mês atrás. As autoridades alertam para o uso cauteloso do sling. Na reportagem, o caso de um menino de 2 dias de vida, acidentalmente sufocado pelo sling.
Outra história macabra, de uma criança de 7 dias, sufocada pelo sling no estacionamento de um supermercado: leia na reportagem da CNN.

Voltando às estatísticas: os americanos tiveram 14 casos de mortes de recém-nascidos causados pelo uso de sling nas duas últimas décadas. Três casos em 2009, e este caso acima, no estacionamento do Costco, em 2010.
O uso do sling deve ser muito responsável. Slings certificados, posições corretas, idades mínimas. Slings feitos de pedaços de pano e argola devem permanecer nas enciclopédias, relembrando a nossa época pré-histórica. Foram 15.000 recalls de slings, nos EUA no ano passado, por colocar a vida de bebês em risco. No Brasil, nenhum recall, mostrando que nossos produtos tem máxima qualidade... Pobres de nós...
Atenção às regras básicas de segurança...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sarampo em São Paulo? - Postado por Jairo Len

A Secretaria de Saúde de São Paulo investiga três casos suspeitos de Sarampo em São Paulo - todos em bebês abaixo de 1 ano de idade, no bairro do Butantã. Os resultados dos exames saem em 15 dias.
Primeira observação do dia: sugiro que enviem os exames ao DA, A+ ou Fleury: os resultados sairão em 48 horas. Se mandar pro Einstein ou Sirio, em 12 horas a sorologia fica pronta.

De qualquer forma, vamos ao que importa: a vacina de sarampo é aplicada nas crianças com 12 meses de vida. Antes disso, a proteção é pequena, só se dá pelos anticorpos passados pela gestação (não há passagem destes anticorpos pelo leite materno). Para alguém pegar Sarampo, precisa ter contato com outra pessoa com Sarampo, uma doença extremamente sintomática. Estes bebês não viajaram, portanto tem que ter pego aqui em São Paulo. Aonde não há relato de casos há mais de uma década. Se o Sarampo for confirmado nestes bebês, é uma epidemia. Acho difícil, mas não é impossível...

A última epidemia de Sarampo no Brasil foi em 1997, por falta da vacina, culpa do governo, incompetente. Foram 60 mil casos e 60 óbitos, confirmando a histórica mortalidade do Sarampo, 1 para 1.000 casos.
Incompetente também porque neste ano fez uma campanha revacinando crianças já vacinadas entre 1 e 5 anos, enquanto deveria manter toda a população, adolescentes e adultos, vacinados. Jogando vacina no lixo... Parece que o governo parte do princípio que todas as crianças estão com as vacinas atrasadas.
Tive alguns pacientes com 2 ou 3 anos de idade que receberam o reforço da vacina de Sarampo, no posto. Não precisava! Estavam muito bem imunizados. Porque não vacinaram os pais deles?

Enfim... Aguardemos os resultados da sorologia dos bebês. Em quinze dias sai.
Já falei deste assunto em junho de 2011, em outro post.

Recomendo que os adultos estejam com esta vacina sempre atualizada, recebendo doses de "MMR" a cada 10 anos.

O problema é de longa data...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ensinamentos - Postado por Jairo Len

Já que o assunto da semana foi Steve Jobs e sua famosa palestra, copio aqui o post de Tutty Vasques, colunista-humorista do Estadão. Achei excelente!

"Não tente repetir em casa" - por Tutty Vasques
Faltou alertar no obituário de Steve Jobs que nenhum jovem sem a mínima ideia do que quer fazer na vida deve tentar seguir, passo a passo, o exemplo do gênio da Apple. Tomar LSD, converter-se ao budismo, abandonar a universidade e se matricular num cursinho de caligrafia não faz de ninguém ícone da era digital.
Currículo de visionário não serve de receita de autoajuda para quem anda correndo atrás de luz própria na escuridão dos tempos. Converse a respeito com seu filho antes que ele resolva reinventar o futuro com uma viagem à Índia, como consta da biografia póstuma do mestre.
Quem já tem idade para estar com problemas no emprego também não deve deduzir que a demissão é o melhor dos mundos só porque Steve Jobs chegou a esta conclusão sobre sua saída da Apple naquele memorável discurso na Universidade de Stanford.
Por fim, mas não menos importante, cabe uma advertência especial a quem acha que educação vem de berço: encaminhar seu filho recém-nascido a adoção também não fará dele um legítimo Steve Jobs.
Fica do seu exemplo de vida um único ensinamento prático: procure alguma coisa pra fazer com amor! E boa sorte!

Não é a pura verdade? O único caminho que garante que a gente ter sucesso profissional é estudar bastante, com muito amor (dos pais e próprio).

A nuvem é para poucos...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Apps para recém-nascidos - Postado por Jairo Len

Steve Jobs deixou realmente um legado incrível para o mundo - se realmente ele é quem criou tudo isso, se foi só um idealizador, tanto faz. No momento, ele é o homenageado (e mesmo antes de morrer já era - teve reconhecimento em vida).
Para mim ele poderia também ganhar o prêmio Nobel da Paz - afinal, após Jobs, ficou infinitamente mais fácil viajar de carro ou avião com os filhos - nada como um iPad ou mesmo um iPhone para entretê-los em 9 horas de voo...
Dentro da seara da facilitação de vida, a Apple, além de outros milhares de aplicativos, disponibiliza alguns para o "controle" dos recém-nascidos. Coisas que a maioria das mães não escapa: anotar o horário das mamadas, quanto tempo em cada seio, eliminações, sonecas... Chega de livrinhos de anotações, planilhas impressas de excel, folhas soltas. Existem dezenas de aplicativos que fazem isso de forma simples e organizada, em geral de "free" a  U$ 4,99 cada um, versão completa.
Além de controlar o horário das mamadas e tempo em cada seio, alguns aplicativos fazem automaticamente o velho "diário do bebê" - aqueles recordatórios da primeira papinha, primeiro sorriso... com fotos e tudo. Já põe as fotos no Facebook ou Flickr para os avós de longe, faz gráficos de crescimento e assim por diante. Avisam também, com alarme, a hora da próxima mamada.
Há algum tempo já tenho falado com os pais sobre isso e recomendado. E estes apps já existem em sistema Android.
O Total Baby é um deles, já tive retorno, parece muito bom. Baby Log e o Baby Nursing, idem.
Mais simples e práticos, o iBaby Feed Timer e o Milk Monitor são boas opções.

Você vai ver que há dezenas destes aplicativos, basta dar uma busca com "breast feeding" ou "milk". A vida mais fácil, sem dúvidas. E mais interessante.

Como disse Jobs naquela famosa palestra para os formandos de Stanford, "stay hungry, stay foolish". Continue esfomeado, continue tolo. Como as crianças, melhor exemplo.

Total baby, facilitanto a vida...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mais Coqueluche - Postado por Jairo Len

Em 23 de agosto postei sobre Coqueluche aqui no blog, alertando para o aumento de casos nos últimos anos e a necessidade dos adolescentes e adultos serem vacinados.
Pânico - Hoje no jornal li uma reportagem sobre o Instituto Butantan, que está desenvolvendo uma vacina "realmente eficaz" contra a coqueluche, porque a vacina disponível atualmente "não protege adequadamente crianças mais novas".
Não sei exatamente se é por falta de notícias ou ignorância, mas o texto da reportagem gera uma preocupação desnecessária. A vacina é bastante efetiva (ainda que não 100%), mas em conjunto com outras medidas, como vacinação dos pais e cuidadores, além de irmãos vacinados adequadamente, protege muito bem os recém-nascidos.
Não se deve ignorar algum adulto tossindo há mais de 15 dias... "É o clima de São Paulo" não é desculpa. Todos temos que nos cuidar, procurar saber se existe uma causa para a tosse. Coqueluche, Micoplasma, Tuberculose, Pneumonia, Sinusite... (parece a música dos Titãs, "O Pulso"...).
Lembro que a vacina tríplice adulto (contra Difteria, Coqueluche e Tétano) está disponível em todas as clínicas particulares de vacinação. Vacine-se.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Jantares contra as drogas - Postado por Jairo Len

Um relatório do The National Center on Addiction and Substance Abuse, nos Estados Unidos, mostra que o hábito dos pais de jantar com os filhos adolescentes reduz de forma importante o uso de diversos tipos de substâncias, como maconha, álcool e tabaco. Idealmente deve-se jantar junto pelo menos cinco vezes por semana.
Nas estatísticas norte-americanas, o índice de redução de abuso foi:
- Maconha: diminuiu 2,5 vezes
- Tabaco: diminuiu 4 vezes
- Álcool: 2 vezes menos
E ainda diminui em quatro vezes a idéia de usar drogas no futuro.

Mais interessante que o próprio artigo, a meu ver, é essa característica norte-americana de conseguir estatísticas para tudo - e sempre com alguma intenção a favor da saúde: para se ter uma idéia rápida da complexidade deste estudo sobre jantares em família, segue o link (em pdf, o resumo): The Importance of Family Dinners

É importante, mais do que você pensa...

domingo, 18 de setembro de 2011

Uso de maconha e câncer de testículo - Postado por Jairo Len

Muitas vezes procuro postar aqui no blog informações que possam servir de argumentos em uma discussão destes assuntos que, às vezes, parecem sem fim.
Já me vi conversando com gente tentando que convencer que o uso regular de maconha não faz mal nenhum, que é melhor do que cigarro, etc..
Um estudo recente mostrou que de cada 100 homens com câncer de testículo atendidos no ICESP (Instituto do Câncer de São Paulo), 25 são usuários regulares de maconha. Na população geral o número de usuários regulares de maconha é de 3%.
Ou seja, o uso de maconha regularmente aumentou muito o risco de desenvolver o seminoma, câncer mais freqüente nos testículos.
Acredita-se que a Cannabis sativa atua no sistema hormonal de forma importante, com alterações nos hormônios cerebrais reguladores de todo o sistema reprodutor.

Portanto, mais um efeito adverso da droga.
Particularmente sou contra a legalização da maconha e de quaisquer outras drogas, e vejo neste estudo mais um argumento importante.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Bob Esponja faz mal?- Postado por Jairo Len

O estudo não é dos mais amplos, mas confirma o que eu já imaginava: crianças abaixo dos 4 anos podem apresentar problemas de concentração e aprendizado após assistirem 10 minutos de Bob Esponja... Foram avaliadas 60 crianças, por pesquisadores da Universidade de Seattle. O artigo é tema de editorial do Pediatrics, a revista mais importante em pediatria no mundo.

Para não dizer que é cisma com este desenho animado chatísimo (que já assistiu sabe do que estou falando), seguem as palavras do porta-voz da Nicklodeon, David Bittler, ao contestar o estudo:
"Bob Esponja é destinado a crianças de 6 a 11 anos."

Não foram avaliadas crianças desta faixa etária para saber se dois anos depois Bob Esponja não é mais prejudicial.
Mesmo sem movimento e barulho, é esquisito...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Reflexões da Maternidade - Postado por Jairo Len

Livre-arbítrio.
Pelo Aulete: "Capacidade e poder de decidir livremente, sem coação..."
Pelo Houaiss: "Poder de decisão livre, sem constrangimento ou coação exterior"
Sempre fui e sou a favor desta filosofia, principalmente para pessoas crescidas. Exprimo sempre o que penso aqui no blog.

Recebi ontem um e-mail de uma mãe, com um link, bem interessante. Um filme de pouco mais de três minutos, bem rápido e marcante.
Opiniões de mães sobre a maternidade, sobre seus sentimentos, sobre ser mãe, sobre o que diriam para si mesmas se voltassem no tempo, antes de ter o primeiro filho.
Em cartazes, para nenhum chato retrucar e dizer: "eu não concordo"...

Assista: Reflections of Motherhood

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Parece milagre? Cuidado - Postado por Jairo Len

Coisas que só acontecem no Brasil (e congêneres em IDH)...
O Victoza (liraglutida) é um medicamento injetável, indicado para tratamento e controle do diabetes tipo 2. Já vinha sendo usado, aqui no Brasil, como medicamento para emagrecimento, mesmo em pessoas sem diabetes tipo 2.
Não bastasse, a revista Veja, num arroubo de "Dieta Já", "Corpo", "M de mulher", publica uma reportagem de capa enaltecendo os milagres que o Victoza pode fazer. "Praticamente sem efeitos colaterais".

Não vou fazer comentários a respeito da ética da revista... Quem conhece a Veja imagina que foi só um surto esquizofrênico, que trocaram as matérias com alguma outra revista da editora.

O importante é que as pessoas tenham muito critério em usar a liraglutida. Principalmente os médicos que estão prescrevendo para qualquer obeso.
Nos anos 70-80, o hit para emagrecer era o Triac, um análogo do hormônio tiroideano. Milhares de pessoas usaram, emagreceram, e viram suas tiróides parar de funcionar anos depois. Ah!! Engordaram bastante, de novo.

O raciocínio é básico: um medicamento injetável que serve para tratar diabetes e emagrece alguém que não está de regime deve ser bastante potente e alterar bastante todo o metabolismo endocrinológico. Parar de usá-lo após alguns meses deve trazer alguma reação... Engordar de novo? Ter o metabolismo da glicose alterado? Alterações na produção de insulina? Diabetes tipo 2?
O Victoza não tem seu uso aprovado em nenhum lugar do mundo para emagrecer não-portadores de diabetes. Aqui no Brasil, a exemplo de outros medicamentos, foi só chegar e ser vendido à toa, sem qualquer indicação, e ser usado por quem queira...

A meu ver:
- a ANVISA deveria ser muito rigorosa, mantendo sua prescrição exclusiva aos endocrinologistas, e com controle estreito (receita B2)
- os médicos que estão prescrevendo para "qualquer um", devem lembrar que são médicos. Usar um medicamento potente sem indicação é imperícia e imprudência.
- O Conselho Federal de Medicina deveria orientar estes médicos e também fiscalizá-los,
- os obesos que estão usando o medicamento, pensar no futuro e imaginar que em obesidade "there's no free lunch"...
Para quem não viu, a capa da Veja, num arroubo de revista de 2ª linha

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Partos induzidos - Postado por Jairo Len

Mais um estudo da OMS mostra como os riscos aumentam em se fazer um parto induzido, sem que haja necessidade. Neste estudo, realizado em quase 38 mil partos na América Latina, focou-se nos partos induzidos por solicitação da própria gestante, o que ocorreu em 5% dos casos. Ou seja, a grávida chegou para o obstetra e disse que "está na hora". Sem contrações, sem indicação obstétrica. E o médico fez a indução.
Nestes 2 mil partos, houve claramente maior risco de necessidade de anestesia de urgência, três vezes mais risco da mãe ir para a UTI e risco de cinco vezes mais da realização de histerectomia pós-parto.
Para os recém-nascidos, não houve aumento de riscos, de um modo geral, mas houve 22% de lactação retardada, por inúmeros fatores.
Há enormes viéses nestes dados - e para mim o primeiro deles é a qualidade do obstetra, inicialmente não tendo nem capacidade de convencer sua paciente que "este" não é o momento certo para o parto.
Obviamente, a recomendação da OMS é que indução de parto seja feita somente em casos justificados por razões médicas.

Muitas Cesáreas

Lá na Clínica o índice de partos cesáreas, dos recém-nascidos que chegam a mim, é de 80%.
Só 20% são partos naturais. Os motivos das cesáreas são os mais varáveis possíveis...

O que costumo dizer é que, independente da via de saída, existe o momento certo para se nascer. Salvo indicação obstétrica, as mulheres deveriam, todas, entrar em trabalho de parto - sinal que o bebê precisa e está pronto para nascer.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Poliomielite pós-vacinal - Postado por Jairo Len

Eu sempre falo no assunto...
Vacina contra poliomielite, ao menos nas primeiras doses, tem que ser inativada (a intramuscular, IPV - Vacina Inativada contra Poliomielite).
"E a do Posto, não é boa?" . Não, não e não.

Notícia que leio há pouco:
Criança de 1 ano está com suspeita de paralisia pós-vacinal em MG (link: Folha.com).


A vacina que é aplicada por via oral nos menos favorecidos economicamente, aqui no Brasil (aqueles que infelizmente não podem pagar pela cara vacina Hexavalente) é composta por vírus vivos e atenuados de poliomielite. Estes vírus vivos, de forma muito rara, podem causar a doença - Paralisia Infantil - nos bebês que a recebem (a famosa gotinha Sabin).
Só existe essa possibilidade nas duas ou três primeiras doses - depois disso, nos reforços, não há mais risco. Trinta e seis países do mundo já aboliram a vacina Sabin dos calendários e campanhas de vacinação, com medo deste efeito adverso raro e importante.

No Brasil, há planos futuros para abolir a Sabin, usando só a IPV. Não se sabe exatamente quando. Segundo o nosso ministério da saúde, entre 1989 e 2003 foram registrados 40 casos confirmados de poliomielite associados à vacina oral.
Coitada de Sidnéia Teixeira, mãe do menino mineiro, que com 1 ano e 4 meses ainda não consegue ficar de pé. Imagina o apoio que ela está tendo?

Dinheiro público não falta, não há necessidade de CPMF, basta desviar um pouco da roubalheira petista-peemedebista que a gente lê nos jornais diariamente. Com o valor de um mega-apartamento nos jardins, aqui em SP, por exemplo, você vacina centenas de milhares de crianças. Com o valor do cadastro-fantasma de torcedores, farra promovida pelo ministério dos esportes, idem (não leu? leia aqui).

Salve-se quem puder.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pintas - Postado por Jairo Len

As pintas são lesões de pele que podem aparecer desde o nascimento (nevos congênitos) ou que podem aparecer durante a vida toda (nevos adquiridos). O que faz uma pessoa ter pintas é a genética, principalmente.

A grande maioria dos nevos é benigna, não trazendo qualquer risco de malignidade. Porém, algumas transformações que as lesões sofram podem indicar malignidade.
Existe uma regra para a avaliação e seguimento das pintas, dando indícios de sua evolução para malignidade - é a regra do ABCD:
A - assimetria - se a lesão for ou começar a se tornar assimétrica (e não redondinha).
B - bordas - se as bordas da pinta tem irregularidades e mudanças de coloração.
C - cor - diferentes cores num mesmo nevo (variando de cor da pele até negro).
D - diâmetro - acima de 6 milímetros.

Os nevos que coçam ou formam feridas também tem maior importância.
Pintas com estas características merecem avaliação de um dermatologista e a realização de uma dermatoscopia, um exame que avalia detalhadamente estes fatores, dando scores para cada pinta e sua necessidade de remoção.
Um pinta pode evoluir (com baixíssima frequência) para um câncer de pele, como um melanoma - que é extremamente agressivo. Por isso, o cuidado deve ser constante.

Outros fatores que inspiram cuidados:
- Ter mais de 50 pintas
- Histórico familiar de câncer de pele
- Muita exposição solar antes dos 30 anos de idade
- Ter algum nevo melânico gigante congênito (com mais de 15 cm)
- Pintas em região de atrito (palma de mãos e pés)

Já as sardas são diferentes das pintas e não tem risco de se tornar malignas. Mas refletem uma característica de pele sensível, com maiores chances de sofrer os malefícios da exposição solar e malignidade de outras lesões de pele.


Nevo de 1 cm, assimétrico, bordas mal definidas e com múltiplas colorações: esse deve ser bem avaliado.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Genéricos - Postado por Jairo Len

Diariamente mães e pais me perguntam:
- O que você acha dos medicamentos genéricos? Confia neles?
Recente pesquisa mostra que metade dos médicos brasileiros não prescreve medicamentos genéricos, por não ter certeza da eficácia deles.

Vou expor a minha visão do assunto.
Remédio é coisa séria. Quando prescrevo um antibiótico para tratar uma pneumonia, ele (o antibiótico) sem dúvida é a parte mais importante do tratamento. Se algo der errado, o culpado serei eu, certo? Portanto não pode haver, no meu tratamento, nenhum viés. Confio no raio X (é uma imagem, eu vi), confio que a mãe está dando o antibiótico, e tenho que confiar, muito, neste medicamento.
Analogia
Para ilustrar este raciocínio (confiança), sempre dou o seguinte exemplo para os pais:
Imagine que o governo criasse a linguiça genérica. Frigoríficos terão isenção de impostos e fabricarão linguiças por um terço do preço.
Você compraria uma linguiça genérica fabricada pela Sadia, certo? E se fosse a linguiça genérica fabricada pelo "Zé do Porão", você compraria?
Porque não??? O governo jura que fiscaliza!
Com antibióticos e quaisquer outros medicamentos, o raciocínio é o mesmo.
Temos que confiar muito no fabricante, no laboratório produtor.

Em crianças raramente temos tratamentos a longo prazo, aonde, a meu ver, os genéricos de boas marcas podem ser usados. Quem usa medicamentos para o colesterol, pressão, e demais coisas mensuráveis a longo prazo, pode fazer seu controle e ver se o genérico tem funcionado.
Mas eu, para tratamentos de infecções, não qualquer genérico. Se tem marcas que eu confio, ok. Caso contrário, de forma alguma.

Mais um agravante, na pediatria: alguns genéricos são intragáveis, as crianças não tomam por causa do gosto ruim.

Quais são as boas marcas, os genéricos confiáveis?
Por motivos éticos, não posso listar aqui as marcas que eu confio ou não. Isso é subjetivo demais, vem de experiências pessoais, de tratamentos que não funcionaram, de remédios intomáveis, e relatos de pacientes. Cada médico e cada paciente tem suas preferências, e isso deve ser discutido no momento da prescrição.

E se for genérica, você "esprimenta"?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Coqueluche - Postado por Jairo Len

A coqueluche é uma das doenças mais importantes que pairam pela humanidade. Existe e é descrita há séculos (primeiros relatos no século 16), e ainda é incidente nas "melhores famílias". No mundo, são relatados 48 milhões de casos novos anualmente.
A causa é uma bactéria, a Bordetella pertussis, e o principal sintoma é a tosse (whooping cough - tosse comprida), em crises, levando a falta de ar e insuficiência respiratória.
Recentemente tivemos, lá na Clínica, um caso confirmado e um fortemente suspeito. Dois bebês com menos de dois meses de idade. Nesta faixa etária a doença é importante.
As crianças recebem a vacina a partir dos 2 meses de idade, ficando protegidas, por conta dos reforços, até os 12 anos. A vacina é a tríplice - DTP - aonde o P é de pertussis. Aos 12 anos os nossos pacientes adolescentes recebem um novo reforço, através da DTP adulto.

Mas os bebês até os dois meses estão sem defesas para a coqueluche, que pode ser adquirida dos adultos (pais, avós e cuidadoras) - porque nestes adultos o quadro clínico pode ser mais brando e arrastado, ficando meses com a doença, sem diagnóstico.

O objetivo deste post é lembrar que esta vacina - a DTP adulto - é importante de ser aplicada nos pais, babás e enfermeiras - tanto para a proteção individual como forma de proteger os recém-nascidos. Em alguns estados (norte-americanos, claro) já faz parte do calendário vacinal das grávidas e do pai.
Além disso, a vacina protege contra o tétano.

Você se lembra de quando recebeu a última vacina contra coqueluche e tétano?

Já viu este cartaz em português? Será que o Ministério da Saúde do Brasil está preocupado com a coqueluiche?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Dores de crescimento - Postado por Jairo Len

Uma das queixas mais comuns na clínica pediátrica são as dores nas pernas.
Na maioria das vezes, as causas de dores em membros inferiores são absolutamente benignas - e a mais comum destas dores é a "dor de crescimento". O nome é considerado incorreto, mas foi dado há 170 anos e assim se mantém.

Estas dores tem algumas características típicas:
- Ocorrem em crianças entre 2 e 12 anos (pico entre 4 e 6 anos),
- No fim da noite ou na primeira metade do sono (mais comum),
- Nas pernas: coxa, canela e panturrilha,
- Fazem a criança acordar,
- Em geral você chega e seu filho está esfregando a mão na área que doi,
- Não acometem as articulações,
- São de rápida duração, entre 10 e 30 minutos,
- Melhoram antes do Tylenol ou Alivium que você deu fazer efeito...

Não se sabe exatamente o que causa estas dores. Algumas teorias falam do impacto sofrido durante o dia, outras que é o periósteo (camada que reveste o osso) sendo esticado pelo crescimento ósseo. Na verdade, a causa não importa muito, porque se trata de algo benigno e transitório, sem qualquer tipo de sequelas.

O que fazer nas crises de dor?
- Massagear o local com as mãos, e eventualmente passar algum daqueles cremes anti-inflamatórios ou mentolados (tipo Cataflam gel, Gelol, Arnica, entre outros). Se as crises estão sendo diárias, estes cremes podem ser utilizados antes de dormir,
- Analgésicos por via oral, dependendo da intensidade da dor,
- Conversar muito com a criança e explicar que se trata de coisa benigna.

Apesar de ser uma dor simples de ser diagnosticada, quando estas crises se iniciam é interessante a avaliação do pediatra (ou do reumatologista pediátrico ou do ortopedista) para se afastar quaisquer outras doenças dos membros inferiores.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Estalar os dedos faz mal? - Postado por Jairo Len

A pergunta é frequente: estalar as articulações faz mal?
Recém-nacidos estalam, crianças e adolescentes se estalam, adultos pagam para ser estalados (pelos quiropatas). Não, não faz nenhum mal.
Os estalos tem algumas causas. Tem a ver com a cápsula que reveste as articulações, que assim como uma garrafa pet, fazem barulho quando mobilizadas; tem a ver com bolhas intra-articulares que são estouradas (como um plástico-bolha).

Este movimento, desde que seja feito de forma suave, não traz problemas. Não causa artrite ou artrose, não engrossa os dedos.
É claro que movimentos que forcem os tendões e cápsulas articulares, de forma repetitiva, podem lesionar, estalando ou não - são as lesões por esforço repetitivo. Estalar bruscamente o pescoço pode causar estiramento muscular e torcicolo, e assim por diante.
Para muitos, o movimento que faz estalar também alonga e relaxa a musculatura adjacente, trazendo conforto.
Conclusão:
 Irritante ou não, alguém que se estala o dia inteiro não está se mutilando.

Assim vai dar torcicolo...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Aonde seus filhos dormem? - Postado por Jairo Len

De uma mãe super-atenta, recebi nesta semana um e-mail muito interessante. Apesar do nome do post, não falarei sobre insônias e parassonias.
Em um livro, o fotógrafo James Molisson mostra diversos quartos (e outros locais) aonde as crianças dormem, ao redor do mundo. Além de mostrar a diversidade humana do planeta, faz a gente ver que nossos filhos dormem em palácios.
Clique no link, aumente as imagens, vire as páginas, sinta-se um rei.

Where Children Sleep

Bom fim de semana!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Menarca precoce: uma realidade? - Postado por Jairo Len

É um fato que a idade da menarca (primeira menstruação) vem diminuindo nas últimas décadas. Em 1800, a idade de menarca era entre 16 e 17 anos. Em 1970, 13 anos. E a média mundial atual é aos 12 anos.
Que fatores tem contribuído para esta mudança?
Alguns deles são decorrentes da própria melhora dos índices de saúde. Com mais vacinas e menos doenças, as meninas tem uma infância saudável, sem complicações e agravos na saúde, importantes na idade da primeira menstruação. Meninas que tem doenças crônicas ou frequentes tem menarca atrasada.
O aumento da massa corporal no decorrer dos anos é outro fator: existe um peso mínimo para a menarca (em geral, 35 kg), e as meninas atingem este nível mais cedo, permitindo, se houver hormônios, a menstruação.
Os hormônios presentes nos alimentos (carne, frango) vem sendo aventados como causa de estímulo estrogênico, mas ainda não há comprovações que este fator altere a idade da menarca.
Inúmeros estudos mostram que quanto menor o nível sócio-econômico, mais cedo se dá a primeira menstruação. Um estudo feito na favela de Paraisópolis (em São Paulo) mostrou que as meninas que convivem com estímulos visuais eróticos (pai, mãe e filhos dormindo no mesmo cômodo...) tem menarca mais cedo que as outras.

Ainda que exista um viés importante, também se comprova que as meninas que "cuidam" da casa, como se fossem suas mães, podem ter a primeira menstruação mais novas. Cuidam dos irmãos mais novos, "vestem" o papel de mãe muito cedo.
O estímulo erótico presente em danças, televisão e novelas já é tido como fator de precipitação da descarga hormonal em meninas e meninos.

Fisiologia - Nas meninas, podemos considerar normal o aparecimento do broto mamário a partir dos 8 anos de idade. Ma,s sempre que ocorre entre 8 e 9 anos de idade, devemos prestar atenção se a puberdade não está evoluindo de forma rápida demais.
Aos 10 anos, considera-se absolutamente normal.
Entre o aparecimento dos brotos mamários e a menarca, em geral temos dois anos de intervalo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A boneca que mama no peito - Postado por Jairo Len

O título do post é literal. Nos EUA, foi lançada uma boneca que mama do peito das suas "mamães" (em geral, meninas de 3 a 10 anos). Polêmica em níveis superiores.
No kit da "Breast Milk Baby", uma camiseta para a menina vestir, que na altura das mamas tem um sensor: assim que a boneca é colocada lá, começa a sugar.
Eu não compraria uma destas para a minha filha.
Imagine que as discussões, por lá, chegaram aos programas de entrevistas na TV. O representante da marca que produz as bonecas defende que, no lugar de mamadeiras, "este é um modo natural das meninas cuidarem das suas bonecas/filhinhas". "Além de não desestimular o conceito de aleitamento materno quando as meninas oferecem mamadeiras às bonecas" (é para rir ou chorar? Xiitas da amamentação, quero ouvi-las!!!!).
Felizmente todos os formadores de opinião nos EUA, lúcidos, acham que este tipo de boneca estimula a sexualidade das meninas e põe a carroça na frente dos bois. Brincar é a coisa mais importante que uma criança pode e deve fazer, mas tudo tem limites. Imagine a Berjuan (fabricante da boneca) criando os papais e mamães da boneca, e o modo como eles se reproduzem para ter a bonequinha. Interativo...


Olha que gracinha...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Chá - Postado por Jairo Len

Dúvida frequente: "Posso dar chás prontos para meus filhos?". Entende-se por chás-prontos aqueles industrializados que você compra em lata ou embalagens longa-vida - em geral chás verdes, mate, brancos, amarelos, light ou não, aromatizados, etc...
Chás naturais, feitos em casa, sem cafeína (camomila, erva-doce, cidreira...) são ótimos e não tem quaisquer restrições. Preferencialmente, sem açúcar.
Já os chás-prontos, alguns inconvenientes:
- Em primeiro, estas bebidas, além do extrato da erva, contém alguns aditivos químicos, como acidulantes, antiespumantes, conservantes, estabilizantes, aroma sintético e antioxidantes.
- Os light, contém edulcorantes artificiais (que em pequenas quantidades são inofensivos). Os normais, contém açúcar.
- Chás verdes, brancos, vermelhos, preto e mate contém, naturalmente, cafeína. A cafeína é um neuro-estimulante e, se consumida rotineiramente, diminui a absorção de cálcio pelo organismo.
- Assim como refrigerantes, o consumo de quaisquer bebidas com sabor, às refeições, aumenta a ingestão de outros alimentos - por manter as papilas gustativas sempre limpas. Sabe aquele "sorbet" que se serve, em jantares chiquérrimos, entre os pratos? É justamente para isso, limpar as papilas gustativas.

"Posso ou não posso dar?"

De vez em quando, sem problemas. Assim como os néctares prontos (vulgo suco de caixinha) e quaisquer alimentos industrializados, o consumo eventual não traz qualquer problemas. Na rotina do dia-a-dia, água é bem mais saudável.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Fim de férias - Postado por Jairo Len

Após duas semanas sem escrever, volto a postar.Nas férias de julho, principalmente após os primeiros 10 dias, os pediatras diminuem suas prescrições de antibióticos em 90%. As infecções desaparecem...
Neve para alguns, 42ºC de temperatura ambiente para outros, piscina e mar durante horas, sorvetes, ar condicionado, sol escaldante, água gelada, mãos nem sempre muito limpas, sujas de terra. Aeroportos lotados e voos prolongados em aviões, aonde a umidade do ar é de 5%...
Mas as crianças voltam saudáveis!

O que causa doenças infecciosas?
É evidente que em período de aulas o índice de infecções aumenta, naturalmente. Não tem como... Mas se mães e pais forem responsáveis, deixando seus filhos com febre se recuperando em casa (e não convalescendo na escola) já ajuda muito.
A disseminação das doenças infecciosas em crianças tem grande responsabilidade dos pais e de escolas que permitem crianças doentes em contato com as demais.
Lembre-se disso, cobre da escola a parte dela.

Descobrimos também em julho que:
- A dieta do brasileiro é pobre em frutas e legumes,
- Crianças e adolescentes que usam muito o celular não tem risco aumentado de câncer de cérebro (publicado no "Journal of the National Cancer Institute"),
- O uso de drogas é um sério problema, e mata (aproveite a morte de Amy e mostre para os filhos o que as drogas fazem...),
- O stress materno durante a gravidez afeta a criança/adolescente por toda a vida, do ponto de vista hormonal, físico e mental (estudo da Universidade de Konstanz, na Alemanha),
- E, finalmente, um estudo do British Medical Journal mostra que é um mito a velha lenda que devemos tomar dois litros de água por dia. O nosso organismo tem um excepcional mecanismo de regulação da necessidade de água, chamado sede. Quando temos sede, devemos beber água. Não precisa forçar... O estudo ainda lembra que são usadas, por ano, 500 milhões de toneladas de plástico para a produção de copos e garrafas descartáveis. Caso queira oito a dez copos de água por dia, use copos e garrafas reutilizáveis...

Fim de férias, de volta para baixo das núvens...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Vende-se Leite Materno - Postado por Jairo Len

O assunto é curioso e polêmico.
Nos Estados Unidos, mães vendem seu excedente (ou não?) de leite materno, até pela internet.
Quer comprar? Visite o site da Only The Breast (www.onlythebreast.com) e por U$ 2 ou 3 você leva 30 ml de leite materno para casa.
Em breve, talvez, possamos comprar sangue humano ou medula, diretamente do produtor. Ou, quem sabe, um rim e um naco de fígado ou pele na própria casa do produtor...

Este debate, infindável, é mais uma forma de pressão sobre as mães que não conseguiram amamentar (por seus diversos motivos, como um câncer de mama, por exemplo). Acho que o aleitamento materno no seio da própria mãe (!!!) deve ser estimulado ao máximo, individualmente, com orientações, aparelhagem, remédios galactogogos e muita paciência.
Se não der certo (o que acontece), temos inúmeras fórmulas lácteas disponíveis e de excelente qualidade para substituir.
O leite materno, para ser utilizado por outra criança ("amamentação cruzada") necessita ser pasteurizado, e a doadora deve ser monitorizada, em vários aspectos, tanto sociais como infecciosos. Não é simples. Há necessidade de muita ética ao se usar "fluídos" e "tecidos" humanos em terceiros.

Quando a polêmica xiita sobre "amamentar" surge, acho o fim da picada. Certamente você já ouviu alguém chatear alguém sobre este assunto. "Como??? Você não amamentou???? Noooossssaaa....!"
O assunto da venda de leite materno me incomoda mais sobre este aspecto.

Uma vez dei uma entrevista para uma jornalista, que publicou uma matéria sobre a comparação de nutrizes com vacas, com o título "A pressão de ser uma mãe vaca". Se ler esta reportagem, vai ver que está excelente, bem escrita e clara. Mas você não imagina o número de comentários da reportagem e e-mails que eu recebi, xiitas e ofensivos, sobre o conteúdo. Imagine a jornalista...

Gostaria que estas mesmas pessoas comentassem sobre a venda de leite materno pelas mães. Múúúúúuuuuuuu.....

A polômica não tem fim, nem a cobrança.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Educação e exemplos - Postado por Jairo Len

A seara de "como educar os filhos" é um assunto infindável. Diariamente converso muito sobre isso com os pais, lá na Clínica. Reitero sempre que não há uma forma exata de se educar (traduzo essa frase de uma em inglês, que diz "There is no one size fits all").
Existem alguns pilares que todas as famílias deveriam seguir, mas os detalhes do amadurecimento de cada criança depende muito de como cada pai foi criado.
Procuro - além da experiência do dia-a-dia - ler bastante sobre o assunto.

Recebi anteontem, de uma mãe (plugada, que foi bem educada pelos seus pais, e que me parece educar da forma certa seu filho), um texto bem interessante, da Revista Época.
No texto, a jornalista Eliane Brum coloca alguns pontos importantes (e que você certamente vai se ver de alguma forma neles) que merecem nossa atenção.
Mais do que soluções, o artigo põe questionamentos para os leitores. As soluções dependem de cada um de nós.

Como é um artigo livre, coloco aqui o link:
"Meu filho..." - Eliane Brum.

(Os comentários dos leitores da matéria, no site da Época, são muito interessantes e mostram o tamanho da controvérsia em educação)

Boa leitura!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cinetose | Enjôo de Movimento - Postado por Jairo Len

Nas férias - mesmo fora delas - uma das queixas comuns dos pais é que seus filhos ficam enjoados, tontos, vomitam, suam frio e tem mal-estar durante as viagens de carro, navio ou avião.
Estes sintomas caracterizam a cinetose (o nome vem do grego kinetos = "movimento").
Mesmo a simples sensação de movimento (como os cinemas 180º) pode causar estrondosas cinetoses. Uma apresentação de power-point com imagens indo de um lado para o outro, idem.

A cinetose é uma doença benigna e chata, porque algumas crianças chegam a vomitar em trajetos curtos e sem muitas curvas, como da casa para a escola. Em estradas tortuosas e passeios de barco, é inevitável para muitos. Montanhas-russas e demais brinquedos girar-gira, idem.
Não se sabe exatamente a causa deste problema, mas tem relação com os líquidos que regem nosso equilíbrio: de dentro do ouvido (os populares "labirintos") e os oculares. Chacoalhou, enjoou.

Como evitar a cinetose?
- Em primeiro lugar, sendo possível, ingerir pouco ou nenhum alimento ou líquido antes da viagem.
- Olhar para a frente, para o horizonte, ajuda.
- Ler ou jogar joguinhos no carro é causa certeira de cinetose.  Algumas crianças enjoam de asistir DVD no carro.
- Em barcos (doce problema) sentar sempre de frente, olhando para frente. Nos barcos, ficar em pé pode ajudar. Em ônibus ou avião, piora.


Tratamento da cinetose - Mesmo com todas as medidas de prevenção, a maioria das pessoas que tem cinetose passam mal em movimento. Algumas medicações de venda livre ajudam muito a prevenção (como todos os remédios, a orientação deve ser feita por um médico):
- Dimenidrinato (conhecido por todos, é o Dramin): seguro e eficaz, sendo que na versão "B6" não dá sono. Nos EUA você encontra de todas as formas possíveis (mastigáveis, fitinhas, gomas...)
- Meclizina: também é ótimo, inclusive eu (que tenho cinetose de carteirinha) uso o norte-americano Zentrip, que é uma fitinha que dissolve na boca.
- Escopolamina: este já é mais forte, quando a coisa está "feia". Não temos no Brasil. Nos EUA chama-se Transderm-Scop, um adesivo para colocar em baixo da orelha, vendido com prescrição. Quem tem cinetose das boas (e os mergulhadores) conhecem bem.
- Ondansetron:outro medicamento de "resgate", quando os vômitos já começaram. É o Vonau Flash.
Não use nada disso antes de orientação médica. Remédios podem ter efeitos colaterais importantes.

Pulseirinhas não funcionam bem contra cinetose.
Medicamentos naturais (como aqueles a base de gengibre) tem pouca ação.

Para os casos mais complicados - aquelas crianças que enjoam no dia-a-dia (e não podem tomar Dramin diariamente pelo resto da vida) existe a terapia de reabilitação vestibular. É uma fisioterapia, com exercícios posturais e visuais feita por fonoaudiólogos, que visa diminuir estes sintomas.

De qualquer forma, leve sempre toalhas de banho e saquinhos no carro...bem como a troca de roupas...Quem tem cinetose, conhece o problema...

Não é exagero...quem tem cinetose, sabe.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Refrigerantes diet e aumento da cintura - Postado por Jairo Len

Um estudo apresentado no congresso da Academia Americana de Diabetes motra uma relação entre o consumo de bebidas diet e a aumento do ganho de peso.
O estudo, realizado pela pesquisadora Helena Hazuda, da Universidade do Texas (UT Health Science Center San Antonio School of Medicine) mostrou que o consumo diário de duas ou mais latas de refrigerantes diet está relacionado em o aumento de peso de da cintura abdominal. Foram estudadas 500 pessoas durante dez anos. Não se concluiu exatamente porque os refrigerantes diet tiveram esta relação com ganho de peso. São vários viéses. A população estudada é norte-americana, de uma única cidade. O refrigentante diet, em si, não engorda. Os hábitos alimentares destas pessoas é que são mais importantes.
Uma das teorias é que o gosto doce (artificial) dos refrigerantes diet levam a pessoa a comer mais, sem saciá-las, por não conterem calorias. Ou por estas pessoas acharem que, por tomarem bebida diet, possam "compensar" na comida.

Enfim...não importa a causa. Vale a discussão. E talvez a informação de que um dos motivos para quem não consegue perder peso pode estar na porta da geladeira...

A culpa é sempre da cereja do bolo...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Crianças e colesterol - Postado por Jairo Len

Com grande frequência encontro níveis de colesterol e triglicérides altos nas crianças.
É uma preocupação de muitos pais, e existem diretrizes específicas para esta triagem.

Quando o pediatra deve solicitar exames?

Se pai e/ou mãe tem níveis muito altos de colesterol (ex.: 300 a 600 mg/dl) a triagem deve começar aos 2 anos de idade.
Se o nível de colesterol de pai e/ou mãe está entre 200 e 300 mg/dl, o exame deve ser feito quando os filhos tiverem cerca de 5 anos de idade.
Para todos os outros, check up no máximo até os 10 anos de idade.
Este raciocínio de triagem é global, mas é importante que o pediatra avalie cada fração do colesterol: o bom (HDL) e o mau colesterol (LDL). A relação entre eles é muito importante.

O que mais encontro são os filhos de pais com dislipidemia, ou seja, doença metabólica familiar que aumenta o colesterol. Estas crianças já tem um colesterol um pouco elevado - índices ao redor ou mais de 200 mg/dl. É uma "doença" da família. Procuramos fazer uma dieta restritiva de gorduras por 3 meses, mas os resultados práticos são pequenos. São futuros usuários das "estatinas" (sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina), os medicamentos usados para abaixar o colesterol. Em alguns casos, com fatores de risco (como doenças cardíacas em pais ou avós antes dos 55 anos de idade) pode-se usar abordagem medicamentosa desde a infância, a partir dos 8 anos de idade.

Como reduzir o colesterol?

A alimentação hoje em dia (pelo menos aqui no Brasil) já tende a ser mais saudável, tendo pouco impacto nas dietas para redução do colesterol.
O que ainda é um vilão, a meu ver, é o leite integral e seus derivados (queijo, manteiga, sorvetes com leite, requeijão, creme de leite, etc.). O leite integral pode ser banido do dieta de qualquer criança com mais de 2 anos de idade ("pode" não significa que é obrigatório para todos). Já temos até leites magros infantis, como o Ninho Levinho. Estes leites magros tem todo o cálcio e proteína que são importantes no leite, mas com menos gorguras e colesterol.
São raras as crianças que se alimentam diariamente de fast-food, frituras (em óleos saturados), carnes e embutidos gordos. Bolachas recheadas talvez sejam um problema em algumas casas. Ovos (a gema) contém bastante colesterol e pode ser controlado em algumas crianças.
Importante avaliar e individualizar cada caso, para não deixar uma criança neurótica se não houver 100% de necessidade.

Praticar esportes é um hábito saudável e faz bem para todos, mas tem pouca ação na redução de colesterol nas crianças. Devem ser estimulados como forma de prevenção da obesidade e doenças cardio-vasculares.

Remédios, em casos muito especiais, com estreita monitorização.

Dos males do século (sal, sol, BPA, mercúrio, ozônio, radiação,...) acho que o colesterol é um que realmente merece nossa atenção.

Alterar o DNA talvez seja nossa maior solução...

terça-feira, 21 de junho de 2011

O inverno chegou... - Postado por Jairo Len

...E com a chegada do inverno, vem a piora da qualidade do ar em São Paulo...
Por causa do fenômeno climático da "inversão térmica", os dias tem uma tendência de ficarem mais secos e mais poluídos. O fim das aulas ajudará muito, mas mesmo assim algumas providências podem ser tomadas para se evitar o aumento de doenças respiratórias.
Sempre repito para os pais que as crianças sem problemas respiratórios não precisam de cuidados especiais, como o uso de umidificador de ar.
Mas muitas crianças e adultos sofrem muito com o ar seco - que pode chegar em 10% de umidade relativa - o que equivale a um deserto, daqueles bem secos - causando aumento significativo de coriza, tosse, crises de asma e pneumonias.
O uso de umidificador de ar é fundamental para este grupo, sempre que a umidade relativa estiver abaixo dos 40% (no quarto, à noite). Hoje em dia você encontra os hidrômetros em reloginhos made in China bem acessíveis e pode fazer este controle de forma fácil.
Manter a umidade em torno dos 60% é o ideal.
Lá na Clínica eu tenho um umidificador que é auto-regulável. Você regula a umidade que quer. Um sensor lê a umidade do ar e liga-e-desliga o aparelho de acordo com o regulado. Uma excelente e cara opção, fabricado pela Nuk.

O umidificador com sensor de umidade relativa do ar
Lembro que as bacias de água não tem nenhuma utilidade para aumentar a umidade relativa do ar. Toalhas molhadas na cabeceira da cama podem ajudar, em "emergências". Ideal é investir no umidificador.